Derrocada das commodities: Usiminas desaba 8%, Petrobras afunda 6% e Vale cai 5%

Confira os destaques da Bovespa na sessão desta quinta-feira (19)

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Petrobras (PETR3, R$ 11,33, -5,66%; PETR4, R$ 8,80, -5,58%)
A ação da Petrobras afunda em dia movimentado no noticiário da estatal e na esteira da derrocada do petróleo no mercado internacional. O petróleo WTI (West Texas Intermediate) recua 2,32%, a US$ 47,07 o barril, enquanto o barril do Brent tem queda de 2,56% a US$ 49,47. 

Destaques ainda para o noticiário sobre mudanças na estatal. Conforme destaca o jornal Folha de S. Paulo, o nome mais cotado para substituir Aldemir Bendine, Pedro Parente, conversará hoje com o presidente interino Michel Temer para tratar do assunto. O Estado de S. Paulo informa que, Parente, caso seja convidado, deve avaliar a proposta, e sua  aceitação ou não depende dos planos que o presidente em exercício tem em mente para a estatal.

Já o Valor Econômico ressalta que Parente resiste ao convite para assumir o cargo, alegando questões pessoais. “Mencionou várias vezes que levou dez anos para se livrar de todos os processos herdados de sua passagem pelo setor público e que a família o pressiona a não aceitar. Atualmente, ele administra uma gestora de fortunas”, afirma o jornal.

Além disso, a ação da Petrobras foi rebaixada de market perform para underpeform pela Raymond James. Ainda no radar da companhia, a Odebrecht e outros estaleiros foram adicionados ao caso Petrobras nos EUA, em uma ação judicial de US$ 221 milhões por corrupção de uma empresa de investimentos. A EIG Management e oito de seus fundos afirmam que as empresas e a Petrobras os levaram a investir esse dinheiro na Sete Brasil, que pediu recuperação judicial. O processo revisado da EIG com as novas companhias foi registrado nesta quarta-feira em corte norte-americana em Washington e o caso havia sido inicialmente apresentado em fevereiro.

Vale (VALE3, R$ 14,20, -3,47%; VALE5, R$ 11,43, -4,51%)
O noticiário é bastante intenso para o setor de mineração. Nesta quinta-feira, ocorreu na Ásia uma conferência de minério de ferro e o humor segue bastante negativo, destaca o BTG Pactual, em linha com a visão do banco de que o rali recente não é sustentável. Além disso, o dia foi de forte baixa para o minério de ferro, com a commodity negociada em Qingdao despencando 5,83%, aos US$ 53,47 a tonelada métrica.

As siderúrgicas também têm um dia de baixa, com a Gerdau (GGBR4, R$ 5,70, -3,552%), Usiminas (USIM5, R$ 1,86, -8,37%) e CSN (CSNA3, R$ 7,50, -3,97%) em forte queda. No radar da CSN, segundo o Valor Econômico, por meio de cautelar, o Tribunal de Contas da União (TCU) proibiu novos repasses de recursos públicos à Transnordestina, que pertence à siderúrgica. As justificativas para a decisão são inúmeras, mas a origem dos problemas é bem definida: a obra começou a ser executada com projetos precários e farto financiamento público, diz o TCU.

Eletrobras (ELET3, R$ 6,85, -1,44%; ELET6, R$ 11,42, -2,81%)
A Eletrobras tem um novo dia de baixa de olho no “imbróglio” nos EUA e nas perspectivas de uma capitalização. Na semana, a baixa já é superior a 12%. A estatal informou que tem prazo de dez dias úteis para encaminhar preliminares de recurso que pretende apresentar contra a decisão da Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) de suspender a negociação dos papéis da companhia, que ocorreu a partir de quarta-feira. Os American Deposit Shares (ADS) poderão ser negociados no mercado “over the counter” a partir desta quinta-feira, disse em comunicado na noite da véspera.

A suspensão ocorreu porque a elétrica não entregou às autoridades dos Estados Unidos os formulários 20-F relativos aos exercícios sociais de 2014 e 2015 até o prazo de quarta-feira. O atraso se deve a investigações internas relativas a corrupção, que estão sendo conduzidas pelo escritório Hogan Lovells. Segundo fato relevante divulgado anteriormente pela companhia, elas ainda não estão substancialmente completas. A Eletrobras informou que pretende apresentar “todos os recursos cabíveis” contra a decisão. A companhia tem o prazo de dez dias para encaminhar as preliminares do recurso e manifestar se deseja fazer uma apresentação oral ao comitê do Conselho de Administração da Nyse. Para tanto deverá pagar taxa de 20 mil dólares.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o governo estuda capitalização de R$ 4 bilhões na Eletrobras. Os recursos serão usados para recompor caixa da estatal para fazer frente à provável fuga de investidores das ações da companhia após a suspensão das negociações com os papéis nos EUA. O valor ainda não está totalmente definido, mas as estimativas iniciais apontam que R$ 4 bilhões seriam suficientes. A capitalização pode ser feita em 2 meses, segundo o jornal. Ontem, uma fonte afirmou à Bloomberg que o Tesouro não tem espaço fiscal para tapar o rombo de R$ 47 bilhões na Eletrobras com deslistagem da bolsa de Nova York. 

Bancos
Além de acompanhar o cenário externo, que registra cautela em meio às perspectivas de uma alta dos juros nos EUA, os bancos têm queda também de olho no cenário interno. Segundo reportagem da revista Exame, a Operação Lava Jato mira o sistema financeiro como próximo alvo; todos os grandes bancos do Brasil serão citados e instados a pagar multa.

Procuradores elaboram relatório sobre todas as irregularidades executadas no sistema financeiro e praticadas por doleiros, executivos e funcionários envolvidos na Lava Jato e o MPF já listou operações de milhões de dólares em contratos de câmbio de exportações que nunca envolveram mercadorias, diz a reportagem. Nova frente não prevê, até o momento, operações de busca e apreensão.

As ações do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 30,16, -1,85%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 17,97, -1,05%), Bradesco (BBDC4, R$ 24,75, -1,67%) e as units do Santander Brasil (SANB11, R$ 17,75, -1%) registram queda. Ainda no radar do setor, destaque para a elevação da recomendação das ações do Itaú pelo Votorantim para outperform, enquanto foi reduzida para neutro pelo Bradesco BBI. 

Exportadoras
Em um dia de alta do dólar, com a divisa em alta superior a 1%, as ações das empresas exportadoras registram ganhos superiores a 1%, caso de Embraer (
EMBR3, R$ 19,35, +1,84%), Suzano (SUZB5, R$ 14,79, +1,79%) e Fibria (FIBR3, R$ 31,31, +1,49%)