Para Credit Suisse, possibilidade de aumento da Selic em 2010 aumentou

Banco suíço aponta saúde da economia brasileira como motivo para acreditar em maior pressão inflacionária

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SÃO PAULO – Segundo o Credit Suisse, são três os possíveis cenários para a Selic em 2010: manutenção do atual nível, aperto gradual a partir do primeiro semestre do próximo ano e um arrocho de magnitude. O banco suíço reafirma sua crença na primeira possibilidade, mas alerta que a probabilidade de que o segundo cenário se concretize aumentou significantemente.

O motivo para este aumento seria a saúde da economia brasileira, que, caso consiga manter o atual nível de crescimento durante os primeiros trimestres do próximo ano, aumentaria a pressão inflacionária. Os analistas buscam embasamento no relatório do próprio Banco Central sobre a inflação.

Banco Central

Eles destacam a alteração do tom usado pela autoridade monetária, que se mostrou mais confiante em uma recuperação da economia nacional. O documento, indicam, apresentou sinais que confirmariam a consolidação da retomada consistente da atividade no País, a relativa estabilização da situação nos mercados de trabalho, o crescimento da oferta de crédito – tanto no âmbito privado quanto estatal -, e os sinais de recuperação do cenário externo.

Ademais, o Banco Central também evidenciou a existência de importantes mecanismos de resistência à queda da inflação no Brasil, que podem ser vistos no “comportamento dos preços dos serviços e de alguns itens da cesta básica”.

Estímulos fiscais

Porém, no entender do banco suíço, um dos principais destaques do documento foi a discussão de temas relativos à política fiscal, mais notadamente os estímulos fiscais, que, apesar de terem efeitos benéficos sobre a atividade econômica do País, podem acabar suscitando um aumento nos preços no futuro.

Conforme o Credit destaca do texto divulgado pela autoridade monetária, o risco associado à política fiscal poderá se fazer mais presente quando os efeitos defasados e cumulativos das medidas de flexibilização monetária e dos impulsos fiscais se somarem à maior utilização da capacidade instalada do País, incentivando a inflação.

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Expectativa

Contudo, apesar de estarem mais atentos à possibilidade de aumento da taxa de juro do País em 2010, os analistas reafirmam sua expectativa de manutenção da Selic em 8,75% ao ano até o fim de 2010.

O banco suíço dá preferência a esse cenário em função da sua projeção de desaceleração do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) no ano que vem frente à expansão do segundo trimestre de 2009, da perspectiva de retomada acelerada dos investimentos no próximo ano e de moderada elevação nos preços das commodities.