Ibovespa tem 5ª alta em 6 pregões com disparada das commodities puxando Petrobras e Vale

Puxado por dupla de peso, índice acompanha sessão positiva no exterior e avanço nos preços das commodities

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SÃO PAULO – Após a melhor semana em seis meses, o Ibovespa seguiu em alta nesta segunda-feira (10), acompanhando a alta das commodities, sobretudo do petróleo no mercado internacional. O benchmark da Bolsa brasileira chegou a sua quinta alta nos últimos seis pregões ao avançar 0,92%, a 61.668 pontos, renovando seu maior patamar desde 3 de setembro de 2014. O volume financeiro foi de R$ 6,631 bilhões. O pregão de hoje foi favorecido pela disparada das ações da Petrobras (PETR3, R$ 17,49, +3,19%; PETR4, R$ 15,73, +3,08%) e Vale (VALE3, R$ 19,05, +5,83%; VALE5, R$ 16,99, +5,99%).

No radar do mercado, também merece destaque a votação da PEC 241, que estabelece um limite para o crescimento das despesas públicas, em primeiro turno no Plenário da Câmara dos Deputados, e a repercussão do debate presidenciável americano entre Hillary Clinton e Donald Trump. O dólar comercial, por sua vez, encerrou o dia com queda de 0,44%, cotado a R$ 3,2015 na compra e R$ 3,2025 na venda, praticamente na mínima da sessão.

Um dos fatores que ajudou a Bolsa foi o petróleo que viu seus preços negociados no mercado internacional subirem forte, com o barril tipo brent disparando 2,35% e o WTI, 2,91%, respectivamente cotados a US$ 53,15 e US$ 51,26. Com isso, a commodity já se aproxima dos maiores valores do ano, surfando na onda do otimismo dos investidores com a fala do presidente russo, Vladimir Putin, de que o país está pronto para se unir à proposta de limitar a produção da commodity. Posição semelhante foi apresentada pelo Iraque.

Além disso, o ministro de energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, disse hoje estar otimista de que grandes produtores de petróleo conseguirão chegar a um acordo final para reduzir a produção da commodity até novembro, quando a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fará sua reunião de cúpula. Para ele, “não é impensável” que o preço do barril de petróleo alcance US$ 60 até o fim do ano.

Ainda no mercado de commodities, além da disparada do petróleo, destaque para o minério de ferro spot, negociado no porto de Qingdao com 62% de pureza, que fechou em alta de 1,39%, a US$ 56,65 a tonelada.

Para a equipe de análise da XP Investimentos, apesar da sessão positiva para o mercado, no pano de fundo permanecem as dúvidas em relação à saúde da economia mundial e preocupações com relação à própria situação do Deutsche Bank na Europa. “A recuperação dos Estados Unidos segue incerta, depois dos últimos dados do mercado de trabalho norte-americano”, observam em relatório a clientes.

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Destaques da Bolsa
Contribuíram para o dia positivo do índice as ações de Petrobras, Vale e siderúrgicas, puxados pela alta das commodities, além dos bancos, que também subiram forte. Na ponta negativa, chamaram atenção as ações da Telefônica Brasil (VIVT4), que afundaram mais de 6% com a notícia de que o presidente da companhia irá deixar o cargo. Para conferir mais destaques, clique aqui.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VALE5 VALE PNA 16,99 +5,99 +65,76 455,67M
 VALE3 VALE ON 19,05 +5,83 +46,20 166,62M
 BRAP4 BRADESPAR PN 11,16 +3,33 +123,65 28,63M
 PCAR4 P.ACUCAR-CBDPN 54,73 +3,21 +30,78 122,46M
 PETR3 PETROBRAS ON 17,49 +3,19 +104,08 229,95M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

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 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 VIVT4 TELEF BRASILPN EJ 43,60 -6,92 +27,65 685,98M
 QUAL3 QUALICORP ON 20,52 -2,29 +53,42 47,11M
 SMLE3 SMILES ON EJ 54,40 -1,98 +68,24 13,40M
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 10,25 -1,91 -43,96 53,21M
 EMBR3 EMBRAER ON 14,28 -1,52 -52,45 60,74M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VIVT4 TELEF BRASILPN EJ 43,60 -6,92 685,98M 79,03M 47.393 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,73 +3,08 599,70M 706,38M 34.258 
 VALE5 VALE PNA 16,99 +5,99 455,67M 283,26M 27.217 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 38,10 +0,13 301,12M 436,52M 20.238 
 PETR3 PETROBRAS ON 17,49 +3,19 229,95M 161,61M 9.075 
 ITSA4 ITAUSA PN 8,85 +1,49 227,63M 217,17M 29.545 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 30,86 -0,03 219,29M 321,24M 13.717 
 VALE3 VALE ON 19,05 +5,83 166,62M 87,32M 19.611 
 BBAS3 BRASIL ON 25,45 +0,67 137,67M 175,07M 16.186 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 17,92 +0,62 133,90M 200,87M 18.432 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Relatório Focus
Os cinco economistas que mais acertam em suas projeções para o Banco Central mostraram uma revisão na mediana das expectativas para números da economia em 2016. Segundo o relatório Focus referente à semana encerrada em 7 de outubro, as projeções para a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) até o fim de dezembro caiu de 7,22% no último levantamento para 7,02% agora. O mesmo ocorreu com a taxa de câmbio, que caiu de R$ 3,28 para R$ 3,25. A Selic, por sua vez, foi mantida a 13,75% ao ano.

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Para 2017, as expectativas para o avanço dos preços minguou de 5,13% para 5,05%, ao passo que para a taxa de câmbio foi de R$ 3,50 para R$ 3,45. Já a mediana do “top 5” para taxa básica de juros subiu de 11% no levantamento anterior para 11,13%. Vale ressaltar ainda que as expectativas desse grupo de economistas por uma redução de 0,25 pontos na Selic ainda em outubro — quando haverá reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) — foi mantida.

Entre todos os economistas que a autoridade monetária consulta semanalmente, também houve mudanças de perspectivas. Para o IPCA de 2016 e 2017, as expectativas apresentaram respectivos recuos de 7,23% para 7,04%, e de 5,07% para 5,06%. No caso da taxa de juros, eles mantiveram apostas de 13,75% ao final deste ano e 11% no ano seguinte. O mesmo foi visto no câmbio: R$ 3,25 em 2016 e R$ 3,40 em 2017. O PIB, por sua vez, foi de -3,14% para -3,15% neste ano e foi mantido em 1,30% de alta no ano seguinte.

PEC do teto de gastos
A PEC do teto segue para ser votada no Plenário nesta segunda-feira em primeiro turno. Confiante na aprovação da proposta de Emenda à Constituição (PEC 241/16) que limita o teto de gastos públicos, o governo espera contar com mais de 350 votos para garantir a proposta. A afirmação é do ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, responsável pela articulação política do governo.

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Em jantar promovido ontem com deputados da base aliada do governo, no Palácio da Alvorada, o presidente Michel Temer criticou a manifestação da Procuradoria-Geral da República, que na sexta-feira considerou “inconstitucional” a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) apresentada pelo governo para limitar o aumento dos gastos públicos por 20 anos. “Todo e qualquer movimento de natureza corporativa que possa tisnar a PEC do Teto não pode ser admitido”, disse Temer, de acordo com relato de participantes do encontro, sem citar diretamente o Ministério Público Federal. “Nós estamos fazendo história e queremos, no último dia do nosso governo, dizer: ‘Salvamos o Brasil'”.

Mercado internacional
A semana começou em alta para as bolsas europeias e queda para as asiáticas, com o mercado acompanhando o segundo debate presidencial nos EUA e o noticiário sobre os bancos no velho continente. Os mercados veem menos chances de uma vitória do candidato republicano Donald Trump em sua candidatura presidencial nos Estados Unidos, em meio a um escândalo sobre os comentários chulos que ele fez sobre mulheres. Além disso, pesquisa da CNN mostrou que a candidata democrata Hillary Clinton venceu o debate do último domingo. Os EUA têm feriado de Columbus Day; mercado de ações opera e o de títulos, não.

Na Europa, destaque para as ações do Deutsche, que chegaram a cair 3% em meio a notícias de que ainda há impasse na negociação com o Departamento de Justiça americano. Por outro lado, as exportações da Alemanha subiram 5,4% se recuperaram mais do que o esperado em agosto, registrando a maior alta em mais de seis anos e afastando temores de que a economia estaria a caminho de uma desaceleração.

EUA
A reta final das eleições nos EUA e os indicadores econômicos ganham destaque nesta semana. De acordo com pesquisa realizada pela CNN, a candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, venceu neste domingo (9) o segundo debate contra o republicano Donald Trump, segundo 57% dos consultados. Dos entrevistados na pesquisa, 58% disseram antes do debate que apoiavam Hillary.

Nesta semana, o destaque fica para a ata do Fomc (Federal Open Market Committee), a ser revelada dia 12 (quarta-feira), após o payroll um pouco menor do que o previsto na última sexta-feira não mudarem as expectativas de alta de juros em dezembro pelo Fed. Além do Fomc, a chairwoman da autoridade monetária Janet Yellen e outros dirigentes do Fed ao longo da semana. Vendas no varejo, PPI e sentimento de Michigan são destaques entre indicadores nesta semana. 

Dados econômicos
No Brasil, após o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro abaixo de todas as previsões ampliar as apostas em corte da Selic, os próximos dias têm apenas uma prévia do IGP-M e quadrissemanas do IPC-Fipe e IPC-S. A semana terá feriado na quarta-feira, dia de Nossa Senhora Aparecida. O Banco Central mantém volume de 5.000 swaps reversos em leilão.  

No exterior, a China divulga dados importantes durante a semana. Balança comercial deve sair entre os dias 12 e 13. Dados de inflação saem na quinta-feira. Na zona do euro, sai produção industrial. No Reino Unido, o presidente do Bank of England Mark Carney fala dias 13 e 14.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.