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SÃO PAULO – Grandes dúvidas surgem com o que parece ser o “começo do fim da crise econômica”, expressão utilizada por alguns analistas, entre elas: como estarão divididos os papéis entre os países emergentes, que ganham cada vez mais espaço no cenário internacional e as economias desenvolvidas?
Respondendo a questão, a consultoria RGE destaca que os países em desenvolvimento deverão ter um lugar de maior destaque, sendo o principal responsável pelo crescimento econômico, enquanto que os Estados Unidos, a exemplo, diminuirão consideravelmente o ritmo dos seus gastos.
Porém, tudo dependerá de como essas economias, sobretudo aquelas da América Latina, conseguiram neutralizar os impactos da crise financeira em seus sistemas locais até agora e em qual medida as suas economias podem contar com a demanda interna para sustentar seu crescimento.
Brasil em destaque
O Brasil aparece como o “caso mais interessante” no momento, se destacando também como uma espécie de termômetro para o restante da região. Para o RGE, a economia brasileira deveria aumentar a sua absorção doméstica, tanto aquela ligada ao consumo quanto ao investimento.
Além disso, os analistas sugerem que o governo altere a sua abordagem das contas públicas, trocando as preocupações externas relacionadas à sua dívida, o que levou a alguns anos de acúmulo de reservas internacionais, para um padrão de déficit de conta corrente.
Mas por quê?
Pode soar estranho que um país com pouca propensão a poupar e uma longa história de dívida externa volte a recorrer em grande parte aos recursos estrangeiros. Mas, avalia o RGE, “o potencial de crescimento do Brasil é enorme”, com um mercado doméstico per capita de cerca de 25% aquele dos EUA.
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Outros pontos importantes a se considerar também sustentam esse argumento. Citando apenas alguns, a economia brasileira saiu da forte turbulência do ano passado em uma relativa boa forma. O setor financeiro se manteve sólido apesar dos tropeços de outras instituições pelo mundo e as políticas anti-cíclicas do governo têm se mostrado eficazes em seus propósitos.
Condições
Para isso se concretizar, alguns fatores ainda merecem atenção, tanto os que dizem respeito às diretrizes da economia brasileira quanto as questões relacionadas ao modo de pensar das autoridades responsáveis pela gestão político-econômica do país.
Conforme ressaltado, para que o Brasil receba um grande volume de capital vindo do exterior, inevitavelmente no longo prazo esse movimento levará a taxa de câmbio a se valorizar, processo que já pode estar acontecendo, afirmam os analistas. Em segundo lugar, o Brasil precisa reavaliar a sua relação com a China e outros centros de “poder econômico emergente”. E em terceiro lugar, avaliada como a questão mais importante: o país deverá aprender as lições certas da crise global.