92% dos operadores de renda fixa esperam queda na Selic até novembro

Enquanto em maio 75% dos entrevistados acreditavam em uma Selic mais baixa já em agosto, hoje 95% esperam pela manutenção dos atuais 14,25% ao ano após a próxima reunião do Copom

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SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pela XP Investimentos com 130 operadores de renda fixa brasileiros e estrangeiros mostra que as expectativas para o início de um ciclo de redução na taxa básica de juros apontam cada vez mais para outubro ou novembro deste ano, um pouco mais tarde do que antes se apostava.

Enquanto em maio 75% dos entrevistados acreditavam em uma Selic mais baixa já em agosto, hoje 95% esperam pela manutenção dos atuais 14,25% ao ano após a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Nesse mesmo sentido, 56% esperam que o ciclo se inicie em outubro e 36%, em novembro. Apenas 5% esperam que o movimento fique para 2017.

O ingresso de uma equipe considerada mais “hawkish” no comando do Banco Central também levou os operadores ouvidos pela pesquisa a reavaliar a taxa de juros esperada para o fim do ano. Em maio, eram 50% os que projetavam a Selic abaixo de 13% — ou seja, em recuo total superior a 1,25 pontos percentuais nos próximos cinco meses.

Hoje, 29,92% acreditam que a taxa de juros terminará o ano a 13,52%, enquanto 55,13% esperam um nível ainda maior — entre 13,50% e até a manutenção nos atuais 14,25%. Menos de 10% dos entrevistados acredita em uma Selic abaixo dos 13,25%, sendo que a maior parcela desse grupo (3,94%) aposta em uma taxa de 10% ao final do ano.

Quando questionados sobre o ritmo em que o ciclo se iniciará, a maior parte (62%) dos operadores de renda fixa consultados disseram ver uma queda inicial de 0,5 ponto percentual na Selic. Outros 32% esperam por uma redução de 0,25 ponto na primeira reunião e 6% acreditam em um recuo mais drástico, de 0,75 ponto ou mais.

A nova equipe que assumiu as rédeas da política monetária brasileira tende a caminhar para um tom mais moderado após as sinalizações de rigidez recentes, avaliam os analistas da XP Investimentos. “Acreditamos que o balanço de riscos deve melhorar nas próximas reuniões, especialmente para outubro, após a decisão final do impeachment e o Relatório de Inflação, que deverá abrir caminho para o começo de um ciclo de flexibilização logo depois. Então, esperamos uma mudança no perfil hawkish atual do BC, embora gradualmente ao longo do tempo”, concluíram no relatório da pesquisa.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.