Aprovado o impeachment, Temer prepara o programa “Crescer” de emprego e renda

A aprovação do afastamento de Dilma ficou para hoje, mas as declarações de voto dos senadores davam ampla maioria para o sim. E Temer correu para fechar seu ministério e ter um programa de governo para apresentar hoje

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De olho na votação da admissibilidade do impeachment no Senado, o vice Michel Temer passou o dia no Palácio do Jaburu fechando os últimos detalhes para assumir nesta quinta-feira ainda e mostrar um esboço o mais nítido possível de seu governo. Temer deverá apresentá-lo em discurso ou entrevista coletiva logo após ocupar a cadeira presidencial.

Em uma linha, a escalação dos auxiliares, o vice-presidente, continuou aparando arestas partidárias (e outras arestas que surgiram no meio do caminho por avidez dos partidários). Um exemplo de última geração foi o caso do Ministério da Defesa.

Insatisfeito por não ter sido apontado para nenhum ministério, o PMDB de Minas Gerais ameaçou se rebelar e Temer acenou para essa turma com o Ministério da Defesa para o deputado Newton Cardoso Jr. Os comandantes militares não gostaram nada da história e o vice teve de voltar atrás, optando por Raul Jungman, antes cogitado para o lugar, do PPS de Pernambuco, político de extração de esquerda e ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso.

Forçado a fazer algumas acomodações para não perder aliados, Temer conseguir assumir com um ministério mais magro, mas também ainda com algumas “esquisitices”, como classificava ontem um de seus auxiliares. Por “esquisitices” entenda-se a entrega de ministérios a pessoas com pouca afinidade com a área. O caso, por exemplo, do do Desenvolvimento, que chegou a entrar na lista do extintos e agora vai para o pastor Marcos Pereira, do PRB. Pereira quase virou ministro da Ciência e Tecnologia – não foi por causa da cara torcida da comunidade científica. 

Com as disputas que teve de arbitrar mais o corte de cargos, Temer terá no Congresso, segundo cálculo de alguns especialistas, uma base menos ampla que pretendia. E terá que lidar com um número maior de “indecisos de ocasião”. Temer queria ter apoio garantido (sempre em tese) até para aprovar emendas constitucionais – 3/5 de votos. Terá seguros cerca de 300, ainda assim sujeitos a chuvas e trovoadas.

Crescer, o programa de

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Emprego e renda de Temer

Na equipe econômica, aguardada com expectativa, confirmou-se que o ex-diretor do Banco Central e atual diretor do departamento econômico do Itaú, Ilan Glldfagn, será o presidente da instituição. A indicação foi muito bem recebida. Em seus últimos comunicados Ilan tem previsto que a taxa básica de juros, atualmente em 14,25%, estará em 12,5% do fim do ano. Da equipe de Meirelles fariam parte ainda Mansueto Almeida (economista do Ipea) para a Secretaria do Tesouro, e Carlos Hamilton (ex-BC) para a Secretaria-Executiva.

A respeito do programa de governo, informa “O Estado de S. Paulo” que o vive vai anunciar em linhas gerais o “Crescer”, Programa Geral de Crescimento, Emprego e Renda. O crescimento previsto será sustentado, prevê-se, nas privatizações, concessões e Parcerias Público Privadas, área que ficará sob a responsabilidade do assessor especial Moreira Franco, dos mais próximos auxiliares de Temer. O “Crescer” será o “PAC” de Temer. Rótulo o governo já tem.

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Na fala de hoje, em que pese a exacerbação do ambiente político nas últimas semanas, Temer vai adotar um tom conciliador e, como disse ao jornal, proporá a “pacificação e unidade do país”. Pelo menos nesse primeiro momento, não encontrará eco nem na presidente Dilma Rousseff, nem no ex-presidente Lula nem no PT, todos profundamente magoados com o desfecho de todo esse episódio.

Dilma vai continuar também tentando anular o impeachment via Supremo Tribunal Federal, em que pese o ministro Teori Zavascki ter negado ontem mais uma representação do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo. No despacho, Teori diz que Supremo não deve discutir sobre mérito.

Dilma sai do Palácio do Planalto (afastada inicialmente por um prazo máximo de 180 dias) dispostas a brigar com todas as armas possíveis para voltar ao  cargo ao fim do julgamento definitivo no Senado. E desse projeto faz parte o propósito de criar dificuldades para tentar inviabilizar o governo interino de Temer. Dilma, Lula e o PT apostam no fracasso do vice (como relatado com mais detalhes no “Primeiras” de ontem). E vão fazer de tudo para que isso ocorra, com a ajuda dos sindicatos fieis e dos movimentos sociais. 

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Outros destaques dos

jornais do dia

– “Varejo tem o pior trimestre desde 2001” (Estado/Globo/Folha/Valor)

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– “Com vendas em queda, montadoras tentam rever benefícios de empregados” (Estado)

– “Gilmar Mendes autoriza inquérito contra Aécio por Furnas” (Estado/Globo/Folha)

– “Dilma regulamenta Marco Civil da Internet” (Estado)

– “Ministro do STF levará denúncia contra Renan para o plenário” (Estado)

– “STF determina a abertura do sexto inquérito contra Cunha” (Globo)

– “Eletrobras tem prejuízo de R$ 3,9 bilhões no primeiro tri de 2016” (Globo)

– “Moratória da dívida estadual ganha adesões e pode se tornar problema para nova gestão” (Valor)

LEITURAS RECOMENDADAS

1.       Eugenio Bucci – “De como a política seleciona os piores” (diz que a dinâmica da política seleciona a mais baixa esperteza, a mais atroz incompetência) – Estado

2.       Janio de Freitas – “O momento crucial” (diz que Dilma traiu-se,traiu e perdeu o eleitorado, e perdeu apoio de um país menos desigual) – Folha