HSBC avalia o setor de telecom e distribui sugestões para Vivo, TIM e Telemar

Banco espera queda no número de assinantes; porém, menor concorrência e transição para pós-pago podem trazer benefícios

Publicidade

SÃO PAULO – O HSBC revisou suas perspectivas em torno do setor de telecomunicações, mantendo as recomendações da Vivo (VIVO4) em “overweight” (acima da média do mercado) e da Telemar (TNLP4) em “neutral” (neutro). Já a TIM (TCSL4) viu a sugestão a seus papéis passar de “underweight” (abaixo da média) para “neutra”.

De acordo com a análise feita pelo banco, o crescimento no número de assinantes sofreu forte desaceleração durante a primeira metade deste ano, refletindo a maturidade em que se encontram os mercados da América Latina, assim como o impacto causado pela crise, o que fez as companhias do setor a mudarem sua forma de atuação.

Em virtude disso, a estratégia de adquirir o máximo de clientes, vista em 2008, foi trocada por uma postura mais seletiva na hora de obter novos usuários, o que faz a equipe de análise prever uma queda drástica no crescimento do número de assinantes nesta segunda metade do ano, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Porém, essa diminuição na expansão de clientes deve ter um impacto bem menor do que era esperado. “A abordagem mais contida resultará na reversão da diluição mecânica da ARPU (sigla em inglês para Receita Média por Usuário), causada até agora pela crescente tendência do uso de múltiplos cartões SIM”, acreditam os especialistas.

Melhores margens podem vir

Os analistas destacam a estabilização nos preços dos aparelhos celulares, o que, em conjunto com a estratégia mais conservadora na obtenção de novos assinantes, dá sinais claros de que a concorrência está menos acirrada do que aquela vista em 2008.

Outro ponto levantado pela análise de investimento do HSBC está no processo de transição das operadoras, que atualmente estão dando maior foco a clientes com planos pós-pagos. Segundo os analistas, essa medida visa aumentar a amplitude de possíveis alvos para os serviços de dados com tecnologia 3G, o que deve gerar melhores resultados no futuro.

Continua depois da publicidade

“Embora o maior amadurecimento do mercado de telefonia móvel na América Latina pressione as receitas, acreditamos que a diminuição na intensidade da concorrência e os gastos incrementais com dados 3G devam impulsionar benefícios que compensem para as receitas e margens da indústria”, avalia o banco.

Recomendações

A instituição deixa clara sua preferência pelos ativos da Vivo, “que tem sido mantida entre as principais recomendações nas empresas de telecomunicações na América Latina”. Mostrando apreço à estratégia mais comedida da companhia, os analistas destacam o fato das ações estarem sendo negociadas com desconto em relação às da TIM – empresa que o HSBC enxerga riscos operacionais muito maiores. O preço-alvo passou de R$ 51 para R$ 54 – upside de 25% frente a cotação de fechamento desta sexta-feira (28) – e a sugestão “overweight” foi mantida.

Já para a TIM, os planos de reestruturação criados no começo deste ano, após no final do ano passado ter substituído toda a sua diretoria, começou a surtir efeitos a partir deste segundo trimestre, quando puderam ser vistas discretas melhorias operacionais. Dessa maneira, sua recomendação foi elevada a “neutral” e seu preço-alvo passou de R$ 3,30 para R$ 4,30 – upside de 6%.

Continua depois da publicidade

Quanto à Telemar, o resultado trimestral não agradou. Contudo, ganhos de sinergia com a integração da Brasil Telecom e uma política mais agressiva de redução de custos podem tornar o investimento mais interessante. No entanto, a recomendação neutra foi mantida, com o preço-alvo reduzido de R$ 34,40 para R$ 30,00 – downside de 1,6%.

Companhia Preço-alvo Upside* Recomendação
Vivo R$ 54,00 25% Overweight
TIM R$ 4,30 6% Neutral
Telemar R$ 30,00 -1,6% Neutral

*Com base no fechamento do último dia 28 de agosto


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers