Bolsa perde um “titã” em fevereiro e 5 ações “problemáticas” sobem até 45%

Como a terceira maior queda do Ibovespa, a ação da Cielo, antes "queridinhas" de muitos gestores, vem enfrentando um cenário cada vez mais adverso, entre aumento de concorrência e pressão dos bancos, que têm sofrido com a deterioração macroeconômica

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SÃO PAULO – Puxado pelo rali das commodities, o Ibovespa encerrou esta sexta-feira (29) no seu melhor mês desde abril do ano passado. Um bom humor do mercado que deixou somente 11 das 61 ações do índice no campo negativo em fevereiro. Do lado positivo, cinco ações “problemáticas” figuraram como as maiores altas do índice: CSN (CSNA3, +46,48%), Rumo (RUMO, +39,15%), Vale ON (VALE3, +21,50%), Bradespar (BRAP4, +21,39%), holding que detém participação na mineradora, e Natura (NATU3, +19,87%).

As ações da Natura, embora não se enquadrem tanto no perfil “problemática” como as demais, já tiveram dias melhores na Bolsa, em meio ao cenário cada vez mais adverso para a companhia, que vem sofrendo por conta da deterioração do cenário macroeconômico. Na metade deste mês, a empresa divulgou balanço do 4° trimestre, mas não ajudou a mudar a perspectiva do mercado. Após o balanço, que foi visto como fraco pelos analistas, o Credit Suisse reiterou recomendação underweight (desempenho abaixo da média) para a ação. Na contramão da arrancada de 20,9% das ações, um número cada vez maior de investidores tem apostado na queda das ações na Bolsa, conforme vêm destacando operadores de mercado, que salientaram ainda para as elevadas taxas para tomar emprestado o papel, atingindo esse mês 40% ao ano.

Entre as ganhadoras do mês, Vale, Bradespar e CSN – como a siderúrgica mais exposta ao minério de ferro – subiram na esteira da alta da commodity. Apesar da arrancada do minério, o BTG destacou, no fim da semana passada, que não acredita que esse alta (de mais de 30% desde o fundo de dezembro) da commodity é sustentável, sendo mais um movimento de “curto prazo” e seguindo “vendedor desse rali”. No radar da CSN, há ainda notícias sobre a venda do Porto de Sepetiba, que ajudaram a impulsionar mais a ação. O mercado estima que a companhia possa levantar cerca de R$ 1,2 bilhão com essa venda. Apesar de positiva, o BTG destaca que não resolve o problema de alavancagem da siderúrgica. Nesse setor, Gerdau fechou praticamente estável, enquanto Usiminas teve leve alta. 

Do lado oposto, um “titã” da Bolsa vem perdendo seu brilho. As ações da Cielo (CIEL3, -8,44%) figuraram como a terceira maior queda do Ibovespa, antes de Oi (OIBR4, -26,67%) e Weg (WEGE3, -14,20%), pressionadas pelo temor do mercado com aumento de concorrência (levantado em meio a rumor sobre compra da Elavon pelo Bradesco e Banco do Brasil) e perspectiva cada vez pior para a empresa. Após a divulgação do balanço do 4º trimestre da Cielo e do Bradesco, ficou cada vez mais nítida a percepção de que o turbulento cenário da economia brasileira que pode levar os bancos a serem mais “duros” com as prestadoras de serviços – não apenas Cielo, como as empresas de programas de milhagens Multiplus (MPLU3) e Smiles (SMLE3), disse James Gulbrandsen, sócio e chefe de investimentos da NCH Brasil, em entrevista ao InfoMoney divulgada dia 11 de fevereiro.

Confira abaixo as maiores altas e quedas do Ibovespa em fevereiro:

Maiores altas Maiores Quedas
Empresa Ticker Variação Empresa Ticker Variação
CSN CSNA3  +46,48%  Oi  OIBR4  -26,67% 
Rumo RUMO3  +39,15%  Weg  WEGE3  -14,20% 
Vale ON  VALE3  +21,50%  Cielo  CIEL3  -8,44% 
Bradespar  BRAP4  +21,39%  Ambev  ABEV3  -4,80% 
Natura   NATU3  +19,87%  Qualicorp  QUAL3  -4,52% 

*Para conferir outras altas e baixas do mês, clique aqui.