Colunista InfoMoney: Se a história é um bom guia…

Existiria uma correlação positiva entre a queda ao longo da recessão e a recuperação posterior? Cabe uma resposta via intuição econômica
O tema é recorrente. Qual será o formato da recuperação da economia mundial? Em V, U ou W? O debate está em todos os jornais e relatórios econômicos. Mas, talvez, o melhor lugar para se estudar a questão sejam os livros de história. Como a economia norte-americana se comportou após o fim das recessões anteriores? Será diferente dessa vez? Por quê?

Nas últimas nove recessões do pós-guerra, a economia dos EUA se contraiu, em média, 1,8%. Até o início desta crise, a pior das recessões ocorreu em 1957-58, quando a economia perdeu 3%. O período corrente conseguiu ultrapassar todas as estatísticas, com a contração de 3,7%, mais do que o dobro da média histórica. Na última recessão, no estouro da bolha da internet, em 2001, a economia contraiu apenas 0,3%, o recuo mais brando da história recente.

Gráfico 1

No primeiro ano pós-recessão de 1957, a economia norte-americana cresceu 9,5%. A recuperação após a última recessão foi também muito branda, com alta de apenas 1,9%. Existiria uma correlação positiva entre a queda ao longo da recessão e a recuperação posterior? Ou seja, quanto mais se cai durante o período recessivo, mais forte é o crescimento?

Gráfico 2

Sim. A correlação é positiva. Não é um modelo definitivo, até porque só temos 9 eventos. Mas podemos estabelecer essa relação por meio da intuição econômica e do que nos dizem os poucos dados disponíveis.

A equação de regressão nos diz que, para cada ponto de queda da recessão, há 2,17 p.p. durante a recuperação. Assim, apenas pelo fato de ter caído 3,7% desde dezembro de 2007, poderíamos esperar aproximadamente 8% de crescimento nos próximos 12 meses. Além dos 8 p.p., temos no intercepto 2 p.p. de crescimento. Assim, poderíamos esperar, segundo o modelo, um avanço do PIB (Produto Interno Bruto) de 10% entre os terceiros trimestres de 2009 e de 2010.

Porém, como salientei, esse é um modelo de amostra muito reduzida, que não merece atenção científica. Mesmo assim, é bastante útil para percebermos que, talvez, o risco para a economia dos EUA nos próximos 12 meses seja surpresa positiva.

Gráfico 3

Não é possível saber se dessa vez será diferente. Estamos em um evento sem precedentes. Em outras recessões, havia sempre o mercado de crédito, o governo ou o mercado de trabalho desentupidos para gerar a renda e possibilitar o investimento. Dessa vez, aparentemente, os mecanismos para recuperação estão enferrujados. O governo já colocou bastante óleo nessa máquina e ela já começou a rodar. Até agora, é isso que sabemos. Ademais, os livros de história nos mostram que podemos ficar otimistas.

Ivo Chermont é economista da Modal Asset Management e escreve mensalmente na InfoMoney, às terças-feiras.
ivo.chermont@infomoney.com.br