Publicidade
SÃO PAULO – Nos minutos finais de pregão, o Ibovespa deu um forte salto, virando para o campo positivo, impulsionado pelos papéis dos bancos, que passaram a subir enquanto algumas notícias iam sendo divulgadas na imprensa, entre elas, os prováveis compradores dos ativos do Citi no Brasil, que, segundo a agência Dow Jones, são Itaú Unibanco e Bradesco.
No campo político, o mercado repercutia informação de o jornal O Globo, que afirmava que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que foi solto nesta tarde pelo STF, teria aceito fazer acordo de delação premiada. Mais tarde, o Valor divulgou que o advogado Luiz Henrique Machado, um dos que atuam na defesa de Delcídio, disse que o parlamentar pode sair a qualquer momento da prisão no Batalhão da Polícia Militar, embora não haja previsão, e que ele não fará delação premiada.
Com os ganhos adquiridos no final da sessão, o Ibovespa encerrou esta sexta-feira (19) marcando apenas uma queda durante a semana – na quinta-feira, quando recuou 0,37%. Na semana, o índice acumulou ganhos de 4%, puxado principalmente pelas ações de empresas ligadas a commodities. No Ibovespa, 8 ações dispararam mais de 10% no período.
Os papéis da CSN, Vale e Bradespar – holding que detém participação na mineradora – lideraram os ganhos, com altas de cerca de 15%. As demais siderúrgicas Gerdau (+9,07%) e Usiminas (+3,53%) também subiram nesta semana, embora com movimento mais ameno. Sobre a Usiminas, pesou balanço do 4° trimestre, que veio fraco e levou o papel para queda de 13% na véspera. Ainda nos destaques positivos, as varejistas, com as ações da Cia Hering (+12,73%), Lojas Americanas (+8,68%) e Lojas Renner (+8,02%). Os papéis do setor de papel e celulose, que vinham enfrentando fortes quedas na Bolsa neste início de ano, subiram beneficiados pela alta semanal do dólar. Do lado negativo, apenas 5 ações recuaram nesta semana, com as ações da Smiles como a maior queda (-5,8%).
Já nesta sessão, destaque para as ações da Cemig, que afundaram nesta tarde, liderando as perdas do Ibovespa. Após o fechamento do pregão, a Standard & Poor’s cortou o rating da elétrica de “BB” para “BB-“, passando a perspectiva de estável para negativa, indicando que pode reduzir ainda mais a classificando nos próximos meses. A Cesp também teve rating cortado para “BB-“. Os papéis, no entanto, fecharam em leve alta.
Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta sexta-feira (19):
Continua depois da publicidade
Vale (VALE3, R$ 11,83, +2,78%; VALE5, R$ 8,69, +4,07%)
As ações da Vale sustentaram os ganhos nesta sessão, depois de abertura negativa, acompanhando a forte alta de 2,93% do minério de ferro spot (à vista) negociado no porto de Qingdao. Operadores de mercado destacam que o papel vem sendo bastante demandado por quem opera vendido, sendo difícil encontrar doadores, o que aumenta o risco de um “short squeeze” (pressão dos vendidos) contra o papel. Isso porque sem conseguir tomar o papel emprestado, investidores que estavam posicionados na venda no papel precisariam zerar suas posições, o que acabaria puxando uma forte disparada na ação. Holding que detém participação na Vale, a Bradespar (BRAP4, R$ 4,09, +5,96%), que também está com dificuldades em ser alugada, subiu forte hoje.
VEJA MAIS: Quer operar vendido? Então tome cuidado com essas 16 ações
Além disso, as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 4,09, 0,0%) e Usiminas (USIM5, R$ 0,88, +1,15%) também atingiram fortes ganhos hoje, apesar do noticiário negativo do setor. Ontem, Usiminas desabou 13% após balanço fraco do 4° trimestre. Hoje, a ação chegou a subir 8%, mas fechou com alta mais amena, enquanto Gerdau, que atingiu alta de 3%, encerrou estável. A demanda de aço caiu 27% em janeiro na comparação anual, confirmando números fracos de Anfavea e Fenabrave (mas vale destacar que base foi forte em janeiro de 2015). O BTG destaca que segue cautela com o setor, com preferência relativa pela Gerdau.
Continua depois da publicidade
BM&FBovespa (BVMF3, R$ 10,55, -0,09%)
As ações da BM&FBovespa fecharam praticamente estáveis, após a divulgação do resultado, compensando o início de sessão bem negativa. Os papéis da companhia chegaram a cair 2,18% na mínima do dia, a R$ 10,33. Havia expectativa de que a BM&FBovespa anunciaria a nova proposta pela compra da Cetip durante coletiva sobre o balanço realizada nesta manhã. Contudo, a companhia falou que não iria fazer comentários sobre a possível fusão. As ações da Cetip (CTIP3, R$ 38,25, -0,26%) tiveram leve queda. Segundo disse ontem o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, a BM&FBovespa faria uma nova proposta pela Cetip até o fim desta semana.
VEJA MAIS: A 1 hora que vale R$ 400 milhões a mais por dia para a Bovespa
Ontem à noite, a companhia divulgou que encerrou o quarto trimestre de 2015 com um prejuízo líquido de R$ 407,5 milhões por conta de um ajuste contábil sem efeito caixa de quase R$ 2 bilhões. No período, a companhia fez um ajuste contábil de valor recuperável de ativos de R$ 1,7 bilhão (R$ 1,1 bilhão, líquido de imposto) referente a ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura gerado na aquisição da Bovespa Holding em 2008. Em termos recorrentes, a companhia teve lucro de R$ 534,1 milhões nos últimos três meses do ano passado, contra R$ 373,2 milhões no mesmo período de 2014. No acumulado do ano, o resultado ajustado atingiu R$ 1,819 bilhão, uma alta de 23% sobre o ano anterior.
Continua depois da publicidade
No quarto trimestre, a receita líquida da BM&FBovespa teve alta de 1,8% sobre um ano antes, atingindo R$ 543,2 milhões, enquanto o resultado financeiro teve um salto de 436,2%, passando de R$ 54,1 milhões para R$ 289,8 milhões. No acumulado do ano, a receita atingiu R$ 2,216 bilhões, com ganhos de 9,2% em um ano, enquanto o resultado financeiro foi a R$ 508,8 milhões, uma alta de 144,4%. Conforme destaca o Credit Suisse, a companhia conseguiu atingir seu guidance mais uma vez; no entanto, há preocupação com as perspectivas para 2016 e há a expectativa de um volume de Bovespa mais fraco, reduzindo as expectativas para o Ebitda em 2016 em 5%. O preço-alvo foi reduzido de R$ 11,50 para R$ 10,50, mas mantiveram o rating neutro.
Construtoras
O Bradesco BBI revisou as recomendações para as construtoras. A corretora elevou a recomendação da Direcional (DIRR3, R$ 3,93, +0,77%) para outperform e PDG (PDGR3, R$ 5,57, +13,67%) para neutra; enquanto reduziu a recomendação para EzTec (EZTC3, R$ 12,97, +0,15%) para neutra e a Even (EVEN3, R$ 4,65, +2,88%) para underperform, refletindo os persistentes desafios. MRV (MRVE3, R$ 9,76, +3,50%) e Direcional são as top picks do banco no setor de construção.
Frigoríficos
O HSBC iniciou a cobertura para as ações de frigoríficos, com a Minerva (BEEF3, R$ 11,82, +3,68%) tendo recomendação de manutenção, com preço-alvo de R$ 13,00. Já JBS (JBSS3, R$ 11,12, +1,55%) e BRF (BRFS3, R$ 53,71, +0,84%) foram iniciadas com recomendação de compra, com preços-alvo respectivos de R$ 15,50 e R$ 70,50. Já a Marfrig (MRFG3, R$ 6,13, +3,55%) foi iniciada com recomendação de reduzir.
Continua depois da publicidade
Elétricas
O UBS revisou a recomendação para o setor elétrico, rebaixando a Eletropaulo (ELPL4, R$ 8,38, -5,63%) de neutra para venda e com um preço-alvo de R$ 8 por ação. Já a Tractebel (TBLE3, R$ 34,51, -0,38%) foi elevada para neutra e a Transmissão Paulista (TRPL4, R$ 46,70, -0,11%) foi elevada para compra, com preços-alvo respectivos de R$ 37 e R$ 57 por ação.
Raia Drogasil (RADL3, R$ 45,65, +2,58%)
Maior alta do Ibovespa no ano, as ações da Raia Drogasil têm leve queda na sessão de hoje. A companhia informou que teve lucro líquido de 78,3 milhões de reais no quarto trimestre, alta de 25,5 por cento sobre o mesmo período um ano antes. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado entre outubro e dezembro de 2015 foi de 188,1 milhões de reais, ante 159,7 milhões de reais no quarto trimestre de 2014. Segundo o BTG Pactual, o ano de 2015 da companhia foi para ser lembrado. Os resultados foram um pouco acima do esperado pelo Votorantim, reforçando a avaliação da corretora como um ativo premium – e a companhia está bem posicionada em um mercado eficiente.
Comgás (CGAS5, R$ 35,50, +9,33%)
As ações da Comgás apresentaram forte disparada nesta sexta-feira, dia em que os papéis ficaram “ex” de um dividendo de R$ 10,419 por unidade, o que corresponde a um yield superior a 20%. Com isso, também é beneficiada a Cosan (CSAN3, R$ 24,18, +2,03%), que deve receber R$ 744 milhões pela distribuição do provento, por deter 16,67% dos ativos preferenciais da companhia e 73,66% dos ordinários.
No entanto, a equipe de análise do BTG Pactual ressaltou uma dúvida do mercado que fica no ar em meio à notícia , quanto à alocação de capital. “Acreditamos que a melhor maneira de gerar valor para o minoritário da Cosan seja pagando a dívida no nível das empresas, mas temos dúvidas se este será o caminho”, escreveram em relatório a clientes. Os dividendos deverão ser pagos na próxima sexta-feira (26).
Na noite da véspera, a Comgás apresentou seus resultados referentes ao exercício do quarto trimestre do ano passado. O lucro líquido registrado pela companhia foi de R$ 179,6 milhões entre outubro e dezembro, o que corresponde a uma elevação de 4%, e R$ 620 milhões no acumulado de 2015, 13% acima do ano anterior — seu novo recorde.
No mesmo horário, a Cosan também via suas ações subirem; os papéis CSAN3 apresentavam variação positiva de 2,29%, a R$ 24,19. A companhia informou o mercado que, no quarto trimestre de 2015, fechou com lucro líquido de R$ 674,2 milhões, frente a prejuízo de R$ 83,5 milhões no mesmo período do ano anterior. O Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,85 bilhão, aumento de 80% na comparação anual.
Petrobras (PETR3, R$ 6,38, -3,33%; PETR4, R$ 4,46, -2,83%)
As ações da Petrobras caíram seguindo o movimento do petróleo, que acentuou as perdas nesta tarde. O brent caía 3,91%, a US$ 32,94 o barril. No noticiário da companhia, o presidente da Bolíveia, Evo Morales, pode ajudar a estatal a retomar as obras da unidade de fertilizantes que a estatal estava construindo em Três Lagoas (MS), e que já consumiu uns R$ 3 bilhões, informa a coluna de Ancelmo Gois para O Globo.
Para atrair um parceiro privado capaz de realizar os investimentos necessários à conclusão da fábrica, a Petrobras negocia a entrada na sociedade da estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos. Assim, garante que não vai faltar gás.
Biosev (BSEV3, R$ 6,40, +31,08%)
Esquecida no setor sucroalcooleiro, a Biosev disparou nesta sexta com volume financeiro de R$ 110,7 mil, 9 vezes acima da média diária dos papéis, de R$ 11,7 mil, dos últimos 21 pregões. Além da baixa liquidez, a empresa tem tido um desempenho bem mais fraco em relação a seus pares na Bolsa desde outubro, quando encerrou o trimestre. Na máxima da sessão de hoje, a companhia disparou 39,04%, indo a R$ 6,98.
O atual momento do setor se mostra bastante positivo e para a Biosev, a segunda maior empresa do setor, significou colocar um fim a um jejum de dois anos e três meses de perdas. No último trimestre do ano passado, a companhia, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, teve um lucro líquido de R$ 163 milhões, ante a perda líquida de R$ 86 milhões de um ano antes.
Oi (OIBR4, R$ 1,83, -3,17%)
A Oi diminuiu as perdas e registra queda de cerca de 0,5%. No noticiário da companhia, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adiou nesta quinta-feira, devido a pedido de vista do conselheiro Igor de Freitas, o julgamento do acordo para a Oi trocar multas que totalizam cerca de 1,2 bilhão de reais por investimentos na melhoria dos serviços. Em janeiro, a Anatel publicou acórdão com os critérios a serem adotados para determinar os projetos estratégicos que podem ser usados na assinatura de Termos de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC), como o da Oi, que permitem às operadoras trocar multas da agência por investimentos em projetos de interesse público no setor de telecomunicações.
Suzano (SUZB5, R$ 15,31, +2,75%)
A Suzano Papel e Celulose reverteu prejuízo e teve lucro líquido de R$ 341 milhões no quarto trimestre, com a alta do dólar impulsionando as exportações da empresa e o maior preço de papel no mercado doméstico. O desempenho reverteu resultado negativo de R$ 197 milhões no mesmo período do ano anterior, que havia sido impactado pela variação cambial. Contudo, veio abaixo do esperado pelo mercado, de lucro líquido de 520 milhões de reais, de acordo com pesquisa da Reuters. Conforme destaca o Haitong, os resultados não animaram e os menores volumes vendidos e maiores descontos refletem a mesma questão que afetou a Fibria: uma menor demanda da China.
Leia também:
InfoMoney atualiza Carteira para fevereiro; confira
André Moraes diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa