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SÃO PAULO – Setembro é conhecido por ser um mês difícil para os mercados acionários norte-americanos. A quebra dos mercados em 1929 começou nesse mesmo período. De acordo com o Stock Trader’s Almanac, o índice S&P 500 cai em média 1,1% em setembro, fazendo com que esse seja o pior mês do ano.
Desde 2008, a percepção só piorou, já que foi o período que deu início à pior fase da crise. As duas primeiras semanas do mês revelaram turbulências piores do que o esperado, trazendo as intervenções estatais nas gigantes Fannie Mae e Freddie Mac e na AIG, a falência do Lehman Brothers, a fusão entre Merrill Lynch e Bank of America e a liquidação do Washington Mutual.
Desde então até o início deste ano, o colapso dos mercados acionários norte-americanos destruiu mais de US$ 30 trilhões – desde 1º de setembro de 2008 até a mínima, alcançada em 9 de março de 2009, o S&P 500 registrou uma queda de 47,26%.
Um ano depois
Contudo, os números não foram ruins durante todo o ano. Desde março, o cenário mudou, os mercados acionários anteciparam uma recuperação e deram início a um dos ralis mais profundos da história. Ainda tendo como referência o índice acionário norte-americano, a alta desde a mínima até o final de agosto foi de impressionantes 50%.
Atualmente em torno dos 1.000 pontos, mesmo com o forte rali o S&P 500 ainda não recuperou os níveis de setembro do ano passado, quando operava perto dos 1.283 pontos. O mesmo vale para os preços das commodities, as taxas básicas de juros e os indicadores de emprego e mercado imobiliário.
| Fechamento de 29/8/2008 | Fechamento de 31/8/2009 | Variação | |
| Índices | |||
| Dow Jones | 11.544 | 9.496 | -17,7% |
| S&P 500 | 1.283 | 1.021 | -20,4% |
| Nasdaq | 2.368 | 2.009 | -15,1% |
| FTSE | 5.637 | 4.909 | -12,9% |
| Nikkei | 13.073 | 10.493 | -19,7% |
| Hang Seng | 21.262 | 19.724 | -7,2% |
| Taxas | |||
| Fed Funds | 2,00% | 0% – 0,25% | -1,75 – 2,00 p.p. |
| Treasury 30 anos | 4,424% | 4,181% | -0,243 p.p. |
| Treasury 10 anos | 3,821% | 3,405% | -0,416 p.p. |
| Treasury 5 anos | 3,093% | 2,393% | -0,701 p.p. |
| Treasury 2 anos | 2,352% | 0,968% | -1,384 p.p. |
| Treasury 3 meses | 1,731% | 0,142% | -1,589 p.p. |
| Commodities | |||
| Petróleo | US$ 115,46 | US$ 69,75 | -39,6% |
| Gasolina | US$ 2,85 | US$ 1,8105 | -36,6% |
| Gás Natural | US$ 7,94 | US$ 2,975 | -62,5% |
| Ouro | US$ 835,20 | US$ 952,5 | +14,0% |
| Prata | US$ 1.360,70 | US$ 1.489,0 | +9,4% |
| Cobre | US$ 342,95 | US$ 282,25 | -17,7% |
| Soja | US$ 1.324,0 | US$ 979,5 | -26,0% |
| Milho | US$ 585,0 | US$ 329,75 | -43,6% |
| Trigo | US$ 801,25 | US$ 498,75 | -37,8% |
| Câmbio | |||
| Dollar Index | 77.38 | 78.14 | +1,0% |
| GBP x USD | US$ 1,8213 | US$ 1,6286 | -10,6% |
| EUR x USD | US$ 1,4672 | US$ 1,4338 | -2,3% |
| USD x JPY | ¥ 108,78 | ¥ 93,1 | -14,4% |
| Mercado Imobiliário | Agosto/2008 | Julho/2009 | Variação |
| Preço Médio das Casas | US$ 203.200 | US$ 178.400 | -12,2% |
| Existing Home Sales | 4.930.000 | 5.240.000 | +6,3% |
| Housing Starts | 849.000 | 581.000 | -31,6% |
| Hipotecas Fixas com vencimento em 30 anos | 6,49% | 5,31% | -1,18 p.p. |
| Mercado de Trabalho | Agosto/2008 | Julho/2009 | Variação |
| Vagas no setor privado | 137.053.000 | 131.484.000 | -4,1% |
| Initial Claims | 450.000 | 570.000* | +26,7% |
| Taxa de Desemprego | 6,2% | 9,4% | +3,2 p.p. |
*Agosto de 2009
No Brasil, a situação é um pouco diferente, com o Ibovespa atualmente sendo negociado em níveis superiores aos vistos em setembro do ano passado. Confira a tabela com os números brasileiros:
| Fechamento de 29/8/2008 | Fechamento de 31/8/2009 | Variação | |
| Índices | |||
| Ibovespa | 55.680 | 56.488 | +1,45% |
| Juros | |||
| Selic | 13,00% | 8,75% | -4,25 p.p. |
| Câmbio | |||
| Dólar x Real | R$ 1,635 | R$ 1,889 | +15,5% |
| Mercado de Trabalho | Julho/2008 | Julho/2009 | Variação |
| Taxa de Desemprego | 8,1% | 8,0% | – 0,1 p.p. |
Lições da crise
Passado um ano desde o início da pior fase da crise, diversas avaliações podem ser feitas. “Comemorando” a data, o Wall Street Journal fez uma lista de oito lições que podem ser tiradas dos desdobramentos da crise e do bull market que marcaram os últimos 12 meses.
Diversificação nem sempre funciona – O ano passado mostrou que, em algumas situações, a diversificação pode resultar em menor segurança do que o esperado. Isso não significa, entretanto, que é inútil: apenas limitada.
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Os mercados estão mais interligados – Durante a queda dos mercados acionários na segunda metade de 2008, quase todas as classes de ativos registraram perdas – até mesmo o ouro. A retirada de dinheiro foi generalizada.
Entenda todos os investimentos – As turbulências enfrentadas durante a crise mostraram que até mesmo os investidores mais sofisticados – como os grandes bancos norte-americanos – podem ser enganados por investimentos complexos.
Certifique-se de ter um portfólio líquido – De acordo com a avaliação do WSJ, alguns dos maiores erros foram feitos por investidores que acharam que suas posses eram mais líquidas ou fáceis de liquidar do que realmente eram.
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O governo funciona – Embora ainda não se saiba as consequências futuras das agressivas medidas adotadas pelos governos globais, especialmente nos Estados Unidos, está claro para os analistas que a ação das autoridades evitou uma recessão ainda mais profunda e até mesmo uma depressão.
Não deixe as companhias tornarem-se grandes demais para falir – Para o jornal, ainda não está claro se as autoridades entenderam completamente essa lição, já que firmas como Goldman Sachs e JPMorgan estão trilhando o mesmo caminho que as gigantes Fannie Mae e Freddie Mac, criticadas por serem muito grandes e carregarem muitas dívidas.
Conte em qualquer equação de investimento o cenário mais pessimista – A lição vem especialmente dos investidores que confiaram no histórico do setor imobiliário norte-americano ao invés de avaliar possíveis falhas nas perspectivas otimistas.
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Não fique muito pessimista – A velha máxima de que a crise gera oportunidades pode ser aplicada também para o último ano: quem aproveitou a forte queda dos mercados acionários na segunda metade de 2008 está colhendo os frutos agora.