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SÃO PAULO – Como comprometem os padrões de normalidade dos mercados, os períodos de crise costumam desafiar teorias antes tidas como consenso pelos agentes econômicos. Como esta crise partiu dos Estados Unidos, sua evolução acompanhou o fortalecimento da tese do descolamento, mas a desafiou.
O decoupling defende que países em desenvolvimento, principalmente os BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia), poderão continuar crescendo mesmo com todos os problemas da economia norte-americana. A manutenção dos elevados patamares de crescimento da China aparece como um dos principais argumentos desta hipótese.
Por outro lado, esses mercados sofreram tanto senão mais que o de países desenvolvidos e os indicadores mostraram que estas economias haviam sentido – e muito – o duro golpe da crise. A partir de outubro do ano passado, com os preços de ativos de companhias emergentes em mínimas históricas e produções dizimadas, começou a ganhar força outra hipótese, do recoupling – reacoplamento.
O outro lado
As variações da cotação do petróleo fornecem bom exemplo destas duas teorias. Enquanto a economia norte-americana já enfrentava sinais contundentes da crise, o petróleo insistia em renovar suas máximas, chegando a atingir US$ 145 por barril, mesmo na perspectiva de uma recessão da maior economia do mundo.
Mas quando os problemas apareceram de forma mais clara sobre o sistema financeiro internacional, a relativa tranquilidade que a possibilidade do decoupling fornecia ao mercado da commodity foi por água abaixo. Era, ao ver de Mohamed El-Erian, da Pimco, a fase de reacoplamento, o mercado percebendo as proporções globais da crise norte-americana.
A partir da maior estabilização do sistema financeiro, a tese do descolamento volta a ganhar adeptos. As economias emergentes aparecem como as de resposta mais rápida à crise. Para muitos, o fôlego chinês pode prover a força necessária para a recuperação do restante do mundo. El-Erian reconhece este fôlego, mas faz suas ressalvas.
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Ainda incapazes
Para o executivo da maior gestora de títulos do mundo, esta perspectiva em relação aos emergentes reflete condições financeiras sólidas, além da grande flexibilidade das políticas econômicas destes países.
Ainda assim, o argumento principal de El-Erian é que “mesmo que a contribuição das economias emergentes para o crescimento global continue a crescer, elas ainda não estão em posição de agir como locomotiva para os países industrializados”.
Bases transitórias
Isto porque suas bases de sustentação ainda são transitórias, como no exemplo da agressiva política de estímulos da China. “O crescimento dos emergentes não fará muito para aliviar o que rapidamente está se tornando o maior desafio para as economias industrializadas – alto e crescente desemprego combinado com o enfraquecimento dos salários”.
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Esse impasse entre hipóteses de descolamento e reacoplamento, para El-Erian, serve para ilustrar o quanto frágil os consensos de mercado podem ser.