Fitch atribui nota “BBB” à proposta de emissão de bônus da Vale

Agência de rating destaca a liquidez e a posição de mercado da mineradora; contudo, exposição à China acentua risco

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SÃO PAULO – Repercutindo a possibilidade da Vale (VALE3, VALE5) emitir bônus no mercado de capitais global com vencimento em 2019, divulgada nesta terça-feira (8), a agência de classificação de risco Fitch atribuiu para esta proposta de emissão de notas o rating “BBB”.

Estas notas serão emitidas através de sua subsidiária Vale Overseas Limited e serão incondicionalmente garantidas pela Vale, no valor próximo de US$ 1 bilhão, que será utilizado para refinanciar dívidas com vencimento no curto prazo e para finalidades gerais da empresa.

Vale lembrar que a agência realizou no último dia 26 de maio a elevação dos IDRs (Issuer Default Ratings) em moeda local e estrangeira da mineradora para “BBB”, além de também revisar a nota em escala nacional da empresa para “AAA”. A perspectiva dessas notas segue estável.

Liquidez e negócios sustentam ratings

Dentre os pontos tidos como cruciais para os ratings atribuídos, os analistas da Fitch destacam a forte posição de liquidez da companhia, que, de acordo com os cálculos da agência, fecharam o primeiro semestre do ano com US$ 11,2 bilhões de caixa e US$ 20,4 bilhões de dívida total ajustada.

Além disso, os especialistas também apontam a posição de destaque que a mineradora conquistou no mercado. “A Vale foi a maior empresa de minério de ferro do mundo, com participação de mercado estimada de 30% no mercado ultramarino e a segunda maior produtora de níquel”, afirmam os avaliadores, que destacam ainda a presença significativa no mercado de alumínio.

Contribuindo com a forte presença de mercado, a companhia produz um minério de alta qualidade, o que lhe permite gerar um fluxo de caixa positivo durante baixas cíclicas. “As grandes reservas de minério de ferro, níquel e bauxita da Vale continuarão apoiando seu crescimento orgânico”, afirma a agência.

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Ebitda

De acordo com a agência de risco, a queda na demanda e nos preços das commodities metálicas pressionaram o desempenho operacional da empresa durante os últimos meses. Com isso, o Ebitda (geração operacional de caixa) acumulado nos últimos 12 meses encerrados em junho totalizou US$ 11,7 bilhões, enquanto no mesmo período de 2008 o montante chegou a US$ 17,6 bilhões.

Contudo, a expectativa da Fitch é de que o segundo semestre deste ano tenha uma geração operacional de caixa em torno de US$ 9,5 bilhões, número bem mais expressivo do que o visto nos primeiros seis meses do ano, quando acumulou um Ebitda de US$ 3,9 bilhões.

“A expressiva recuperação dos preços do níquel e do alumínio, aliada à crescente demanda por minério de ferro pela China e ao final do processo de redução de estoques em muitos dos mercados da empresa, deverá resultar um segundo semestre mais forte”, acreditam os analistas.

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Riscos

No curto prazo, o risco apontado pela agência para a Vale está no processo de consolidação pelo qual a companhia está passando. “O risco de que uma transação altere o perfil de crédito da empresa continua, de certa forma, elevado”, explicam os avaliadores.

Já para o longo prazo, a forte exposição ao mercado chinês continua sendo um fator preocupante, visto a forte participação da economia asiática em suas receitas. “Uma queda na demanda pelos produtos da Vale por parte de seus clientes chineses e/ou a deterioração de suas relações com os clientes na China poderiam levar a uma ação negativa nos ratings”, concluem.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers