Publicidade
SÃO PAULO – O Ibovespa abriu em queda nesta segunda-feira (1), primeiro pregão de fevereiro. Às 10h44 (horário de Brasília), o índice marcava perdas de 1,29% a 39.883 pontos, acompanhando o dia negativo no exterior, porém com desempenho menos acentuado que o apresentado na abertura. Pesam na queda do benchmark da bolsa brasileira as ações da mineradora Vale (VALE3; VALE5) e da Petrobras (PETR3; PETR4), que mostravam recuo na casa dos 2%, além dos bancos — com destaque para o Banco do Brasil (BBAS3), com perdas de 1,5%.
No noticiário doméstico, destaque para o relatório Focus, que apontou para o quinto ajuste seguido na projeção para a inflação, que passou de 7,23%, para 7,26%. Para 2017, a estimativa sobe por três semanas consecutivas — desta vez, passou de 5,65% para 5,80%. Quanto aos juros, as expectativas são de manutenção em 14,25% em 2016, após a recente decisão do Copom, que pegou o mercado de surpresa. A mediana das expectativas para o final deste ano era de 14,64%. Em 2017, a projeção média é de que a Selic seja reduzida e encerre o ano em 12,75%
Ainda na agenda doméstica, ganhou destaque a entrevista do novo ministro do Planejamento, Valdir Simão, ao jornal Folha de S. Paulo. O ex-chefe da CGU (Controladoria-Geral da União) disse que o governo pretende sair do “piloto automático” em programas públicos e reavaliar, inclusive, a eficácia de políticas sociais. A ideia seria “descontinuar o que não têm mais sentido e reforçar os mais eficazes, o que faz parte de uma reforma do Estado elaborada por ele.
O mesmo jornal mostrou que, em dezembro de 2015, quando a situação tensa entre com o PT ficou explícita, a presidente Dilma Rousseff teria cogitado licenciar-se do partido e propor a composição de um governo suprapartidário. As conversas sobre o possível afastamento do PT, partido onde a presidente está há 15 anos, surgiram em meio aos debates sobre qual posição os deputados do PT deveriam adotar no Conselho de Ética sobre o processo que pode levar à cassação do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Destaques da Bolsa
No radar corporativo, as ações da Petrobras recuam depois de três pregões seguidos de alta, em meio à queda dos preços do petróleo no mercado internacional. Neste momento, o petróleo Brent registrava queda de 0,81%, a US$ 35,70 o barril. Segundo o jornal O Globo, a Petrobras prepara novo corte no Plano de Negócios. No novo projeto em elaboração para o período entre 2016 e 2020, a estatal prepara um pacote de investimentos em torno dos US$ 93 bilhões, afirmou uma fonte a par das negociações ao jornal, o que representaria queda de 5% em relação à última versão do plano (2015-2019), de US$ 98,4 bilhões.
Ainda no noticiário da petrolífera estatal, os analistas do BTG Pactual comentaram o comunicado de queda de 20% nas reservas provadas em 2015, para 13,279 bilhões de barris de óleo equivalente, ante 16,612 bi de boe em 2014, segundo critérios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis/Society of Petroleum Engineers (ANP/SPE). Para os especialistas Antonio Junqueira, Julia Ozenda e Andres Cardona, o motivo por trás do número é a forte queda no preço da commodity.
Continua depois da publicidade
“Além da revisão maciça, estamos muito preocupados com a queda das reservas provadas. Comparando com a adição de 16 milhões de barris sob o critério SPE nos últimos dez anos, isso representa apenas 2% da contribuição média anual da última década. Assim, embora o tempo de vida médio de 14,2 anos de reservas pareça saudável, o baixo nível de novas descobertas/adições foi uma surpresa negativa”, afirmam os analistas. A enorme diminuição das reservas comprovadas leva os analistas a crerem em um impairment (baixa contábil) relacionado ao corte a ser divulgado no quarto trimestre. A contabilidade para atingir o tamanho do impairment é feito usando uma análise de campo-a-campo, mas ainda é difícil saber como exatamente esses 2 bilhões de barris de óleo equivalentes serão contabilizados na curva da Petrobras.
Do lado dos bancos, os papéis também acompanham o movimento negativo do Ibovespa. No radar do setor, o Itaú Unibanco (ITUB4) venderá portfólio de R$ 2,2 bilhões em operações de crédito de empresas que estavam inadimplentes a um fundo especializado na compra desse tipo de ativos, segundo o Valor Econômico. A carteira tem cerca de 2 mil empresas devedoras e conta com operações que não são pagas há quase quatro anos. Segundo o jornal, a venda foi fechada poucos dias antes de o Itaú assumir o compromisso de comprar a fatia do BTG Pactual na Recovery, empresa especializada justamente em recuperar empréstimos dados como perdidos pelos bancos.
Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) declarou como complexo o ato de concentração gerado pela compra do HSBC Brasil pelo Bradesco (BBDC4), apontando a necessidade de se analisar “de forma cuidadosa” eventual tendência de aumento de preços para os consumidores por conta do negócio. O órgão de defesa da concorrência disse que é necessário realizar novas diligências para aprofundar a análise do caso. Além disso, disse ser precido dar aos bancos a possibilidade de apresentar as eficiências decorrentes da união, que poderiam contrabalançar a concentração de mercado por ela gerada.
Continua depois da publicidade
Ásia e Europa
No exterior, as bolsas chinesas caíram nesta segunda-feira, após o Índice Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial da indústria cair para o menor nível desde meados de 2012, o que não dá nenhum respiro para os mercados em relação à situação econômica do país. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,5%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,8%.
O PMI oficial de indústria da China caiu a 49,4 em janeiro ante 49,7 no mês anterior e abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração. É a leitura mais baixa desde agosto de 2012 e ficou abaixo da expectativa de 49,6 em pesquisa da Reuters. Já o restante dos mercados asiáticos iniciou o mês com cautela, com o inesperado afrouxamento da política monetária pelo banco central do Japão provocando algumas compras porém com mais sinais de fraqueza econômica na China e queda dos preços do petróleo mantendo os investidores em alerta.
Acompanhando o cenário de cautela na Ásia e depois do otimismo com o BOJ (Bank of Japan), os mercados europeus também registram manhã negativa no primeiro pregão de fevereiro. Contribui para o desempenho ruim das bolsas o movimento do petróleo, com os barris WTI e Brent em queda superior a 0,5%. Também no velho continente os investidores seguem atentos à fala do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi.
Continua depois da publicidade
Baixe agora a Carteira InfoMoney 2016! Basta deixar o seu email abaixo: