A vez do Brasil: bancos se preparam para implantar o suitability

Conceito prevê análise do perfil do investidor antes da aplicação e deve entrar em vigor em janeiro de 2010

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O Brasil conquistou uma estabilidade macroeconômica que permitiu ao cidadão pensar no longo prazo. E, agora, com a queda da taxa básica de juro, eles tendem a aplicar em renda variável, o que implica em mais risco. Para ajudar o brasileiro nesta decisão de investimento, os bancos já se preparam para implantar o conceito de suitability.

“O suitability é você fazer a avaliação do investidor para ver o nível de risco que ele pretende correr na hora de aplicar”, explicou o coordenador da Comissão de Distribuição de Produtos de Varejo da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento), Marcos Villanova, que também é do banco Bradesco.

O conceito já existe nos Estados Unidos e na Europa há tempos, tendo em vista o grau de investimento nestes países. Para se ter uma ideia, a média do aplicação em renda variável no Brasil é de 12%, enquanto que no restante do mundo ela chega a 50%.

Gestores preparados

No Brasil, o conceito de suitability começa a vigorar a partir de janeiro de 2010, quando os bancos devem estar preparados para aplicar os questionários para os investidores, para dar uma resposta sobre o percentual de risco que ele deve correr (por exemplo: 10% em renda variável) e também para armazenar estes dados junto ao sistema.

“Em um primeiro momento, a gente [Anbid] teve que desenhar o modelo. No segundo momento, os bancos se prepararam e, agora, preparam o sistema, que é o mais demorado e requer mais investimento dos bancos”, afirmou Villanova.

Além de preparar o sistema, os bancos ainda estão investindo nos gestores. De acordo com o coordenador da Anbid, as instituições estão treinando os profissionais para novos procedimentos, sendo que grande parte deles já possui as certificações necessárias para atuar com produtos financeiros.

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O suitability

O questionário deve começar a ser aplicado, em uma primeira etapa, para quem for investir em fundos de renda variável, multimercados e com título privado de crédito. Mas o investidor que quiser responder ao questionário também pode. Em nenhum dos casos, há custo para o aplicador.

“Esse processo não nasce e acaba no começo de janeiro. Ele vai amadurecendo. Isso é mais do que uma mudança no sistema, mas no comportamento. No início, se tiver fiscalização aos bancos, é mais instrutiva que punitiva”, explicou Villanova.