Com a recuperação do mercado, é melhor focar ações defensivas ou cíclicas?

Wells Fargo analisa se o pós-crise é momento de atuar com posição conservadora ou apostar em setores sensíveis à economia

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SÃO PAULO – Com a recuperação dos mercados globais, desde a quebra do Lehman Brothers, as empresas mais sensíveis à economia – como companhias relacionadas a consumo e tecnologia – vem liderando o avanço dos mercados. Considerando o rali das bolsas iniciado após as baixas de março, o desempenho de setores mais cíclicos – como financeiro e industrial – também tem se destacado.

Para o Wells Fargo, nesse momento de recuperação é importante decidir se esta é a hora para se distanciar de posições cíclicas e investir em ações defensivas e ativos de empresas estáveis, ou se o recente avanço dos setores mais economicamente sensíveis vai se manter, e por isso os investimentos deveriam continuar com este foco.

Referências históricas contraditórias

Entretanto, analisando o histórico, não há como dizer qual das duas posições é melhor em um período como o atual. “Depois de um bom desempenho no final das crises de 1982 e 1990, as ações defensivas dominaram o mercado até o fim da recessão seguinte. Contudo, a não ser na crise de 1950, as ações cíclicas prevaleceram na liderança do mercado de ações por grande parte da década de 1970 – e, da mesma maneira, depois de um avanço no mercado de ações no início da década, as ações cíclicas continuaram a liderar o mercado até o pico em 2007”, afirma o Wells Fargo.

Mas porque as ações cíclicas avançaram mais durante a última recuperação, enquanto nas duas recuperações anteriores (décadas de 1990 e 1980) esse tipo de ativo só liderou o mercado durante um curto período de retomada? Segundo o banco norte-americano, talvez a resposta seja o ritmo de crescimento global – que nos anos 1970 e no pós-crise de 2002, ao contrário dos anos 1990 e 1980, avançava continuamente.

Muitos fatores pesam na hora de considerar qual o tipo de ativo que lidera os ciclos de investimento – como valuations, força e velocidade da recuperação, políticas governamentais. Entretanto, para o Wells Fargo, o crescimento do comércio global pode ter um papel importante – e subestimado – na determinação de quais ações serão beneficiadas pelo mercado. “Apesar de não ser um relacionamento perfeito, a liderança de um desses tipos de ativo parece estar relacionada com o crescimento do mercado global”, afirmam os analistas.

“Partindo do pretexto de que esse relacionamento não é artificial, só podemos supor porque é tão próximo”, explica o Wells Fargo. Segundo os analistas, talvez um cenário de mercado global em crescimento ajude no avanço crônico das possibilidades de lucro e, assim, mantenha o momento de ganhos das empresas economicamente sensíveis. “Essencialmente, a dúvida é se o crescimento do mercado global poderia funcionar como um ‘elixir’ para lucratividade, mesmo depois do fim das medidas de estímulo”.

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Papel dos emergentes em como investir

Para o Wells Fargo, o contínuo avanço dos emergentes – além da maior aceitação da abertura da economia global – sugere que o mercado internacional vai continuar a crescer pelos próximos anos. E o que isso significa, em termos de investimento? “Enquanto os investidores precisam considerar diversos fatores, alguma atenção deveria ser dada para manutenção de posições cíclicas com a maturação da recuperação”.