Dólar como reserva de valor? Para Stiglitz talvez não mais, já que moeda traz alto risco

Para o Nobel de economia, o mundo precisa de novo sistema de reservas para compensar a perda de dominância da divisa

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SÃO PAULO – Com a crise que teve seu início no final de 2007, a economia global passou por diversos contratempos que levaram ao chão alguns dos pilares da teoria moderna, além de outros dogmas de mercado. Espelho disso, o prêmio Nobel de economia, Joseph Stiglitz, questiona o papel da moeda norte-americana como uma reserva de valor e pede a instauração de um novo sistema global.

Em uma conferencia realizada em Bancoc, capital da Tailândia, nesta sexta-feira (21), o economista e professor da universidade de Columbia afirmou que a característica do dólar como uma boa reserva de valor é “questionável” e que a divisa no momento oferece um alto grau de risco. “É necessário um novo sistema de reserva global”, ressaltou ele.

A moeda norte-americana já perdeu cerca de 12% do seu valor desde o início de março, quando comparada com um índice que compreende outras seis divisas, entre elas o euro e o iene. Com isso em mente, a China, maior detentora de reservas internacionais, e a Rússia têm clamado por um novo sistema que substitua o dólar como o padrão dominante.

“O sistema atual está em processo de desmoronamento”, disse Stiglitz. “O dólar não é uma boa reserva de valor. No momento, o dólar não está trazendo quase nenhum retorno e ainda todos aqueles que estão observando a moeda tem a dizer sobre o seu alto grau de risco”. Além disso, o Nobel afirmou que o suporte de países como a China pode assegurar discussões conscientes sobre a questão.

Bolhas especulativas e inflação

A crise econômica e as injeções bilionárias de capital no sistema financeiro internacional por parte dos governos dos Estados Unidos e Europa podem levar a criação de bolhas especulativas uma vez que as oportunidades de investimentos são limitadas, alertou o economista, que disse estar desconfiado da afirmação do Federal Reserve que iria enxugar a liquidez do sistema quando necessário.

O professor de Columbia também colocou na mesa a polêmica indagação que é alvo de diversas discussões atualmente: “à medida que o balanço do Fed explodiu, assim como o déficit dos EUA, e o endividamento aumentou, as pessoas fizeram a pergunta óbvia: existirá inflação no futuro?” Como resposta Stiglitz, é um pouco evasivo, mas deixa indícios de sua linha de pensamento. “No momento, nós estamos enfrentando deflação, mas em algum tempo no futuro existirão conseqüências”.

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Economia dos EUA

Em relação ao cenário para a economia norte-americana, o economista não divide o mesmo otimismo de outras autoridades, como o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, que disse na última quinta-feira que a recuperação econômica do país ainda está em seu estágio inicial. Para o Nobel, apesar do pior da recessão já ter ficado para trás, a possibilidade do desemprego ser maior nos próximos três anos tem sido muito grande.