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SÃO PAULO – Na contramão do tom otimista revelado pelas principais referências do mercado, Joseph Stiglitz, Nobel de Economia e professor da Universidade de Columbia, enxerga que os problemas dos bancos ao redor do mundo são maiores do que aqueles enfrentados antes da quebra do Lehman Brothers.
“Nos EUA e em muitos outros países, o número de bancos muito grandes para falir se tornou ainda maior”, disse o economista, durante entrevista em Paris. “Os problemas estão piores do que os relatados em 2007 antes da crise”, completou, em alusão à recuperação rápida dos bancos em todo o planeta.
EUA falhou
Para Stiglitz, os EUA foram mal-sucedidos na reparação de seu sistema bancário, o que se explica pelos muitos empecilhos políticos que são temidos pelo governo. “É um ultraje”, especificamente “nos EUA, onde fizeram os contribuintes colocar tanto dinheiro nos bancos”, disse o Nobel de Economia.
“A administração [Obama] parece muito relutante em fazer o que é necessário. Sim, eles farão algo, mas a pergunta é: será que eles farão o quanto for requerido?”, observou o professor de Columbia, pedindo uma intervenção mais incisiva do G-20 sobre os bancos, na próxima reunião entre os dias 24 e 25 de setembro deste ano.
Mal-estar econômico
Dos bancos à economia real, o pessimismo permanece. “Nós vamos adentrar em um período extenso de atividade econômica fraca, de uma indisposição econômica”, afirmou Stiglitz, que vê a economia mundial “muito longe de ter seus problemas resolvidos”.
Em um olhar direcionado aos EUA, o Nobel de Economia acredita que a economia norte-americana “crescerá, mas não o suficiente para compensar o crescimento da população”, visto que os dispêndios do governo devem ficar limitados, à luz das “dúvidas” do Federal Reserve sobre o fim dos estímulos monetários. “A questão é: quem financiará os EUA?”.
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“Se os trabalhadores não tiverem renda, é muito difícil vislumbrar como os EUA gerarão a demanda que a economia mundial precisa”, completa o professor de Columbia, em referência ao enfraquecimento da demanda norte-americana, que já respondeu por grande parte do crescimento mundial em tempos anteriores.
Fetiche de bem-estar
Nas palavras finais, Stiglitz critica a fissura dos governantes sobre o PIB (Produto Interno Bruto), dado que o nível de produto não pode ser visto como um indicador de bem-estar social. “A maioria dos governos faz um fetiche disso. Se você quiser uma mensagem do meu discurso, tente evitar o fetichismo do PIB”, conclui o economista.