Parallaxis: Caged mostra que fôlego das empresas para evitar demissões terminou

''Em 2015, as companhias ainda tinham algum fôlego para manter sua folha de pagamento, mas isso se esgotou''
Maior nivel de emprego e renda pressiona demanda por serviços (Foto: Wikimedia Commons)
Maior nivel de emprego e renda pressiona demanda por serviços (Foto: Wikimedia Commons)

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O saldo líquido negativo de 118.776 postos de trabalho apontados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de março, o pior resultado para o mês desde 1992, quando começou a série histórica, mostra que as empresas estão “sem margem de manobra” para lidar com a recessão. Esta é a avaliação do economista da Parallaxis Consultoria, Rafael Leão. “Em 2015, as companhias ainda tinham algum fôlego para manter sua folha de pagamento, mas isso se esgotou na medida em que o empresário não vê perspectiva de aumento da demanda. Ao longo deste ano vamos ter intensificação desse quadro ruim”, disse.

O resultado de março não foi tão negativo quanto o previsto pela consultoria, que esperava fechamento de 136.600 vagas. “Eu estava mais pessimista, mas ainda assim o número é muito negativo”, afirmou. O que surpreendeu o economista foi o setor de serviços. “Eu previa corte ao redor de 36 mil, 37 mil postos”, disse. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), houve 18.654 desligamentos neste segmento. Por outro lado, o resultado geral (corte de 118.776 vagas) ficou pior do que apontava a mediana negativa de 95.000 postos encontrada na pesquisa realizada pelo AE Projeções com economistas.

Contudo, o economista alerta que a situação do emprego no setor de serviços tende a se agravar, na medida em que há sinais claros de impacto da recessão. “Já vemos, por exemplo, a inflação de serviços arrefecendo, como efeito da queda da demanda”, citou.

Leão não vê no curto e médio prazos um ponto de inflexão para o mercado de trabalho, que ainda deve sofrer pelo menos até o começo do ano que vem. “Antes de melhorar, vamos ter muita oscilação nos dados de emprego, com recuperação num mês e piora em outro. Somente no segundo trimestre de 2017 poderemos observar melhora marginal”, afirmou. Em seu cenário, o País deve ter fechamento de 1,5 milhão de postos de trabalho em 2016.

Ainda que as exportações tragam um viés de alívio, por exemplo, para o setor industrial, isso não será suficiente para frear o processo de deterioração no mercado de trabalho. “É difícil imaginar que o Brasil vai se tornar um grande mercado exportador. O mercado interno é que tem de melhorar. Só as exportações não vão conseguir trazer de volta o dinamismo. E, ainda, lá fora o panorama também não é tão animador”, avaliou.

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