Dólar afunda e bate mínima de agosto, entre definição da Ptax e atuação do BC

Além da formação da última taxa Ptax do mês, mercado segue atento à atuação do BC, após leilão de swap reverso ter adesão de apenas 2.900 contratos, frente os 17.000 contratos ofertados

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SÃO PAULO – O dólar afunda nesta quinta-feira (31), entre formação da última taxa Ptax do mês, cenário político nebuloso e o mercado atento à atuação do Banco Central no câmbio. Às 14h20 (horário de Brasília), o dólar registrava queda de 1,56%, a R$ 3,5619 na compra e R$ 3,5643 na venda, depois de ter batido R$ 3,5430 na mínima do dia – o menor patamar desde agosto de 2015. 

A queda mais acentuada da moeda veio após o BC vender, novamente, poucos contratos de swap reverso, equivalente à compra futura de dólares. Dos 17.000 ofertados, apenas 2.900 contratos tiveram adesão. Na quarta-feira, o BC vendeu apenas 3.000 contratos, da oferta de até 20.000 contratos, mesmo com a pressão de baixa do dólar. 

Contribuindo para essa pressão, hoje ocorreu a briga pela formação da Ptax, que ficou em R$ 3,5583 na compra e R$ 3,35589 na venda. A Ptax é uma taxa média do câmbio do que é negociado na parte manhã de cada dia. A Ptax do último dia útil de cada mês serve de referência para a liquidação de contratos futuros e de outros derivativos e, por isso, é tão importante. Há uma disputa entre os investidores comprados e vendidos em contratos cambiais, o que ajudou a deixar o mercado instável, explica Pablo Spyer, diretor da mesa de operações da Mirae Asset. 

“O mercado vai querer testar o novo piso do BC, o que pode puxar a moeda mais para baixo”, comentou Spyer. No leilão de swap reverso de ontem o BC mostrou que não estava confortável em comprar o dólar a R$ 3,63, hoje aconteceu a mesma coisa, com o leilão indo a R$ 3,61, o que puxou novamente o dólar para baixo após o resultado do leilão, disse. 

Além dos fundamentos do próprio mercado cambial, o dólar também reage ao Relatório Trimestral de Inflação, divulgado nesta manhã pelo BC. O documento mostra que o BC passou a trabalhar com premissas de PIB (Produto Interno Bruto) ainda mais baixo e inflação ainda mais alta para 2016. O relatório também reconhece, pela primeira vez, que o teto da meta não deverá ser respeitado neste ano.

O discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, durante a semana, também continua pressionando o dólar. Yellen sugeriu que o processo de elevação da taxa de juros será mais gradual do que o previsto pelo mercado.

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