À luz da suposta espionagem da Rio Tinto, Austrália e China disparam acusações

Pequim ressalta independência judicial e Canberra alerta para decorrências; analistas da mineradora deixam a China

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SÃO PAULO – Na linha tênue que separa o público do privado – especialmente em Pequim – os governos da Austrália e da China trocam farpas sobre o caso da suposta espionagem praticada pela Rio Tinto nas negociações para reajuste dos contratos de minério de ferro.

Uma semana após um executivo da mineradora e três colegas chineses terem sido presos, o Ministério de Relações Exteriores da China alertou a Austrália sobre um “tumulto”. “Nós resolutamente nos opomos a qualquer tumulto neste caso ou tentativa de interferir na independência judicial da China”, afirmou Qin Gang, porta-voz da instituição.

Em contraparte, o ministro das Relações Exteriores da Austrália, Stephen Simth, afirmou que não espera que as relações diplomáticas se estremeçam pelo caso. Contudo, disparou um alarme: “a China precisa pensar sobre como o gerenciamento desta situação provocará implicações adversas para si própria”.

De saída

Enquanto isso, a Rio Tinto ordenou que seus analistas deixassem Pequim imediatamente, sob a ameaça de novas prisões, e direcionassem de volta à Austrália ou para Cingapura, conforme noticiado nos periódicos Australian Financial Review e 21st Century Business Herald, de Guangdong.

Segundo o jornal chinês, as negociações para reajuste do minério de ferro só ocorrerão com a Vale. “Não há ninguém na Rio Tinto com que se possa falar”, disse membro da equipe oficial que negocia os contratos benchmark pela China.

Acertou?

Após um suposto fim no mercado spot, especula-se na mídia internacional que a Rio Tinto e a BHP Billiton fecharam acordo para reajustar os contratos no sistema benchmark, ao concordarem com um corte de 33% no preço do minério de ferro – em linha com as siderúrgicas sul-coreanas e japonesas.

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No entanto, a Cisa (China Iron and Steel Association) não está ciente de tal acordo, o que reduz o poder de fogo para outras negociações, ao passo que a Baosteeel – maior siderúrgica chinesa e expoente máximo do setor no país – ainda não concluiu o reajuste com o tripé minerador.