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SÃO PAULO – Mantendo a trajetória observada no último mês, agosto começou de forma favorável para os mercados espalhados pelo globo. Mesmo sofrendo pressão por um movimento de ajuste, as principais bolsas internacionais seguem beneficiadas pela divulgação de resultados corporativos e indicadores econômicos melhores que o esperado, garantindo assim certo otimismo quanto à possibilidade de continuidade dos ganhos no decorrer do oitavo mês de 2009.
Deste modo, em linha com o pensamento de boa parte dos investidores, os analistas acreditam ser bastante provável que a tendência positiva observada na renda variável ao longo do ano tenha sequência em agosto. No entanto, cabe ressaltar que a expectativa quase consensual entre eles é de que o caminho seja norteado por uma forte volatilidade, considerando que o espaço para ganhos diminuiu consideravelmente nos últimos meses.
Crise ainda pede postura cautelosa…
“A tendência de volatilidade tende a aumentar na medida em que novos patamares de preços sejam atingidos, suportados por um otimismo exagerado de que todas as questões estruturais foram equacionadas”, avalia a Ativa Corretora. Neste sentido, a instituição ainda afirma que o desempenho dos mercados estará condicionado à divulgação de indicadores no curto prazo, o que corrobora com a expectativa de aumento da instabilidade.
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“A agenda macroeconômica internacional para o mês de agosto mantém a expectativa de fortes emoções, com a continuidade de melhorias marginais nos indicadores”, destaca a corretora. Por outro lado, em meio à percepção cada vez mais clara de que o pior já passou e que a recuperação, em especial das economias desenvolvidas, será lenta e sujeita a tropeços, a instituição ressalta que os investidores deverão focar no longo prazo e aproveitar as fraquezas que se apresentarem no curto prazo para ajustar o portfólio.
Quem também prevê alguma volatilidade nos mercados em agosto é a equipe da Bradesco Corretora. “Se por um lado o impulso monetário global foi dando aos mercados acionários um aparentemente interminável combustível, essa recuperação parece um pouco frágil”, pondera a instituição, que ainda lembra que a alta do Ibovespa em julho (+6,41%) teve novamente forte contribuição dos investidores estrangeiros que buscam rentabilizar os seus recursos.
A corretora explica afirmando que, ao mesmo tempo em que os mercados têm sido impulsionados pelas políticas de aumento de liquidez em todo o mundo, não têm sido exibidos sinais da sustentabilidade deste cenário. Como exemplo, seus analistas lembram que apenas os rumores de que a China poderia interromper o seu enorme estímulo foram suficientes para abalar as bolsas no final de julho. “É difícil ir contra o fluxo, mas como analistas fundamentalistas temos que relembrar que a crise ainda não terminou”, alerta a equipe do Bradesco.
…mas recuperação deve continuar
À primeira vista, tais considerações podem parecer um tanto pessimistas. No entanto, ambas as instituições se mostram confiantes na capacidade de manutenção dos ganhos na bolsa brasileira. “Acreditamos em um mercado acionário para agosto com maior volatilidade, mas com condições de consolidar uma tendência de recuperação gradativa mirando 2010”, aposta a Ativa.
A corretora inclusive já acena com a possibilidade de revisar para cima seu preço-alvo para o Ibovespa no final de 2009, já que, considerando o cenário pessimista, o índice já atingiu o target de 55 mil pontos previsto no começo do ano. “Uma questão que certamente poderá motivar a revisão para cima é a consolidação de resultados melhores que os estimados”, afirmam os analistas. Assim, ao que tudo indica, o preço-alvo da Ativa para o Ibovespa deve migrar para o target do cenário otimista, de 61 mil pontos ao final do ano.
O Bradesco, por sua vez, destaca que, apesar de sua visão mais conservadora sobre a recuperação do crescimento econômico brasileiro – abaixo do consenso para 2009 – prefere histórias relacionadas com o mercado doméstico, pois acredita que o País deve continuar apresentando um desempenho melhor do que a maioria das economias mundiais nos próximos meses.
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No mesmo sentido, a Ativa continua com sua estratégia de privilegiar ativos voltados ao mercado interno, “que se beneficiam mais rapidamente da queda da taxa de juros”, mas também confirma que busca papéis atrasados em relação aos seus pares e ainda papéis defensivos com valor.
Mais previsões para o mês
Por falar em taxa de juros, a equipe do Bradesco lembra que a última ata do Copom (Comitê de Política Monetária) deu sinais mais claros de que a Selic não deve ser cortada novamente na próxima reunião, dada a incerteza dos efeitos sobre a economia. Além disso, a corretora acredita que a inflação doméstica deverá continuar em processo de desaceleração, contribuindo para uma redução das expectativas.
Já os especialistas da Ativa afirmam que, passado o impacto do último Copom e da estabilidade na Selic daqui pra frente, o destaque fica por conta de uma expectativa de piora no indicador de desemprego. “Quanto à inflação, nossa equipe espera o fim do período de quedas acentuadas para os índices gerais de preços, enquanto que para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) espera-se a manutenção da tendência de convergência para a meta”, diz a corretora.
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Por fim, no mercado de câmbio, o Bradesco diz haver razões para uma desvalorização do real, como um possível aumento da aversão pelo risco, o que fez seus economistas revisarem a paridade entre o dólar e o real para R$ 2,05/1 US$ no final de 2009. “A curto prazo, porém, vemos uma maior apreciação do real, dado o aparentemente interminável fluxo”, apostam os analistas da instituição.