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SÃO PAULO – Um ano depois da crise que quase levou o sistema financeiro mundial a um colapso, o cenário macroeconômico global mostra diversos sinais de melhora. Nesse contexto, como os executivos veem o futuro de suas empresas e a própria recuperação da economia? É o que revela a pesquisa McKinsey Global Economic Conditions Survey do mês de setembro, realizada pela consultoria McKinsey.
De maneira geral, a pesquisa mostrou que a maioria das empresas está se adaptando a um “novo cenário normal”, descobrindo maneiras de lucrar neste novo cenário macroeconômico – e a maioria acredita na recuperação, mesmo que lenta. Entretanto, quase a mesma parcela de executivos ainda vê os lucros caírem no curto prazo – apesar que a maioria das empresas afirma já ter saído da crise. Muitos executivos também esperam que o governo mantenha (ou expanda) seu envolvimento com a economia e com as indústrias no longo prazo, demonstrando ceticismo frente à recuperação da economia.
As expectativas sobre lucros corporativos e referentes às economias nacionais têm mostrado uma evolução consistente desde junho, assim como projeções para o mercado de renda variável. Nos EUA, os executivos estão mais otimistas, enquanto na Europa a cautela ainda prevalece. Já nos países desenvolvidos da Ásia, 28% dos participantes afirmam que a retomada já começou – no mundo, o percentual é de 19%.
Otimismo predomina
A pesquisa, realizada entre 7 e 11 de setembro, mostrou que diversas empresas passaram a adotar medidas não somente para suportar a crise, mas estão fazendo planos para períodos mais longos. “Nos últimos 12 meses, as pesquisas mostraram que as empresas estavam fazendo de tudo para sobreviver ao pior choque econômico em décadas – e agora, pela primeira vez em um ano, mais participantes afirmaram esperar que os lucros de suas empresas avancem ao invés de recuar, no curto prazo”, afirmou a consultoria.
A McKinsey também destacou que o desenvolvimento de produtos e planejamento para os próximos anos são as novas prioridades, substituindo o planejamento mensal e semanal vigente nos últimos meses – mas o corte de custos permanece em voga em três quartos das empresas.
Outra prioridade é garantir que as empresas são flexíveis o suficiente para se adaptar a condições econômicas diferentes. “A inovação também foi uma resposta constante nessa pesquisa – mais da metade dos participantes responderam que a inovação é agora mais importante do que era antes da crise, coincidindo um o resultado de janeiro, que indicava que um apoio do governo à inovação seria benéfico”, afirma a pesquisa.
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Apesar disso, um terço dos participantes ainda afirmou que suas empresas estão em crise – com variações significativas entre os setores. Entre as empresas financeiras, 28% fizeram essa afirmação, enquanto no setor produtivo, o número atingiu 45%. “Essas empresas também têm maior probabilidade de responder que estão diminuindo o número de empregados, e esperam menor avanço dos lucros – o que mostra que as empresas desse segmento podem estar se recuperando mais lentamente, já que as condições de financiamento são as mesmas para todos os setores”, comenta a consultoria.
Por outro lado, quase 75% deles afirmam que suas empresas estarão em uma posição melhor em cinco anos do que estavam no período pré-crise, se tornando mais inovadoras, apesar de anteciparem um crescimento mais lento. Em cinco anos, os executivos também preveem uma maior participação do governo nas indústrias e na economia. Uma minoria também prevê maior consolidação de suas empresas no período.
Com o mais recente rali das bolsas – mesmo que partindo de uma base baixa, as expectativas em relação ao crescimento da economia também avançaram consideravelmente nas últimas seis semanas – 40% dos participantes acreditam que o PIB (Produto Interno Bruto) de seus países vai avançar em 2009, na comparação com 26% do levantamento anterior.
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Machucada, mas resistente
A maioria dos executivos, entretanto, não prevê que o avanço seja rápido – um dos sinais, segundo a McKinsey, de uma ansiedade econômica, que também pode ser visto na expectativa de que o governo não interrompa os incentivos. “Essa expectativa não varia de acordo com o segmento ou região, ou se a empresa em questão está ou não em crise. Isso indica que a ansiedade dos executivos vai além da necessidade imediata por ajuda”, afirma a consultoria.
Outro indicador dessa ansiedade é a descrição da economia nos últimos meses que se mostrou predominante entre os pesquisados: “machucada, mas resistente”. Segundo a McKinsey, isso demonstra que a maioria dos executivos espera uma recuperação longa e lenta – apenas 20% dos pesquisados afirmou esperar uma retomada relativamente rápida.
Segundo a pesquisa, o principal fator que influencia a percepção dos executivos é a taxa de crescimento do PIB. “Em seguida, dependendo da expectativa, cada um é influenciado por uma coisa. Os que prevêem uma recuperação mais rápida, por exemplo, se focam em consumo”, explica a consultoria. Na China, 82% espera que o PIB avance em 2009 e 30% esperam que o produto retome os níveis pré-crise em 2010.
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Além das melhores expectativas para suas empresas, as perspectivas para o consumo também estão mais positivas. Pela primeira vez, o número de empresas esperando um aumento da força de trabalho atingiu 26%, igualando àquelas que esperam que o número de funcionários diminua. Aproximadamente metade também espera que as condições de crédito se tornem mais difíceis em seus países – mas apenas 10% espera que isso afete o consumo ou a expansão dos negócios.
Mercado de negócios global
Segundo a McKinsey, mesmo que a crise tenha diminuído o ritmo de diversos traços da globalização – e levantado dúvidas sobre o valor de se aumentar a integração econômica – as economias se mostram mais interligadas, e a maior parte dos executivos espera que essa relação se expanda, assim como o papel do governo nas negociações globais.
Temores de que os países restrinjam o comércio internacional recuaram nos últimos seis meses – agora, 42% espera que o comércio avance em longo prazo. Há 6 meses, apenas 16% fizeram essa afirmação.
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“Os executivos estão muito mais esperançosos quanto à intensificação da globalização do que estavam no pico da crise”, afirma a consultoria. Segundo os dados da pesquisa, 49% dos participantes espera que em cinco anos a integração dos mercados financeiros seja maior, frente a 35% em março. Por outro lado, 44% dos executivos acreditam que o comprometimento com a economia de mercado livre será menor do que no período pré-crise.