Bolsa volta a sofrer com as perdas de Wall Street e o recuo das commodities

Ibovespa cai pela quarta vez seguida e atinge menor nível desde 15 de maio; dólar sobe forte, para R$ 1,993

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SÃO PAULO – Novamente acompanhando o movimento de Wall Street, o Ibovespa acumulou sua quarta queda consecutiva no pregão desta terça-feira (7). Sem indicadores relevantes na agenda, os investidores voltaram a refletir perspectivas modestas para a recuperação econômica, além de demonstrarem grande apreensão com o início da temporada de resultados corporativos referente ao segundo trimestre.

Com baixas lá fora, o Ibovespa enfrentou uma sessão de perdas generalizadas, com destaque para mais um tombo das blue chips ligadas ao mercado de commodities, diante da continuidade da desvalorização dos contratos de metais básicos e petróleo. Assim, o índice encerrou com forte queda de 2,29%, atingindo 49.456 pontos, seu menor patamar desde 15 de maio. O volume financeiro totalizou R$ 5,4 bilhões.

Commodities e resultados

A incerteza em relação à capacidade de recuperação da economia voltou a ditar o rumo das operações, pressionando as cotações das commodities. Em Wall Street, pesou o fraco desempenho das ações de Exxon Mobil (-2,26%) e Chevron (-2,25%).

Na ausência de indicadores relevantes, os investidores voltaram suas atenções para perspectivas cautelosas em relação ao início da temporada de divulgações de resultados corporativos. Na próxima quarta-feira, a Alcoa abre a fase de apresentações de balanços nos EUA. Apesar das projeções de mais um prejuízo trimestral e da queda do preço dos metais básicos, os papéis da companhia subiram 1,62%.

Novo pacote?

Durante a tarde, os mercados especularam a possibilidade do anúncio de um novo pacote de estímulo à economia norte-americana. A conselheira do presidente Barack Obama, Laura Tyson, afirmou que a administração norte-americana deveria considerar um novo plano, focando principalmente em infraestrutura.

Bolsa

A bolsa brasileira voltou a ser pressionada pelo desempenho, deixando interpretações sobre a revisão do rating soberano brasileiro pela Moody’s para segundo plano. Petrobras e Vale voltaram a figurar entre os destaques negativos da bolsa.

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A estatal informou a suspensão dos testes na bacia de Tupi para trocar parte de um equipamento, operação que deverá durar entre três e quatro meses, além de Memorando de Entendimento com as siderúrgicas Gerdau e CSN para estudar a possibilidade de realizarem, em conjunto, um projeto de desenvolvimento de instalações portuárias na Baia de Sepetiba, no estado do Rio de Janeiro.

Já a Vale sofreu com a revisão de estimativas do banco UBS Pactual, que cortou suas projeções para a produção de minério de ferro da empresa em 2009, passando de 267 milhões de toneladas para 240 milhões de toneladas. A holding Bradespar, de grande participação na mineradora, liderou as perdas do Ibovespa em resposta.

Na outra ponta, os ativos da GOL se beneficiaram do recuo dos contratos de petróleo e lideraram os ganhos do índice de maneira isolada. A companhia revelou suas estatísticas de tráfego aéreo no mês de junho. Embora tenha apresentado maior movimentação de passageiros, a redução da margem de lucro desapontou os analistas.

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As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
BRAP4 Bradespar PN 23,70 -5,58 +26,60 72,13M
VALE5 Vale PNA 27,75 -5,55 +18,20 825,59M
RDCD3 Redecard ON 28,10 -5,55 +12,66 100,43M
VALE3 Vale ON 31,89 -5,00 +16,88 119,15M
SBSP3 Sabesp ON 27,71 -4,71 +3,39 13,47M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
GOLL4 Gol PN N2 11,91 +5,59 +20,18 25,38M
RSID3 Rossi Resid ON 8,80 +1,73 +137,45 18,96M
CESP6 Cesp PNB 20,50 +1,64 +36,22 29,66M
VCPA4 VCP PN 20,95 +1,50 +16,84 22,16M
CRUZ3 Souza Cruz ON 57,56 +0,98 +36,99 25,88M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Índice Bovespa, foram :

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Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg
VALE5 Vale PNA 27,75 -5,55 825,59M 532,01M 26.214
PETR4 Petrobras PN 29,35 -2,30 592,74M 543,32M 18.018
ITUB4 Itau Unibanco PN 30,51 -1,58 184,00M 147,77M 8.982
BBDC4 Bradesco PN 27,75 -0,75 180,65M 165,08M 8.784
BVMF3 BMFBovespa ON 11,05 -2,90 172,42M 192,18M 10.014

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Dólar

Após iniciar a sessão com quedas próximas a 0,6%, o dólar comercial inverteu a tendência negativa no final da manhã, foi ampliando seus ganhos e encerrou com valorização de 1,74% – segunda alta consecutiva – e sendo cotado na venda a R$ 1,993.

O Banco Central do Brasil voltou a intervir no mercado de câmbio. No momento em que foi realizada a compra de dólares através de leilão no mercado à vista, entre as 11h55 e as 12h05 (horário de Brasília), no qual a taxa aceita foi de R$ 1,959, sua variação beirava a estabilidade. Após a operação, ela manteve-se no campo positivo até o final do dia.

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Renda Fixa

No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 9,78%, baixa de 0,08 ponto percentual frente à apresentada na sessão anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 128,50% de seu valor de face, estável.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 293 pontos-base, alta de 12 pontos em relação ao fechamento anterior.

Bolsas dos EUA voltam a cair

Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq Composite, que concentra as ações de tecnologia norte-americanas, teve baixa de 2,31% e atingiu 1.746 pontos.
Seguindo esta tendência, o índice S&P 500 desvalorizou-se 1,97%, a 881 pontos.
Da mesma forma, o índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais blue chips norte-americanas, caiu 1,94%, a 8.164 pontos.


Na Europa, o

índice DAX 30 da bolsa de Frankfurt registrou baixa de 1,15% e atingiu 4.598 pontos.
No mesmo sentido, o índice CAC 40 da bolsa de Paris desvalorizou-se 1,09%, chegando a 3.049 pontos.
Já o FTSE 100, da bolsa de Londres, caiu 0,19%, a 4.187 pontos.

Veja os indicadores previstos para a quarta-feira

A FGV anuncia o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) referente à primeira quadrissemana de julho. O IBGE publica o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), ambos referentes ao mês de junho.

O órgão ainda reporta a Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil de junho, levantamento dos preços e dos custos dos materiais utilizados no setor.

Nos EUA, será apresentado o relatório de Estoques de Petróleo norte-americano, semanalmente organizado pela EIA (Energy Information Administration). O documento é considerado uma importante medida, já que os EUA são o maior consumidor do combustível.

O Federal Reserve divulga o Consumer Credit referente ao mês de maio, com objetivo de medir o total de crédito ao consumidor.