Com consenso de Selic inalterada, foco é a linguagem do Copom

Com unanimidade sobre manutenção do juro básico, analistas discutem quando o BC fará alterações na taxa

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SÃO PAULO – Mais uma vez os analistas não esperam surpresas na decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) em relação a taxa básica de juro brasileira. Assim como a última reunião, ocorrida nos dias 1 e 2 de setembro, é consenso que o comitê anunciará nesta quarta-feira (21) uma manutenção da taxa Selic em 8,75% ao ano, seu menor patamar histórico. “Ninguém prevê alta para a Selic na reunião desta semana”, aponta a SulAmérica.

Com isso, o foco das análises se volta para a linguagem do comitê – mais especificamente, as perspectivas macroeconômicas do BC e possíveis indicações de quando se iniciará um novo ciclo de alta da Selic. “As novidades estão restritas a linguagem do comunicado, tradicionalmente concisa, e a ata da reunião, a ser publicada em 29 de outubro”, aponta o Bank of America Merrill Lynch.

Jogo de palavras

“As duas últimas notas que acompanharam a divulgação da decisão de política monetária explicitaram de forma inédita a idéia de adequação da Selic ao cenário do Copom”, afirma o Santander. Segundo o banco, ao afirmar que “a taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno”, o comunicado ancora as expectativas ao patamar definido e o amarra ao cenário.

Para o BofA Merrill Lynch, a mesma frase do comitê já mencionada pelo Santander foi reforçada pelo relatório de inflação do terceiro trimestre, que mostrou que o BC continua a esperar que a inflação permaneça consistente com a meta. O banco norte-americano também aponta que o Banco Central deve ser mais incisivo na sinalização de suas intenções em manter a Selic inalterada por um longo período de tempo.

Entretanto, o Santander destaca que a discussão acerca do risco inflacionário imposto pela política fiscal, além das evidências de retomada da demanda doméstica, podem sugerir uma mudança de posição ao comitê. “Assim, um comunicado inalterado iria em direção contrária às apostas de antecipação do início do ciclo de alta de juros, com potencial de reverter ou interromper a tendência de aumento da inclinação da curva”, apontam os analistas.

Para o banco, o mais provável é a introdução de algum atenuante leve, que permita ao Copom expressar que ainda acredita em seu cenário básico, mas que ao mesmo tempo reflita uma mudança no balanço de riscos. “Menos sutil seria a reintrodução da condicionalidade – algo como ‘o Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário para definir os próximos passos’ – compatível com uma sinalização de mudança de cenário em curso”, apontam os analistas. Segundo o Santander, o limite seria a eliminação da frase que qualifica a taxa atual como consistente com um cenário benigno.

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Inflação é determinante

Os movimentos da inflação parecem ser determinantes não só na manutenção da taxa Selic – como é o caso na reunião de outubro, mas também na avaliação de quando o BC iniciará um novo ciclo de altas. Vale mencionar que esta é a penúltima reunião do comitê em 2009, que volta a se reunir apenas nos dias 8 e 9 de dezembro.

Para o Santander, o movimento de retorno da taxa básica de um patamar de estímulo para um nível mais próximo do neutro deve ser concomitante a um afastamento das projeções de inflação da autoridade monetária em relação às metas ou mudança importante do balanço de riscos, “como as atas insistem em reforçar”.

O Citi também aponta o relatório de inflação de setembro como central na manutenção da Selic. “Apesar das expectativas do BC de uma forte recuperação da atividade econômica, as projeções para inflação em 2009 e 2010 ainda estão abaixo do centro da meta – assim, não há motivos para aumentar a taxa de juros por hora”, apontam.

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Já o Banco Schahin destaca que o texto da reunião anterior indicou que a taxa atual é adequada para a recuperação não inflacionária da economia. “Caso este equilíbrio no balanço de riscos seja alterado, será interpretado como um primeiro sinal de mudanças na política monetária nos próximos meses”, afirmam os analistas.

Expectativas de inflação e câmbio

A SulAmérica também aponta as projeções de inflação do Banco Central como importantes. “A expectativa de inflação para 2009 pouco se alterou desde o último encontro do Comitê, passando de 4,29% para 4,30%. Já a expectativa de inflação para 2010 subiu para 4,41%, ante 4,30% na reunião passada”, afirmam os analistas.

Ao mesmo tempo, a SulAmérica, aponta que a taxa de câmbio, que estava em 1,85 R$/US$ no último encontro, atualmente está em 1,75 R$/US$. “E as expectativas de mercado com relação ao câmbio também caíram, de 1,85 para 1,70 no final de 2009 e de 1,85 para 1,75 no fim de 2010. Dessa forma, acreditamos que as projeções de inflação do Banco Central devem recuar em relação às projeções da última reunião”, concluem.

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Altas só em 2010 – mas quando?

A Ativa aponta que o relatório Focus mostra que o aumento da taxa Selic para 2010 é amplamente esperado pelo mercado. “Paralelamente à recuperação da economia teremos o retorno dos juros para níveis mais condizentes com a estabilidade monetária de longo prazo”, afirmam os analistas. “O BC agirá de forma parcimoniosa acompanhando a evolução das principais variáveis econômicas, sobretudo diante da forte distensão implementada”.

A dúvida é, contudo, relativa à quando o Copom tomará a decisão de iniciar um novo ciclo de altas. “O ritmo veloz de retomada da demanda pode levar o BC a iniciar um ajuste da política monetária nos próximos meses, embora ainda exista muita incerteza quanto ao timing deste processo e, por enquanto, prevemos que a alta se inicie em abril”, afirma o Schahin.

O Citi também aponta abril de 2010 como provável início de novo ciclo de altas. “Nesta data, as pressões inflacionárias para 2011 provavelmente vão pressionar o Banco Central a elevar a Selic”, afirmam os analistas.

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A SulAmérica, por sua vez, acredita que a decisão de elevar a taxa básica de juro virá somente no segundo semestre do próximo ano. Já o BofA Merrill Lynch prevê uma Selic inalterada até o final de 2010 – projeção apoiada em um crescimento moderado no quarto trimestre de 2009 e nas perspectivas de inflação flutuando em torno de 4% no próximo ano.