Proposta de aumentar poder de emergentes no FMI enfrenta resistência europeia

Na reunião do G-20, Brasil defende maior participação de países emergentes no FMI, mas Europa reluta em aceitar

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SÃO PAULO – A União Europeia está relutante em dar mais poder aos países emergentes. A proposta de aumentar o peso dos países em desenvolvimento no FMI (Fundo Monetário Internacional) é um dos temas em discussão na reunião do G-20 em Pittsburgh (EUA).

De acordo com o assessor da presidência do Brasil para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, a relutância dos países europeus se dá na concessão de mais cotas do fundo aos países emergentes, o que deveria refletir melhor a economia mundial atualmente.

“O problema não é tanto com os Estados Unidos, mas sim com os europeus”, afirma Garcia.

De acordo com um representante europeu que não quis se identificar, a relutância europeia se dá também pela recusa dos mercados emergentes em fornecer mais dinheiro ao FMI.

Cautela europeia

Segundo as regras que regem o FMI, as cotas dão aos membros direito de voto, acesso aos empréstimos do fundo e participação nos compromissos financeiros. A transferência impactaria diretamente no peso da União Europeia, que atualmente participa com 32% das cotas.

Os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) pedem uma transferência de 7% em sua participação no fundo mundial, uma vez que suas economias vêm ocupando cada vez mais espaço no PIB (Produto Interno Bruto) do mundo.

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A China, por exemplo, possui atualmente 3,7% de participação, enquanto a Arábia Saudita tem 3,2%. A economia árabe é aproximadamente um terço da chinesa.

Concordância

Para o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, uma revisão do FMI é o primeiro passo para prevenir o mundo de futuros desequilíbrios no sistema financeiro mundial.

Em reuniões preparatórias para o G-20 em Londres, os EUA já haviam proposto um aumento de 5% na participação dos países emergentes na cota do FMI.

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“Esta é uma mudança necessária. Não acredito que exista alguém que não vê a necessidade de uma troca apropriada no balanço de representação nestas instituições”, afirmou o secretário do Tesouro norte-americano Timothy Geithner.

Nesta semana, a reunião do G-20 tem sido palco de discussões sobre o reequilíbrio da economia mundial, principalmente na questão de como rebalancear os pesos dos países no FMI e no Banco Mundial.