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SÃO PAULO – Ao longo do último ano, foi corriqueira a comparação entre a atual crise e a grande depressão da década de 1930. Mostrando que a história é mais confusa do que aparenta, os analistas da gestora de recursos Schroders veem possibilidade de continuidade do rali nos mercados emergentes, mas fim da alta nos EUA.
Embora seja inevitável destacar que esta crise é a pior desde então, os analistas afirmaram que as similaridades são apenas superficiais com o processo atual, sendo a principal delas o foco no sistema bancário.
Enquanto alguns decantam o fim da recessão, a taxa de desemprego nos EUA atinge os 9,7%, valor ainda muito distante dos mais de 25% atingidos nos EUA com a grande depressão. Além disto, por mais espantosa que seja a quebra do Lehman Brothers e de outras dezenas de pequenos bancos, quase um terço do sistema bancário implodiu na década de 1930.
“Além de lições gerais, como por exemplo não deixar um terço do sistema bancário entrar em colapso”, a comparação com a história da grande crise do século passado não parece muito produtiva aos analistas.
Estrutura compatível
Tudo isto para reforçar a ideia de que a comparação mais coerente deve ser estabelecida com as recessões vivenciadas nos EUA em 1974 e 1981, respectivamente em função do choque do petróleo e de problemas com instituições financeiras.
Tais traços possuem características comparáveis a outras recessões vividas no pós-guerra, como em 1960, 1970 e 2001, cujo caráter esteve mais ligado a ajustes no ciclo econômico, entre estoques e produção. Esta situação estaria mais próxima ao vivenciado atualmente pelos países emergentes.
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Recessões de tipo estrutural exigiriam mais do que a simples correção nos mercados, mas sim uma profunda reforma das causas fundamentais. Embora destaque que as políticas monetária e fiscal expansionistas podem trazer uma recuperação rápida, um processo de prazo mais longo pode ser abortado sem outra abordagem.
“A recessão também aparenta relacionar-se com o fim da expansão do endividamento de consumidores, o envelhecimento da população e persistentes déficits e desequilíbrios externos”, afirmaram os analistas, que completam: “as políticas atuais não enfrentam estes temas”.
Como ficam os mercados
Aprofundando sua análise, a equipe da Schroders afirmou que, na maior parte dos casos, os melhores retornos são vistos poucos meses antes do fim da recessão, havendo um achatamento dos rendimentos com a renda variável após isto. Nos dois anos seguintes ao fim das recessões de 1974 e 1981, o retorno acumulado em ações foi de 7% e 13%, em respectivo.
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As comparações também dão outros indícios de que a festa nos mercados de ações pode ter chegado ao fim. “O tempo antes do fim da crise em que os mercados passam a subir é constante em aproximadamente 4 meses”, afirmaram. A estiagem dos mercados pode ser pior se os temores sobre deflação se intensificarem.
Uma história distinta
A perspectiva para os mercados de ações emergentes é diferente, na opinião dos analistas. Além de possuírem histórico de forte recuperação após as crises, as ações de países em desenvolvimento tendem a estender seus ganhos após os Estados Unidos se recuperarem de recessões.
“As economias de mercados emergentes não estiveram no mesmo ciclo que os EUA. Em outras palavras, eles não estão colados”, disseram os economistas da gestora de recursos, citando como exemplo as graves crises da Ásia e da Rússia, no final dos anos 1990, vivida pelos mercados emergentes em meio a um período de expansão do produto nos Estados Unidos.
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Por outro lado, existe uma importante correlação entre mudanças na política monetária dos EUA e o desempenho de mercados acionários emergentes. Embora não seja o único determinante, a manutenção de câmbio fixo em diversas economias asiáticas são alguns dos fatores que tornam os retornos em ações emergentes sensíveis ao juro nos EUA.
Por isto, a expectativa é que a política monetária expansiva do Federal Reserve apóie a manutenção do ciclo positivo nas ações de países em desenvolvimento, além de fatores como a menor dependência econômica em relação à economia norte-americana. Escapando de crises bancárias, a recessão em países como o Brasil – quando houver – “será mais cíclica que estrutural”, completam os analistas.