Como a recomendação de compra de uma small cap fez a Usiminas subir 10% na Bolsa?

Se o ponto de inflexão na demanda por automóveis zero-quilômetro for verdadeiro, existe uma tendência forte de benefícios à Usiminas, que tem produção focada em aços planos, conforme pontua relatório do banco

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SÃO PAULO – Um call mais positivo feito pelos analistas do BTG Pactual para as ações da empresa de logística especializada em novos veículos Tegma (TGMA3, R$ 8,25, +1,48%) trouxe um efeito colateral sobre os papéis da siderúrgica Usiminas (USIM5, R$ 2,74, +10,04%). Na avaliação dos especialistas, a tendência é que o segmento de transporte de veículos apresente alguma recuperação após ter atingido o que eles acreditam ter sido o fundo do poço.

Se o ponto de inflexão na demanda por automóveis zero-quilômetro for verdadeiro, existe uma tendência forte de benefícios à Usiminas, que tem produção focada em aços planos, matéria-prima para a produção de carros, conforme pontuam os analistas do banco. “Usiminas é a mais exposta do setor, com 30/35% dos volumes vindo do setor automotivo”, escreveram em relatório enviado a clientes. A notícia levou as ações da small cap para alta de 7,01% na máxima do dia, a R$ 8,70, e a siderúrgica para ganhos de até 10,84%, a R$ 2,76. O volume financeiro movimentado com as ações USIM5 também chamou atenção, atingindo R$ 136,08 milhões, contra média diária de R$ 57,9 milhões dos últimos 21 pregões. 

As ações da Usiminas acumulam uma alta de 76% em 2016, o que a coloca no top-10 das mais valorizadas no período dentro do Ibovespa. Levando-se em consideração um prazo mais curto, os papéis subiram apresentaram valorização de 186,21% entre 18 de fevereiro e o fechamento de ontem.

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Mesmo assim, engana-se quem pensa que a companhia vive um bom momento na Bovespa. Imersa em problemas de endividamento e uma profunda disputa entre os controladores, a Usiminas acumula queda de 36,96% nos últimos doze meses, mesmo com a recente disparada. Levando-se em consideração um intervalo de dois anos, as perdas chegam a 70,22%, embora os recentes avanços em renegociações como no caso da dívida com bancos públicos e privados tenham inspirado otimismo recentemente.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.