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SÃO PAULO – A Nota do Setor Externo, revelada nesta terça-feira (25) pelo Banco Central, mostrou que a conta de transações correntes registrou déficit de US$ 1,665 bilhão em julho, acumulando em doze meses saldo negativo de US$ 17,9 bilhões. Tal resultado foi estabelecido em decorrência de um superávit pouco menor da balança comercial (US$ 3,0 bilhões), e às remessas de juros, sazonalmente mais altas.
Segundo os analistas da Rosenberg & Associados, o resultado ficou pouco melhor que o projetado por seus analistas, que antecipavam déficit de US$ 2 bilhões nas transações correntes no mês em questão. Para o ano, eles esperam déficit de US$ 12,2 bilhões, número inferior ao saldo negativo apurado em 2008, de US$ 28,3 bilhões.
Para os analistas, com a desaceleração da economia, a piora no saldo da balança comercial está sendo acompanhada por um recuo na corrente de comércio. “Desta forma, os serviços relacionados à corrente de comércio, como transportes e seguros, tenderão a ter déficits menores. (…) A entrada de capital no Brasil, que continua em patamares elevados, deverá gerar um resultado positivo para o balanço de pagamentos no ano, contribuindo para a manutenção de um real forte”, avaliaram.
Projeções
No mesmo sentido, a equipe da LCA Consultores projeta que o déficit em conta corrente feche 2009 em US$ 18 bilhões, ou 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Isto corresponderia, segundo os analistas, a um déficit de US$ 1,9 bilhão por mês até dezembro, contra US$ 1,2 bilhão da média apurada entre janeiro a julho deste ano.
De acordo com a LCA, a elevação esperada no déficit para os próximos meses está associada em boa parte ao desempenho projetado para a balança comercial até o final do ano, em função da retomada da atividade econômica interna e também de questões sazonais.
“Já para 2010 nossa projeção é de um aumento relevante do déficit em transações correntes, para US$ 33,4 bilhões (1,8% do PIB), puxado por uma deterioração do saldo da balança comercial (para US$ 15 bilhões no ano que vem) reflexo de um crescimento esperado para o PIB de 4,9%”, projetam os analistas.
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Investimentos
Os investimentos brasileiros diretos no exterior apresentaram saldo positivo de US$ 3,6 bilhões em julho, dando continuidade ao movimento já observado no mês anterior. Por sua vez, os investimentos estrangeiros diretos somaram ingressos líquidos de US$ 1,3 bilhão.
De acordo com os analistas da Rosenberg, o resultado do mês passado foi influenciado pela operação de abertura de capital da VisaNet, que foi de US$ 2,445 bilhões, e também pela retomada na confiança dos investidores internacionais.
Reservas e dívidas
No tocante às reservas internacionais, elas registraram saldo de US$ 211,9 bilhões em julho, no conceito liquidez, que incluem as linhas com recompra e as operações de empréstimo em moedas estrangeiras. No conceito caixa, as reservas internacionais cresceram US$ 5,9 bilhões no mês, atingindo US$ 207,4 bilhões. Já a dívida externa total estimada para o mês de julho atingiu US$ 195,9 bilhões.
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“As reservas internacionais deverão encerrar 2009 em US$ 215,8 bilhões, passando a US$ 232,2 bilhões no final de 2010. Já a dívida externa total deverá totalizar US$ 192,9 bilhões no final de dezembro deste ano, indo a US$ 197,2 bilhões no encerrar de 2010”, concluíram os analistas da LCA.