Analistas acham improvável guerra comercial entre China e EUA

Para agentes do mercado, com peso da China no comércio internacional, a chance de uma guerra é baixa

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SÃO PAULO – As intrigas noticiadas esta semana envolvendo Estados Unidos e China no comércio internacional não devem levar a uma guerra comercial entre os países.

Para agentes do mercado, antes de tomar qualquer medida que leve os desentendimentos a proporções maiores, os EUA vão lembrar do peso do país asiático em sua economia e no mundo.

Desentendimentos

Desde a última terça-feira (15), a China vêm acusando os EUA de desrespeitar as regras OMC (Organização Mundial do Comércio) ao agir com protecionismo.

Segundo o governo chinês, o aumento para 35% da tarifa sobre a exportação de pneus anunciado esta semana pelo presidente norte-americano Barack Obama, é ilegal e pede que a organização repreenda o país.

Para pressionar o presidente dos EUA de voltar atrás em sua decisão, a China iniciou uma investigação interna que pode levar a barreiras contra a indústria automobilística e a de frango norte-americana.

Apesar de o medo de que uma guerra comercial entre os dois países venha a ocorrer, alguns agentes do mercado acreditam que o risco tem diminuído principalmente pela representatividade da China para o comércio norte-americano.

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“O tamanho da economia chinesa e a extensão dos relacionamentos comerciais do país com as maiores economias do mundo devem prevenir o agravamento dos conflitos”, afirma Lu Ting, economista do banco Bank of America-Merrill Lynch em Hong Kong.

Potencial consumidor

Com a compra de bens do exterior chegando a US$ 608 bilhões ao ano, a China só vem aumentando seu peso no comércio internacional. Somente na balança exportadora norte-americana, o país representou nos últimos cinco anos um montante de US$ 351 bilhões.

“Como a China depende mais da demanda seu mercado doméstico, seu crescimento não será visto pelo restante do mundo como uma ameaça maior como a vista agora”, afirmou Shen Minggao, ex-consultor do Banco Mundial e atual economista-chefe em Hong Kong do Citigroup.

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O tamanho de seu mercado consumidor e seu potencial de expansão seduz empresários de todo o mundo que buscam aumentar a malha de clientes. Este é o caso da processadora de carnes Tyson Foods.

Neste mês, a empresa se aliou à Hormel Foods Corp e com outras 32 companhias agrícolas e associações industriais para pedir que o presidente Barack Obama resfrie a batalha comercial com a China.

Presente na China desde 2001, a empresa está de olho na potencialidade do mercado consumidor do país que atualmente consome uma média de 20 libras-peso por pessoa por ano, enquanto nos EUA esta média passa a 80 libras-peso. O país asiático já representa 10% das vendas de carne e 12% das de frango da companhia.

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Números de peso

Segundo o Banco Mundial, em cinco anos as importações chinesas cresceram 68% e já chegam a representar atualmente cerca de um terço do PIB (Produto Interno Bruto).

Além disso, a média de crescimento chinês para esta década está previsto em 10,2%, o que levará o gigante asiático a ultrapassar o Japão no próximo ano com o PIB de US$ 5,3 trilhões (maior que a média de seus vizinhos de US$ 4,72 trilhões), de acordo com projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional). Em termos de PIB, a China já ultrapassou a Alemanha e o Reino Unido.

Este ano, o país deve cresce 8% depois de ter expandido 9,9% em 2008. Para 2014 é esperado um PIB de US$ 8,5 trilhões para o país, de acordo com o FMI.