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SÃO PAULO – Para se adaptar aos novos hábitos de consumo, à sofisticação da demanda, às mudanças climáticas, ao surgimento/proliferação de novas pragas e doenças, a fluxos e negociações comerciais mais complexos, a agricultura terá que ser cada vez mais resiliente e multifuncional. Quem afirma é o presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que acrescenta: “a agricultura, o agronegócio terá que indubitavelmente caminhar em direção à tríade alimentação-nutrição-saúde”.
E, de acordo com Lopes, os sistemas integrados de produção são os mais indicados para a busca e conquista desta agricultura com mais resiliência e multifuncionalidade. Segundo o presidente da Embrapa, por meio de modelos que combinam diversas atividades, que consorciam lavoura, pecuária e floresta, o produtor rural adquire capacidade para lidar melhor com situações difíceis, sejam elas de preço, clima, entre tantas outras variáveis.
Para Lopes, mais que uma necessidade, a intensificação da produção agropecuária é um imperativo para manutenção da competitividade no negócio rural.
Consumidor dá a agenda
O presidente da Embrapa destaca que o consumidor tem hoje e terá cada vez mais acesso à informação, ao conhecimento, querendo que sua opinião seja relevante para o processo produtivo, comportamento que o qualifica a ser a bússola dos sistemas agroalimentares. “O consumidor é quem dá as cartas.”
Lopes assinala que a sociedade passou a entender que é possível produzir de modo sustentável, e cobra por isso. “Estamos na era da transparência total.” Segundo o presidente da Embrapa, o consumidor é cada vez mais urbano, vive mais e fica mais exigente. Por isso, ressalta Lopes, a demanda por alimentos vai se sofisticar em busca de mais qualidade, segurança, entre outros atributos de agregação de valor. “A sociedade, por exemplo, vai querer consumir um bife oriundo de um sistema produtivo pecuário carbono neutro.”
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Em termos geopolíticos, o presidente da Embrapa prevê um significativo crescimento da classe média no continente asiático, o que, entre outras coisas, aumentará a demanda por proteína. Segundo Lopes, a assimetria entre consumo e produção se acentuará, com a demanda ficando cada vez maior justamente em regiões do globo com baixa capacidade e aptidão para agropecuária. “E isso, certamente, abrirá enormes oportunidades para o Brasil.”