Colunista InfoMoney: A correção começou…

Mas o sofrimento deverá ser comedido; é só esperar o rescaldo da primeira leva de vendedores, para se posicionar na nova marcha otimista
Inicialmente, precisamos refletir sobre a marcha dos recentes acontecimentos.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que os últimos dados sobre a perda de empregos no país são um “motivo para refletir”, mas insistiu que a destruição de postos de trabalho é menos intensa agora do que no primeiro trimestre. Em um ato na Casa Branca, Obama afirmou que “esta crise foi formada durante anos e serão necessários mais do que alguns meses para superá-la”.

Precisamos também atentar para o seguinte detalhamento: Os dois grandes propulsores da valorização das ações no primeiro semestre, que foram a queda dos juros e os pacotes de ajuda governamental no Brasil e no exterior, começam a perder a força. Os juros podem cair mais um pouco, mas a expectativa firme do mercado é que eles voltem a subir em algum momento em 2010. Pode ser janeiro (para os pessimistas) ou junho (para os otimistas).

Já o efeito dos pacotes de ajuda governamental está chegando ao fim, pois eles já cumpriram seu papel, que era de impedir uma quebra sistêmica dos bancos em todo o mundo. Estatizado, combalido e várias ordens de grandeza menor do que era, o sistema bancário continua e precisa cada vez menos de dinheiro estatal. Ou seja, as injeções de liquidez que irrigaram os mercados no primeiro semestre vão secar definitivamente. Por tudo isso, o movimento das ações deverá ser errático e sem tendência definida, em um cenário no geral positivo, mas sem fôlego para novas grandes ondas de valorização.

“Nosso País está bem cotado”

A opinião geral não mudou muito em relação às previsões do começo do ano. Grande parte dos analistas confirma a expectativa de recuperação da economia brasileira no segundo semestre. Entretanto, como a bolsa já se antecipou bastante em relação à melhora dos indicadores econômicos, o movimento de alta deve ser mais limitado. A média das projeções para o preço-alvo do Ibovespa ao final de 2009 fica em 59.197 pontos, um potencial médio de valorização de 15% sobre os preços atuais.

Os analistas do Citi acrescentam ainda que o atual ajuste é como uma pausa. Segundo eles, uma nova alta é esperada para daqui a dois meses, seguindo notícias de recuperação da economia brasileira. “Resumindo, nós vemos isto como uma pausa bem-vinda, que deve ser usada pelos investidores para se posicionarem para a próxima perna desse novo bull market”.

Por aqui, o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) voltou a registrar deflação em junho, com queda nos custos de minério de ferro e diesel e um arrefecimento da pressão dos reajustes salariais no setor de construção, segundo pesquisa da Reuters. A perspectiva é de que o indicador siga baixo, ligeiramente positivo ou negativo, em julho.

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Para ajudar-nos, a produção industrial brasileira avançou 1,3% em maio, em relação a abril, descontadas as influências sazonais, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o quinto mês consecutivo de alta, o que, segundo o economista do instituto André Macedo, representa uma recuperação gradual do setor, cuja expansão alcançou 7,8% nos primeiros cinco meses do ano.

Em outra boa notícia para a nossa bolsa, um relatório divulgado recentemente pelo banco Merril Lynch afirma que os fundos de pensão brasileiros terão de aumentar a compra de ações e os investimentos no exterior para cumprir as metas de ganhos previstas em contrato. Tal mudança se deve à redução da taxa Selic para 9,25% no ano, que diminuiu o retorno do rendimento em renda fixa. A Merrill Lynch lembra que a maioria dos fundos de pensão busca um retorno anual de 4 a 6 pontos percentuais acima da inflação. Com o IPCA no atual patamar, isso significa um ganho anual de 8,5% e 10,5%. Antes da queda da Selic, os investimentos em renda fixa permitiram que os fundos acumulassem uma média de retorno anual de 17% desde 2002.

Para finalizar a nossa potencial alegria, encerrado o primeiro semestre do ano, o Goldman Sachs constatou que o nível de volatilidade dos mercados latino-americanos se encontra no menor patamar desde fevereiro, o que levou seus analistas a recomendarem algumas ações de investimentos na região. No caso do Brasil, as sugestões mostram que o País está bem cotado entre os especialistas da instituição. Com relação à bolsa, apesar de olharem com certa cautela a forte exposição ao mercado de commodities, eles acreditam que a retomada da demanda da China deve ter reflexos positivos na renda variável doméstica.

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É só esperar, portanto, o rescaldo dessa primeira leva de vendedores, para o posicionamento devido na nova marcha otimista que forçosamente se seguirá… e como dizem os que comandam o cenário de expectativas, nosso País está bem cotado…

Gil Ari Deschatre é professor da FGV e do Ibmec e escreve mensalmente na InfoMoney, às segundas-feiras.
gil.deschatre@infomoney.com.br