Devido às frágeis bases de sustentação, Ativa espera volatilidade no câmbio

Corretora diz que movimento do dólar se apóia no humor do mercado e políticas do Governo, fatores impossíveis de se prever

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SÃO PAULO – Mesmo com o recente rali do real frente ao dólar, realizar projeções sobre a tendência do câmbio tem sido uma tarefa cada dia mais difícil. Segundo a Ativa Corretora, essa dificuldade deve-se ao fato de que a trajetória atual do dólar tem sido sustentada por dois fatores “impossíveis de se prever”: o bom humor do mercado de capitais e políticas do governo.

No acumulado de 2009, o dólar registra desvalorização de 26% sobre o real. O otimismo dos investidores em relação à economia brasileira tem estimulado o fluxo de capitais internacionais em direção ao País, contribuindo assim para a valorização da moeda brasileira.

Contudo, medidas adotadas recentemente pelo Governo brasileiro, como a taxação em 2% do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o investimento estrangeiro em renda fixa ou variável, ligam o sinal de alerta dos investidores sobre novas intervenções governamentais, como maneira de limitar a apreciação cambial.

Segundo a Ativa, esse cenário instável para a moeda norte-americana ganha um viés negativo principalmente para quem tem as exportações como principal fonte de receita. As empresas exportadoras “não conseguem se planejar, muito menos hedgear (se proteger através de operações de hedge)”, dizem os analistas.

Com uma postura cética sobre o IOF, a corretora acredita que o capital injetado na economia brasileira não tem caráter especulativo, o que torna essas taxas cobradas pouco efetivas para impedir o declínio do dólar. “Caso o fluxo seja especulativo, a taxa pode afastar [investimentos estrangeiros] temporariamente, porém, dificilmente os eventos são puramente especulativos”, afirmam.

Investimentos devem minimizar deterioração nas contas

Buscando enxergar um horizonte menos obscuro, os especialistas da instituição fazem suas projeções para as principais contas da Balança de Pagamentos brasileira em 2010. Ganha destaque a balança comercial, que tem registrado em 2009 números melhores que os projetados no início da crise, sustentados pela forte demanda por commodities da China.

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Ainda assim, “as perspectivas para a conta corrente em 2010 são de deterioração”, concluem os estrategistas da instituição. Porém, a equipe de análise ressalta que, mesmo com a conta corrente no vermelho e com expectativa de novas quedas em 2010, a economia brasileira ainda é vista com bons olhos, principalmente no mercado acionário. Com isso, os analistas acreditam que esse fluxo internacional, mesmo que ainda distante dos níveis pré-crise, amenize o aumento do saldo negativo brasileiro.

Cautela com a política

Apesar de a corretora esperar que o volume de investimentos estrangeiros diretos no País dê sinais de melhora em 2010, ela não deixa de salientar os impactos negativos que novos eventos políticos podem trazer ao humor dos investidores com o Brasil – o que tem sido um dos alicerces para a forte valorização do câmbio.

O sinal de alerta deve-se não apenas à nova tributação anunciada pelo atual governo, fato que já gerou certo desconforto para as pessoas ligadas ao mercado, mas também ao “cenário político conturbado previsto para as eleições em 2010”, quando os eleitores escolherão o sucessor do atual presidente Lula.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers