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SÃO PAULO – A temporada de resultados do 1° trimestre ofuscou nesta quinta-feira (28) o cenário político, que vinha pautando o humor dos investidores nas últimas sessões. Enquanto as ações da Vale subiram forte após balanço, Bradesco, Klabin e Natura afundaram após seus dados terem decepcionado o mercado. No setor de bancos, Itaú, BB e Santander acompanharam o movimento negativo.
Sobre a Vale, além do resultado acima do esperado, suas ações reagiram também à alta do minério de ferro na China, primeira após quatro pregões seguidos de quedas. As ações da Petrobras também subiram puxadas pelo petróleo, que marcava alta de mais de 2% nesta tarde no mercado internacional.
Chamou atenção também a forte queda das ações da BB Seguridade, após o Credit Suisse ter rebaixado sua recomendação de outperform (desempenho acima da média) para neutra, em meio à expectativa de resultado fraco esse ano.
Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:
Vale (VALE3, R$ 19,79, +1,75%; VALE5, R$ 15,55, +1,83%)
As ações da Vale amenizaram os ganhos na reta final de pregão, depois de terem subido 7% na máxima do dia, entre balanço do primeiro trimestre e alta do minério de ferro. Acompanharam o movimento os papéis da Bradespar (BRAP4, R$ 8,59, +4,12%) – holding que detém participação na mineradora.
A Vale teve lucro líquido R$ 6,311 bilhões no primeiro trimestre de 2016, superando estimativa de analistas e retornando ao lucro pela primeira vez em três trimestres, com a contribuição de uma recuperação dos preços do minério de ferro e da valorização do real frente ao dólar. No mesmo período de 2015, a empresa havia publicado um prejuízo líquido de R$ 9,538 bilhões.
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O primeiro trimestre foi classificado como “auspicioso” pelo diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da companhia, Luciano Siani, que acrescentou que o resultado foi “muito influenciado” pelo efeito da apreciação do real na dívida denominada em dólar. Ao longo do trimestre, a moeda dos EUA caiu de R$ 3,90 para R$ 3,56, lembrou o executivo.
Os preços do minério cresceram cerca de 25% nos três primeiros meses do ano e, combinados com taxas mais baixas de frete, contribuíram para aumentar margens e gerar caixa. No primeiro trimestre, o custo do minério entregue na China caiu para US$ 28 a tonelada, ante US$ 31 no último trimestre de 2015. Houve também uma redução das taxas de frete e recordes na produção de minério, níquel e cobre.
O analista Paul Gait, do Bernstein, ressaltou a geração de caixa, medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização –o Ebitda ajustado somou nos primeiros três meses R$ 7,685 bilhões, alta de 66% ante o mesmo período do ano passado. “Este é um bom resultado, impulsionado pela melhoria das margens Ebitda em grande parte no negócio de minério de ferro”, escreveu Gait, em uma nota a clientes.
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O analista do BTG Pactual Leonardo Correa afirmou em relatório que os resultados foram “muito fortes” e destacou que o Ebitda veio 41% acima de sua expectativa. “Em anos cobrindo Vale, nós não nos lembramos de subestimar resultados com uma margem tão ampla”, declarou. Para o analista do UBS Andreas Bokkenheuser, os resultados foram positivos e podem amparar revisões de estimativas para o ano, embora 2017 ainda tenha incertezas no horizonte. “O forte início de ano deve dar suporte a revisões para cima no consenso (de projeções). Mas à medida que os analistas continuam com visão baixista sobre o minério de ferro, é menos claro quanto rola para 2017”, afirmou Bokkenheuser.
O Credit Suisse destacou que a Vale entregou um trimestre bastante forte com resultado bem acima do consenso. Praticamente todas divisões conseguiram entregar uma boa performance operacional”, comentaram os analistas do banco suíço.
Em teleconferência com analistas nesta quinta-feira, o presidente da Vale, Murilo Ferreira, mostrou otimismo em relação aos preços do minério de ferro, com uma melhora do mercado na China e o fechamento de minas naquele país. “Minha percepção, a partir de observações com uma frequência bastante grande, é que o mercado físico está em uma posição bem melhor do que eu mesmo podia imaginar, se me fizessem uma pergunta em agosto e setembro do ano passado”, afirmou Ferreira.
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Hoje, o minério de ferro negociado em Qingdao registrou alta de 2,96%, a US$ 62,90, o que ajudou a repercutir positivamente para o desempenho dos ativos da companhia.
Siderúrgicas
Na contramão da Vale, os papéis das siderúrgicas tiveram forte queda hoje, com Usiminas (USIM5, R$ 2,46, -4,65%), Gerdau (GGBR4, R$ 7,76, -4,08%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 2,87, -2,05%). A exceção era a CSN (CSNA3), que mostrou leve alta de 0,08%, a R$ 12,96.
No radar, a assembleia de acionistas da Usiminas ampliou de 10 para 11 lugares o Conselho de Administração da companhia, que terá como presidente Elias Brito, candidato indicado pela Ternium, disseram à Reuters duas fontes próximas do assunto. O novo conselho da Usiminas passa a incluir dois conselheiros indicados pela rival CSN. A outra vaga de acionistas minoritários ficou com representante indicado pelo BTG Pactual, com apoio da massa falida do Banco Econômico, disseram as fontes, que pediram anonimato.
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Além disso, em encontro realizado com o vice-presidente, Michel Temer, nesta quinta-feira, o empresário Jorge Gerdau ressaltou o atual quadro de dificuldades enfrentado pelo setor de siderurgia. A reunião também foi acompanhada pelo presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil, Benjamin Baptista, e do presidente-Executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo. “Não falamos (sobre o lançamento de um pacote para a área econômica). Falamos mais do quadro da siderurgia, que é de dificuldades da demanda e exportação”, disse Gerdau na saída do encontro com o vice-presidente.
Bradesco (BBDC4, R$ 26,22, -2,05%)
Depois do susto inicial, as ações do Bradesco ganharam fôlego, mas ainda fecharam em queda. Na mínima do dia, os papéis chegaram a cair 4,33%, a R$ 25,61. Os demais bancos seguiram o movimento e caíram hoje: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 33,37, -0,68%), e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 21,75, -2,47%). A exceção foi o Santander (SANB11, R$ 18,10, +1,63%), que divulgou balanço na véspera.
O Bradesco mostrou um lucro ajustado de R$ 4,113 bilhões no primeiro trimestre, queda de 3,8% ante mesma etapa de 2015. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters para esta linha no período era de R$ 4,3 bilhões. O lucro líquido contábil do Bradesco ficou em R$ 4,121 bilhões entre janeiro e março, queda de 2,9% sobre igual período do ano passado.
Durante teleconferência nesta manhã, Luiz Carlos Angelotti, diretor gerente e de relações com investidores do Bradesco, disse que inadimplência deve crescer até o fim do ano, quando pode se estabilizar; a partir de 2018, ela pode voltar a cair. Durante o 1° trimestre, o Índice de Inadimplência superior a 90 dias ficou em 4,2%, 0,6 ponto percentual acima dos 3,6% do mesmo período do ano anterior. Segundo o gestor Mário Avelar, da Avantgarde Capital, o mercado parece ter gostado do que foi dito durante a teleconferência, principalmente na apresentação de guidance para 2018, em que o banco disse que espera redução na inadimplência, que subiu sensivelmente no último trimestre.
No trimestre, o PDD (provisão para devedores duvidosos) do banco aumentou em 52,2% na comparação anual, atingindo R$ 5,448 milhões. Se não fosse um corporate específico (que impactou as provisões em R$ 836 milhões), teria sido de R$ 4,612 milhões. Segundo Angelotti, esse evento específico está relacionado a uma empresa do setor de óleo e gás, mas que não pode citar nomes. Ele disse, no entanto, que isso não deve se repetir.
A carteira de crédito expandida do Bradesco ficou praticamente estável, a R$ 463,208 bilhões. As operações com pessoas físicas subiram 4%, totalizando R$ 147,759 bilhões e com pessoas jurídicas caíram 1,8%, a R$ 315,449 bilhões.
O crescimento das despesas com provisão também refletiu elevação da inadimplência no trimestre, decorrente, principalmente, da desaceleração da atividade econômica. Em relação ao ambiente macroeconômico, “incertezas políticas e o enfraquecimento da atividade econômica continuaram dificultando o ajuste fiscal em curso no curto prazo”.
“Em suma, o aumento das despesas com PDD, devido ao risco de inadimplência no segmento corporativo, foi negativo. Pelo lado positivo, houve redução das despesas administrativas, além do incremento da margem financeira de juros, porém, com a piora econômica, o resultado acabou sendo impactado negativamente”, avalia a XP Investimentos.
Telefônica Brasil (VIVT4, R$ 42,41, -1,37%)
A Telefônica virou para queda nesta tarde. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,2 bilhão no primeiro trimestre, 179% maior que em igual período do ano passado. O Ebitda (lucro sobre juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) recorrente atingiu R$ 3,27 bilhões, alta de 7% no período, e a margem Ebitda recorrente cresceu 1,9 ponto percentual, para 31,4%. “É o maior Ebitda na história da Vivo”, disse Amos Genish, presidente da companhia.
O desempenho foi impactado em parte pela venda de 1.655 torres, por R$ 760 milhões, para a Telxius, nova empresa de infraestrutura do grupo espanhol. Mesmo excluindo as torres, o lucro cresce duas vezes, chegando a R$ 879 milhões, pelo Ebitda maior, aumento da eficiência financeira, afirmou Plaster.
Os analistas do BTG Pactual destacaram que os números da companhia vieram sólidos novamente, mesmo em um ambiente bastante desafiador, o que reforça a recomendação de compra para os ativos que, na avaliação do banco, seguem baratos. A companhia é a top pick do setor na região. Sobre o balanço, destaque para o crescimento do Ebitda.
Natura (NATU3, R$ 26,20, -6,09%)
A Natura viu suas ações caírem até 7% após o resultado. “A companhia reportou o pior resultado que nós podemos lembrar”, destaca o Credit Suisse em relatório.
A companhia teve geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 217 milhões no período, queda de 24,1% sobre os três primeiros meses do ano passado. A margem Ebitda caiu 4,6 pontos percentuais, a 12,8%. Além da piora no resultado operacional, o prejuízo teve impacto do aumento de provisão para compra da parcela restante da australiana Aesop, pela marcação a mercado do hedge das dívidas em moeda estrangeira e outros fatores ligados ao câmbio.
“As operações no Brasil são o principal problema, enquanto que o internacional e Aesop estão crescendo forte. Alem da piora macro no mercado local, a companhia tambem está sofrendo com a competição. O management está no caminho certo ao focar em diversas iniciativas como revitalizar as vendas diretas, mudanca em marketing, racionalização do portfólio, parcerias com farmácias e entrando no varejo; no entanto, n]ao esperamos colher os frutos dessas estrategias no curto prazo. Mantemos o rating de underperform”, ressalta o Credit.
TIM (TIMP3, R$ 7,70, -2,16%)
Flavio Cattaneo, presidente da Telecom Italia, que é dona da TIM, está preocupado com a situação do Brasil, disse Michele Azzola, secretário nacional do sindicato de trabalhadores de telecomunicações SLC-Cgil, em entrevista por telefone à Bloomberg. O líder sindical disse que Cattaneo quer que a Telecom Italia tenha controle directo sobre a gestão da Tim Participações porque a situação no Brasil é “grave e complexa”.
Oi (OIBR4, R$ 1,07, +4,90%)
As ações da Oi dispararam 9,80% nesta manhã, a R$ 1,12, indo para a máxima do dia, após queda de 5% ontem depois de ter tido rating rebaixado pela Standard & Poor’s, indo de “CCC” para “CCC-“. O rebaixamento ocorreu após empresa anunciar que chegou a acordo para Moelis & Co. para atuar como consultor de um grupo de credores e tornar reestruturação de dívida provável.
BB Seguridade (BBSE3, R$ 29,95, -4,34%)
As ações da BB Seguridade caíram após a companhia ter sua recomendação reduzida para neutra pelo Credit Suisse. Para os analistas, a fase de maior crescimento está ficando pra trás, principalmente por acreditar que a realidade de uma penetração maior na base de produtos de seguro deixa a companhia mais exposta a flutuações da economia e que a empresa pode pela primeira vez não entregar o lucro dentro do guidance (8-12% de crescimento para 2016). “Os dados da Susep indicam que os números dos próximos meses podem ser mais fracos e mostram que os dados financeiros tem ganhado bastante importante nos lucros da empresa”, afirmam os analistas.
Klabin (KLBN11, R$ 18,02, -3,74%)
Apesar do balanço forte do 1° trimestre, a Klabin registrou forte queda na Bolsa, seguindo o mau humor do mercado e queda do dólar frente ao real. Os demais papéis do setor Fibria (FIBR3, R$ 31,16, -4,51%) e Suzano (SUZB5, R$ 13,57, -3,42%) também caíram hoje. Ontem, essas duas empresas divulgaram balanços: enquanto Fibria mostrou dados fracos, o balanço da Suzano foi bem recebido pelo mercado.
Hoje, foi a vez da Klabin, que mostrou lucro líquido de R$ 1,07 bilhão no primeiro trimestre, ante perda de R$ 729 milhões apurada no mesmo período de 2015. A receita líquida avançou 11,8%, para R$ 1,46 bilhão, com estabilidade nas vendas domésticas e alta de 13% nas vendas externas em volume. Segundo o BTG Pactual, o resultado veio forte como o esperado, com a alavancagem mostrando ligeiro declínio. Os analistas do banco mantiveram recomendação neutra para o papel.
JBS (JBSS3, R$ 9,17, -0,33%)
As ações da JBS viraram para baixa, após alta de 3,59% (a R$ 9,53) na máxima do dia, pressionadas pela queda do dólar frente ao real, que ofuscou o otimismo inicial do mercado que reagia ao bom resultado de sua subsidiária nos EUA, a Pilgrims. A companhia brasileira reportará seu balanço no dia 12 de maio.
“Se a JBS depender do resultado da sua subsidiária nos EUA,o resultado pode surpreender pra cima. A empresa conseguiu entregar uma recuperação significativa no Ebitda que saiu de US% 150 milhões no quarto trimestre de 2015 para US$ 234 milhões no primeiro trimestre de 2016. Além disto, a empresa entregou uma geração de caixa neste trimestre de US$ 136 milhões e anunciou um dividendo de US$ 700 milhões que irá ajudar no caixa consolidado da JBS”, destaca o Credit Suisse.
Odontoprev (ODPV3, R$ 11,00, -6,92%)
A companhia de planos odontológicos OdontoPrev viu suas ações afundarem após números fracos do primeiro trimestre e com a mudança na gestão. A empresa registrou lucro líquido de R$ 68,8 milhões no primeiro trimestre, num avanço de 1,4% em relação a igual período de 2015. A receita líquida somou R$ 329,7 milhões de janeiro a março, avanço de 9,1% na comparação anual. O tíquete médio cresceu 7,8%, para R$ 17,95, refletindo o reajuste de contratos corporativos e a mudança de mix no período. O Ebitda ficou em R$ 98,4 milhões, alta de 1,3%. Em base ajustado, o Ebitda cresceu 5,1%, a R$ 87,8 milhões. A companhia também anunciou o pagamento de R$ 43,1 milhões em dividendos, correspondentes a R$ 0,0816 por ação. O pagamento será em 3 de junho, com base na posição acionária nesta quarta-feira, e as ações serão negociadas “ex-dividendos” a partir de 28 de abril.
Além disso, a companhia informou que em Reunião do Conselho de Administração da Companhia realizada na véspera, foi registrado o recebimento da carta de renúncia de Mauro Silvério Figueiredo, ao cargo de Diretor Presidente da Companhia, e foi eleito para o cargo Rodrigo Bacellar. As alterações passam a ter eficácia em 1º de junho de 2016.
Para o BTG Pactual, os números operacionais preocupantes mais a mudança do CEO (Chief Executive Officer) ligam o sinal de alerta para a empresa. Os números vieram fracos, apontam os analistas, e abaixo das expectativas. Sobre a mudança do CEO, a princípio, parece negativa, uma vez que Figueiredo tinha uma vasta experiência no setor: “sua saída claramente aumenta os riscos de execução, especialmente no ambiente atual”. “A Odontoprev permanece altamente exposta a condições mais fracas do mercado de trabalho, e está lutando para entregar o crescimento esperado que justifique o valor atual dos ativos”, destacam os analistas.
Duratex (DTEX3, R$ 8,00, -2,08%)
A companhia de insumos para construção civil Duratex viu suas ações caírem após o balanço do primeiro trimestre. A companhia teve prejuízo de R$ 29,56 milhões no primeiro trimestre, revertendo resultado positivo de R$ 68,47 milhões um ano antes.
A companhia divulgou nesta quinta-feira Ebitda de R$ 146,55 milhões para o período, queda de 43,2% na comparação anual.
Multiplan (MULT3, R$ 58,37, +0,12%)
As ações da administradora de shopping centers Multiplan viraram para alta hoje após a companhia ter lucro líquido de R$ 70,1 milhões no primeiro trimestre, praticamente estável ante o mesmo período um ano antes, informou a companhia. O aumento das receitas de serviços (34,3%) e estacionamento (9,4%) compensaram o recuo de 65,2% da receita de venda de imóveis e de 9,4% no resultado financeiro, disse a companhia em seu relatório de resultados.
O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) subiu 2,6% na mesma base de comparação, a R$ 198,8 milhões. A receita líquida total subiu 5,3% ano a ano e encerrou o trimestre em R$ 278,8 milhões.
Os lojistas dos shopping centers da Multiplan registraram vendas de R$ 3 bilhões entre janeiro e março, alta anual de 3,1%. “Este é mais um aumento consecutivo de vendas, apesar do cenário macro desafiador que afeta o desempenho do varejo no país”, disse a empresa no balanço. Porém, as vendas mesmas lojas da Multiplan cresceram 1,6% no período ante expansão de 4,3% no primeiro trimestre de 2015. Já a taxa de ocupação foi de 97,9% ao final de março, abaixo dos 98,6% registrados um ano antes.
De acordo com o BTG Pactual, os números seguiram as expectativas do lucro líquido à receita líquida. “Nós não esperamos que os resultados do primeiro trimestre seja um gatilho para a ação”, avaliam os analistas, que mantém o papel como top pick do setor.
Em teleconferência, a Multiplan avaliou com “muito otimismo” as perspectivas para o próximo semestre, sobretudo pelo fator político macroeconômico, enquanto espera que uma reversão do cenário atual traga a retomada de projetos e expansões. “Temos em andamento vários projetos para realizar. A nossa expectativa é que a economia comece a reagir em breve, criando um ambiente propício para nossos projetos, que estão em condições de serem imediatamente comercializados”, afirmou o diretor-presidente da companhia, José Isaac Peres, durante o evento.
Kroton (KROT3, R$ 12,71, +0,87%)
A Kroton Educacional informou que a captação de alunos na graduação presencial caiu 9% no primeiro trimestre sobre um ano antes, enquanto a base de estudantes nesse segmento ficou praticamente estável, a cerca de 437 mil alunos ao final do processo seletivo.
Na modalidade de ensino a distância (EAD), a captação, as rematrículas e a base de alunos cresceram, cada um, 1% contra os três primeiros meses do ano passado.
Via Varejo (VVAR11, R$ 6,22, -8,53%)
Depois de manhã positiva, a unit da Via Varejo virou para forte queda. No radar, a rede de varejo de eletromésticos e móveis do Grupo Pão de Açúcar afirmou nesta quinta-feira que está estudando com a Cnova uma combinação dos negócios de comércio eletrônico da Cnova no Brasil com suas operações. A Cnova, do grupo Casino, opera sites de varejo em vários países incluindo os das bandeiras Ponto Frio, Casas Bahia e Extra no Brasil.
Hypermarcas (HYPE3, R$ 30,11, +2,55%)
A empresa de produtos farmacêuticos Hypermarcas avalia que o segundo trimestre pode marcar uma tendência de recuperação de suas margens de lucro, apoiada em reajustes de preços de cerca de 12% a partir de abril. O presidente-executivo da companhia, Claudio Bergamo, ponderou, contudo, que o período também é marcado pelo impacto de dissídio trabalhista na empresa, “que está vindo da ordem de 10%”.
A companhia divulgou lucro líquido de R$ 1 bilhão para o primeiro trimestre, em resultado apoiado pela conclusão da venda do braço de cosméticos para a Coty. A margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), porém, caiu 0,3 ponto percentual, para 37,5%.
Bergamo comentou que a Hypermarcas vai analisar nos próximos dois trimestres os efeitos do reajuste de preços de abril no volume de vendas, que pode recuar diante do cenário restritivo enfrentado pelos consumidores. “Vamos ter de ficar alertas nos próximos dois trimestres para vermos se os novos patamares de crescimento (de vendas) se estabilizam”, disse o executivo em conferência com analistas nesta quinta-feira.
Segundo ele, fortes reajustes de preços ocorridos na indústria de fraldas desde o ano passado deixaram potenciais interessados na divisão da empresa inseguros de continuarem avaliando uma aquisição. Porém, o presidente da Hypermarcas espera que uma potencial venda da divisão de fraldas ocorra dentro de um ano, após a estabilização das operações em uma unidade separada.
Em outubro passado, a Reuters publicou citando fonte que a Hypermarcas havia contratado Citigroup, Bank of America Merrill Lynch e Bradesco BBI para encontrar alternativas para a unidade de fraldas. Além da Kimberly-Clark, a Hypermarcas ofereceu a unidade a um grupo de empresas que inclui a chilena Empresas CMPC, a Procter & Gamble e a Svenska Cellulosa. Inicialmente, a Hypermarcas pretendia levantar cerca de 1,5 bilhão de reais com a venda da unidade.
Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,16, -0,33%)
As distribuidoras de energia do grupo norte-americano AES no Brasil, Eletropaulo e AES Sul, não participarão do leilão A-5 agendado para sexta-feira porque já enfrentam sobras de eletricidade contratada devido à crise, que tem reduzido fortemente o consumo, afirmou a jornalistas nesta quinta-feira o presidente da AES Brasil, Julian Nebreda.
Segundo ele, a AES Eletropaulo deverá ver neste ano uma queda de cerca de 5 por cento no consumo em sua área de concessão, nível semelhante à retração de 4,7 por cento observada em 2015. Nesse cenário, a distribuidora, que atende a região metropolitana de São Paulo, tem atualmente contratos de compra de energia equivalentes a 112 por cento da demanda dos consumidores, o que gera riscos de pesadas perdas financeiras.
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