Gol admite que acordo de R$ 1 bilhão com a Smiles pode ter vazado

Segundo a companhia, esta poderia ser uma das explicações para a forte oscilação das ações durante aquele pregão

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SÃO PAULO – A companhia aérea Gol (GOLL4) admitiu em comunicado na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que o acordo anunciado na sexta-feira (26) sobre a venda antecipada de R$ 1 bilhão em bilhetes para a Smiles (SMLE3) pode ter vazado antes da hora. Segundo a companhia, esta poderia ser uma das explicações para a forte oscilação das ações durante aquele pregão.

A Gol disse que foi procurada pela CVM ainda na sexta-feira para explicar o forte volume e a alta de mais de 20% de suas ações durante a tarde. Diante disso, a companhia afirmou ter feito uma investigação e entre outros fatores, a explicação poderia vir de um vazamento do acordo. “Apesar da dificuldade na identificação do exato motivo da oscilação observada no dia 26 de fevereiro de 2016, o volume atípico de negociações poderia suger um potencial vazamento da compra antecipada de bilhetes aéreos que estava sendo celebrada no mesmo dia”, disse a companhia.

“Ainda, quase simultaneamente, a companhia recebeu o Ofício BM&FBOVESPA 533/2016- SAE que instava a companhia a divulgar qualquer fato relevante ainda não divulgado que pudesse explicar a oscilação de preços e volumes observada durante o pregão”, explica a Gol. Diante disso, a empresa disse que se viu obrigada a divulgar as informações do acordo com Smiles durante o pregão, como aconteceu.

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O acordo anunciado na sexta prevê que a compra antecipada de bilhetes aéreos pela Smiles se dará em tranches, iniciando-se por um desembolso pela empresa de milhagens de R$ 376 milhões, que estará disponível a partir da data de fechamento da operação. Os demais desembolsos estão condicionados a determinadas medidas de fortalecimento da liquidez da VRG. 

“A companhia não pode assegurar que conseguirá tomar todas as medidas que garantam os desembolsos, pois dependem, em parte, de terceiros, e não pode tampouco assegurar a data exata da satisfação das condições para cada desembolso”, disse a Gol em nota.

Outro motivos
No comunicado à CVM, a Gol ainda cita outros fatores que justificam uma oscilação forte de seus papéis, assim como um volume acentuado. Confira as explicações dadas pela empresa:

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1) Após a verificação inicial da referida oscilação, a Companhia incumbiu seu departamento de relações com investidores, seu departamento jurídico e seus assessores legais de discutir a situação e avaliar as razões que pudessem tê-la motivado. A análise da oscilação era dificultada por diversas circunstâncias, inclusive porque na mesma data foi noticiado que seria anunciado nas próximas semanas o aumento do limite da participação do capital estrangeiro nas empresas aéreas.

2) As ações preferenciais são negociadas a um valor unitário próximo de R$ 2,50. O valor baixo por si só implica em alta volatilidade, dado que cada centavo de variação do preço corresponde a aproximadamente 0,4% de variação.

3) Outro fator de volatilidade das ações preferenciais decorre da situação do setor de aviação civil como um todo, em que a alta do dólar, o preço instável de combustível e a queda de demanda, entre outros fatores, têm afetado adversamente todas as companhias aéreas. A sensibilidade do setor a estes fatores, que variam diariamente, aumenta a volatilidade das ações preferenciais.

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4) Por fim, outro fator de volatilidade é o investimento relevante da Companhia na Smiles, que é também uma companhia aberta com ações negociadas na BM&FBovespa. Dado que o valor de mercado do investimento da Companhia na Smiles é maior do que a capitalização de mercado da Companhia, o preço das Ações Preferenciais tem características de uma opção, o que magnifica, novamente, o efeito de qualquer tendência de mercado.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.