Balanços do segundo trimestre devolvem visibilidade para varejistas

Ações antecipam retomada mais consistente no consumo prevista para o segundo semestre; há espaço para novas altas?

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SÃO PAULO – Os resultados do segundo trimestre de grandes empresas do setor varejista brasileiro, listadas na BM&F Bovespa, confirmaram a ideia de que o “fundo do poço” ficou em algum lugar nos três primeiros meses do ano. O desempenho forte dos papéis na bolsa em 2009 brinda a melhora no cenário.

Ao sacramentar essa hipótese, os números servem para restabelecer a visão das varejistas, antes míopes sobre o horizonte de vendas neste ano. Mesmo admitindo o período de abril a junho como sazonalmente positivo para o setor, em função das datas festivas, analistas veem fundamentos para justificar a alta das ações.

Apesar da valorização acentuada em julho, a equipe do Santander não alterou sua estratégia: continua sugerindo exposição “acima da média” às companhias brasileiras desse segmento, tanto pela resiliência das vendas do varejo no período de retração econômica, como pela expectativa de recuperação saudável em 2010.

Confiante, Marco Aurélio Barbosa, analista-chefe da Coinvalores, vê os ativos do setor antecipando um ambiente ainda mais favorável. “A retomada mais consistente no consumo eu acredito que ocorrerá no segundo semestre, principalmente no quarto trimestre, onde sazonalmente as vendas do varejo são maiores”.

Vigor sustentável?

Segundo Barbosa, em teleconferência dos demonstrativos trimestrais, todas as companhias comentaram que já observam melhora, não só devido à sazonalidade dos eventos do período, como Páscoa, Dia das Mães e Dia dos Namorados, mas também pelo desempenho positivo das vendas fora das datas comemorativas.

Desempenho em 2009
Empresa Código Preço (11/8) Variação
B2W Varejo BTOW3 R$ 48,00 +103%
Lojas Renner LREN3 R$ 29,30 +87%
Lojas Americanas LAME4 R$ 11,50 +84%
Pão de Açúcar PCAR5 R$ 45,50 +48%

Há quem veja, contudo, certo exagero na direção de alguns papéis. O Credit Suisse, por exemplo, acredita que os investidores deveriam reduzir um pouco a exposição a algumas ações, tendo em vista o rali recente. O banco é criterioso com as perspectivas para B2W Varejo – resultante da fusão entre Submarino e Americanas.com -, Lojas Americanas, Lojas Renner e Pão de Açúcar.

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No caso dos dois primeiros, houve o efeito do IPI reduzido (imposto sobre produtos industrializados), que elevou a venda de produtos de bens com maior valor agregado, da linha branca. Mas os analistas preferem uma recomendação neutra. “Alto custo de financiamento têm forçado a Lojas Americanas a desacelerar a abertura de lojas”, afirma em relatório a instituição suíça.

Mas o panorama está em vias de mudar. A Lojas Americanas está reforçando a retomada da expansão das lojas. “Ela já está visualizando um cenário bem melhor, tanto que neste ano ela vai abrir 14 lojas [ante dez lojas projetadas], mas para 2010 ela já vai inaugurar em torno de 47 a 50 lojas – um aumento bem expressivo”, acrescenta o analista da Coinvalores.

Perspectivas

Os resultados de Pão de Açúcar e Lojas Renner foram mais bem digeridos pelo Credit Suisse, que reiterou a aposta “acima da média” para as ações, sem abrir mão do argumento de reduzir levemente a exposição ao setor. De fato, o aumento da confiança do consumidor se traduziu em crescimento consistente das vendas em “mesmas lojas” (unidades em funcionamento há pelo menos um ano).

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Na próxima quinta-feira (13) será publicada a pesquisa mensal do comércio referente ao mês de junho. Segundo o analista Luciano Rostagno da CM Capital Markets, o incremento da confiança deverá dar impulso às vendas, evidenciando o vigor da demanda doméstica. Tomando como base o faturamento do comércio paulista, ele espera expansão na margem de 1% (com ajuste sazonal).