Decisão de R$ 42 mi destrava “avalanche compradora” em small cap, que sobe 25% em 9 dias

A ação da Odontoprev vive um "rali sem fim" na Bolsa: há 9 dias, a ação não sabe o que é cair e renovou nesta sessão sua máxima histórica na Bolsa

Foto: Divulgação
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SÃO PAULO – As ações da OdontoPrev (ODPV3) não sabem o que é cair há 9 pregões. Desde o dia 15 de junho, os papéis da operadora de planos odontológicos sobem 25% na Bolsa e renovaram hoje sua máxima histórica. Neste pregão, os ativos encerraram em alta de 8,62%, a R$ 13,36. No radar da empresa, uma decisão judicial favorável à companhia que pode acarretar em dividendos maiores nos próximos trimestres.  

A euforia ocorre após a OdontoPrev informar no dia 20 de junho que a Bradesco Dental, que pertence atualmente à OdontoPrev, recebeu definitivamente uma decisão favorável do STJ (Supremo Tribunal de Justiça). A ação, movida pela Bradesco Dental, contestava o pagamento de uma alíquota de 20% de INSS sobre os serviços prestados pelos dentistas credenciados. 

Com a decisão, a OdontoPrev devolverá ao seu caixa no 2° trimestre os R$ 42,025 milhões que havia provisionado (em caso de perda da ação) no seu balanço do 1° trimestre. “Como a Odontoprev paga elevados dividendos, tem grande chance de que essa provisão que será transferida ao caixa seja convertida em dividendos e isso acabou puxando a disparada da ação”, disse a analista Giovana Scottini, da Eleven Financial. Para ela, não tem porque a empresa – que já possui um caixa confortável  – deixar esse montante parado. 

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Segundo ela, a empresa preferiu fazer o provisionado desse montante no 1° trimestre por um “conservadorismo de gestão com a obrigação legal”. “A empresa preferiu minimizar o risco de ter que pagar por algum vinculo empregatício ligado a sua rede de serviços. Era um passivo que representava cerca de 3% de sua receita”, disse. O montante referia-se à possibilidade de a empresa ter sua rede credenciada de dentistas equiparada a empregado CLT, que tem a incidência da alíquota de 20% de INSS sobre os serviços prestados pelos dentistas credenciados. 

Mais do que a reversão desse processo, a decisão retira a obrigação da companhia ter que fazer esse pagamento no futuro. A perspectiva ficou clara para o investidor, que dividendos maiores virão no futuro, disse Giovana. “Como a empresa já tem um caixa confortável e precisa de pouco investimento, já que é uma empresa de serviços, os dividendos maiores deverão aparecer lá na frente”, destacou a analista.

Em relatório da semana passada, o JPMorgan apontava expectativa de dividendos maiores para a companhia, podendo atingir em 2017 um dividend yield (dividendos sobre o preço da ação) em 2017 de 6%. O banco elevou o preço-alvo dos papéis para R$ 13,00. 

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Além da decisão judicial… 
Aliado a isso, operadores da mesa de BTC da XP Investimentos comentaram a possibilidade de um “short squeze” ter puxado esse rali. Segundo eles, está difícil alugar a ação desde a semana passada, com alguns “recalls” no mercado. Isto é, quando o “doador” do papel pede a devolução da ação emprestada, forçando os vendidos a zerarem sua posição. 

No mercado de “short position”, você precisa alugar a ação no BTC para depois vendê-lo ao mercado, para posteriormente comprar a ação e devolver ao locatário. No entanto, muitos investidores montam posições vendidas sem tomar o papel alugado (as famosas “vendas a seco”), e eles têm prazo de 2 pregões para tomar essa ação alugada no mercado ou então zerar essa posição (ou seja, comprar a ação).

No mercado de BTC (Banco de Títulos) da Bovespa, o aluguel das ações da Odontoprev disparou 43% desde o dia 15 de junho, batendo em 14.786.178 contratos na última sexta-feira (24) – máxima desde dezembro de 2015, segundo o site Dados da Bolsa.