Outro fato de significância, a resistência da economia brasileira aos efeitos da crise financeira global foi uma das maiores em um ranking de 43 países organizado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). Segundo o estudo, o Brasil ficou em 12º lugar, à frente de economias mais desenvolvidas, como Reino Unido, Estados Unidos, França e Alemanha, e também de países emergentes, como Chile, Argentina, México e Rússia. O ranking analisou 21 variáveis conjunturais e comparou o desempenho de indicadores como nível de atividade e mercado de trabalho no primeiro trimestre deste ano, período de recessão, com os três primeiros meses de 2008. Enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) per capita dos 43 países do ranking recuou em média 1,6% no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado, o índice aumentou 0,3% no Brasil.
Para mantermos nossa felicidade, o CMN (Conselho Monetário Nacional) aprovou na noite da última quinta-feira mudanças nos limites dos fundos de pensão, elevando o potencial de recursos que podem ser direcionados a aplicações que não sejam de renda fixa. O CMN ampliou o limite de investimentos dos fundos em renda variável de 50% para 70% do patrimônio das instituições, o que abre espaço para uma migração de R$ 90 bilhões. A mudança pretende abrir espaço para que os fundos, que têm patrimônio de R$ 450 bilhões e hoje concentram seus investimentos em títulos públicos, elevem sua rentabilidade em meio ao cenário de queda de juros. Fica patente que tais recursos, carregados na direção da nossa bolsa, deverão manter a demanda bem acesa no ano atual e em 2010.
Além disso, os líderes mundiais prometeram manter as medidas de estímulo econômico até que a recuperação global esteja garantida e disseram que trabalharão juntos quando for o momento de retirá-las, afirmou o esboço do comunicado da reunião do G20, obtido pela Reuters nesta sexta-feira. O G20 também chegou a um acordo para adotar medidas para conter os excessos do setor financeiro que causaram a atual crise mundial, segundo o comunicado.
| “Caminho para investimentos externos no Brasil está livre” |
Para fecharmos com chave de ouro a boa sequência, na recente elevação para investment grade, diferentemente das outras notas dadas pelas demais agências, a perspectiva para as novas classificações mais benevolentes é positiva. O teto soberano do Brasil para dívida em moeda estrangeira também foi elevado de Baa3 para Baa2, e o teto soberano para depósitos bancários em moeda estrangeira subiu de Ba2 para Baa3. Tais ratings possuem perspectiva favorável também… portanto tal nota tem muito mais importância do que as outras dadas anteriormente e mostra que o caminho para investimentos externos no Brasil está definitivamente livre!
Finalmente, dentro de dois a no máximo três anos, o Ibovespa baterá a casa de 150 mil a 180 mil pontos. A projeção é do analista Didi Aguiar, da corretora de valores MyCAP. Segundo Didi, que é o mais renomado e polêmico grafista do Brasil, o otimismo vem do descolamento da bolsa brasileira do mercado internacional. Didi disse que o investidor não pode deixar de entrar no mercado acionário, pois as análises gráficas mostram que os preços das ações vão triplicar no médio e longo prazos.
Em suma, mesmo que tenhamos perda de força no curto prazo, fica óbvio agora que o nosso mercado está se preparando de forma bastante agressiva para montantes cada vez mais elevados de atuação do mundo globalizado. O Brasil sai da crise apto a mostrar serviço e a Bovespa vai continuar acesa pela fogueira do otimismo, pelo menos até o ano que vem…
Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.
gil.deschatre@infomoney.com.br