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SÃO PAULO – Ainda na parte da manhã já intrigava o mercado a forte alta das ações da OGPar (OGXP3), antiga OGX Petróleo fundada por Eike Batista. O movimento ganhou força, e o papel fechou com alta de 100%, cotado a R$ 0,12, valor que não era atingido desde novembro de 2014. No acumulado da semana os ganhos chegam a 300%. Movimento parecido ocorreu com a OGX Petróleo e Gás (OGSA3), que viu suas ações subirem 92,57%, para R$ 2,85, enquanto nos três últimos pregões a alta é de 209,78%.
Alguns leitores mandaram mensagem para o InfoMoney questionando este movimento, mas há uma grande dificuldade em conseguir informações sobre a companhia porque desde a derrocada dos papéis, e consequente pedido de recuperação judicial, praticamente todos os analistas deixaram de acompanhar a empresa. Apesar disso, em contato com a área de Relação com Investidores da OGPar, uma possível explicação foi encontrada.
De acordo com a equipe de RI da companhia petrolífera, o movimento dos últimos dois pregões pode estar relacionado com o fato relevante divulgado pela empresa no último dia 28 de março, segunda-feira. No documento, a OGX Petróleo e Gás e o fundo Cambuhy I fecharam acordo com a Eneva (ENEV3) em relação a Parnaíba Gás Natural (PGN).
Viva do lucro de grandes empresas
O acordo prevê um aumento de capital na Eneva, de cerca de R$ 1,15 bilhão, em que Cambuhy e OGX contribuirão com suas respectivas participações na Parnaíba Gás Natural (PGN) em favor da geradora. Como contrapartida, Cambuhy e OGX se tornarão acionistas da Eneva, que, por sua vez, terá 100% de participação na PGN. Hoje, a geradora possui 27,25% da PGN, empresa de exploração e produção de óleo e gás e fornecedora de combustível para as térmicas da Eneva.
A PGN é operadora e detém direitos de concessão de exploração, desenvolvimento e produção de gás natural de blocos exploratórios localizados na Bacia do Parnaíba, no Maranhão.
Segundo o fato relevante enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Eneva será fornecedora exclusiva de gás natural para o Complexo Parnaíba, formado pelas usinas de geração de energia termelétrica localizadas no interior do estado do Maranhão e operado pela companhia, integrado por Parnaíba I Geração de Energia, Parnaíba II Geração de Energia, Parnaíba III Geração de Energia e Parnaíba IV Geração de Energia. “A Eneva se tornará a única empresa independente de gas-to-wire no país, passando a exercer duas atividades distintas e complementares de geração de energia e exploração e produção de óleo e gás”, diz o documento.
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Resultado
A área de RI da OGPar também afirmou que outra notícia divulgada nos últimos dias foi o balanço do quarto trimestre, mas que o movimento parece ter mais relação com o fato relevante. A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 69,5 milhões nos três últimos meses de 2015, multiplicando em 12 vezes as perdas de R$ 5,8 milhões de igual período de 2014.
No ano passado, a OGPar teve prejuízo de R$ 235,4 milhões, revertendo lucro de R$ 9,87 bilhões de 2014 – naquele ano a companhia teve o resultado impulsionado pelo efeito extraordinário da extinção da dívida com os credores da recuperação judicial.
Em 2015, a petroleira suspendeu a produção no campo de Tubarão Azul. Em março de 2016, foi a vez do campo de Tubarão Martelo ter as atividades paralisadas. Com isso, a OGpar ficou sem campos de petróleo em produção.
No quarto trimestre, a OGpar teve resultado de equivalência patrimonial referente a seu investimento na OGX negativo em R$ 68,4 milhões, ante resultado de equivalência patrimonial negativo em R$ 781,6 milhões um ano antes.
No ano de 2015, o resultado de equivalência patrimonial foi negativo em R$ 215,5 milhões, abaixo das perdas com equivalência patrimonial de R$ 781,6 milhões no ano anterior. A administração da OGPar espera que a companhia possa sair da recuperação judicial até o final do segundo trimestre de 2016.