Megainvestidor Luiz Barsi cita 3 motivos para comprar ações da Vale agora

Afastamento de Dilma Rousseff abre os olhos de um dos maiores investidores pessoa física da Bovespa para as ações da mineradora; para ele, os papéis da companhia estão "baratos"

Paula Barra

Publicidade

SÃO PAULO – A saída do PT do governo abriu os olhos de um dos maiores investidores pessoa física da Bovespa para as ações da Vale (VALE3; VALE5). Vendo uma situação mais favorável para a companhia com a troca de governo e uma recuperação do balanço da mineradora em 2016, Luiz Barsi disse, em documento divulgado nesta quarta-feira (25), que vê boa oportunidade de compra nas ações da companhia, mirando um possível retorno do pagamento de gordos dividendos.

O megainvestidor ficou bastante conhecido por fazer sua fortuna com ações consideradas boas pagadoras de dividendos. Vale destacar, porém, que no ano passado, a mineradora registrou um prejuízo de R$ 44,21 bilhões, o que acarretou no não pagamento de dividendos em 2016, um risco que segue para a companhia, apesar do lucro de R$ 6,31 bilhões registrados no primeiro trimestre deste ano.

Para Barsi, basicamente são três fatores que justificam a compra de ações da Vale: a mudança de governo, a volta dos dividendos, e o preço atual dos papéis. Segundo o megainvestidor, as ações da mineradora estariam “baratas”, olhando pelo indicador preço/patrimônio líquido, que está em 41%. O cálculo do indicador é feito pela divisão do patrimônio líquido/ação (a R$ 25,37) e o atual preço do papel (de R$ 10,50). “Seu patrimônio líquido, confrontando com o preço da ação, revela fundamento consistente que reforça a postura de compra”, comenta Barsi.

Continua depois da publicidade

Barsi lembra que, nos últimos 8 anos, a companhia pagou um total de R$ 12,9156 por ação entre juros sobre capital próprio e dividendos, uma média de R$ 1,6144 por ação. Quando fala-se em dividend yield (dividendos pagos divididos pelo preço da ação), a média dos últimos 8 anos é de 15,37%; 18,72% nos últimos 5 anos; e 14,86% nos últimos 3 anos. Isso, no entanto, mudou em 2015, “quando a empresa divulgou resultados desastrosos e o yield fixou-se em 9,28% (isoladamente)”, disse. 

Mas tendo em visto uma recuperação já vista no 1° trimestre, fruto da boa performance operacional, mesmo em um período conhecido sazonalmente mais fraco de vendas, e a saída do PT do governo, ele acredita que a companhia terá espaço para voltar a entregar bons resultados e, consequentemente, bons dividendos. Vale ter em mente, no entanto, que a companhia aprovou, em assembleia realizada em abril desse ano, o fim ao pagamento anual antecipado de dividendos mínimos, adequando-se à volatilidade de preços do minério de ferro. Em 2016, o dividendo mínimo proposto é zero.