Publicidade
SÃO PAULO – Em mais um capítulo da novela acerca do pagamento de dividendos retidos nas décadas de 1970 e 1980, o presidente da Eletrobrás, José Antônio Muniz, declarou que a resolução da questão não está tão perto quanto os acionistas imaginam.
Segundo ele, a liquidação desse passivo está atrelada a outras decisões, principalmente quanto à contribuição da estatal para o superávit primário, atualmente estabelecida em R$ 1,6 bilhão. Além disso, a questão envolve ainda a União e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
As declarações foram dadas na última quinta-feira (2), durante um evento realizado em São Paulo. Cabe lembrar que no último dia 29, o mesmo Muniz havia informado que a empresa deveria pagar os dividendos no prazo de até um ano, coincidindo com o período final de seu mandato na Eletrobrás.
Impactos neutros
Para a Ativa Corretora, as afirmações de Muniz não devem ter impacto significativo nas ações. “A declaração do presidente da Eletrobrás é um movimento derivado da dinâmica política do setor elétrico. A declaração é uma estratégia de diálogo com o governo federal e a sociedade”, avaliou a instituição.
A equipe da Ativa acresentou ainda que sua “percepção com relação ao pagamento de dividendos muda pouco com relação à declaração ainda que a persistência de um cenário de silêncio do governo com relação ao tema poderá mudar nossa percepção a respeito do tema”.
Celpa
Mais importantes, na percepção dos analistas, foram as declarações de Muniz acerca de um possível aumento da participação acionária da Eletrobrás na Celpa. Atualmente, a empresa detém uma fatia de 34,24% no capital da distribuidora, cujo controle fica com a Rede Energia, com participação de 61,37%. De acordo com o presidente da estatal, “a empresa está preocupada com o atendimento no Pará”, onde a Celpa atua.
Continua depois da publicidade
Em relação à eventual federalização da Celpa, a Ativa vê impactos marginalmente negativos. “Temos uma visão negativa em relação à atuação da Eletrobrás como uma ‘bóia de salvamento’ para empresas com finanças em crise”.
Apesar de não acreditarem em uma federalização no curto prazo, os analistas ressaltam que “qualquer movimentação da empresa neste sentido implica em elevação significativa de risco associado à Eletrobrás, vis-a-vis os efeitos das federalizações de empresas como Cepisa, Ceron, entre outras”.