Economia global parece presa em “espiral da morte” e devemos temer um Oilmageddon, diz Citi

"Os lucros das empresas e os mercados de ações também devem sofrer mais risco de queda neste cenário de Oilmageddon", afirmam

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SÃO PAULO – A economia global parece estar presa em uma “espiral da morte”, que pode levar a uma maior fraqueza dos preços do petróleo, recessão e um “bear market” para os mercados, alertaram os estrategistas do Citi em relatório divulgado na semana passada. As informações são da Bloomberg e da CNBC

“O mundo parece estar preso em uma espiral da morte de referência circular”, afirmou a equipe de estratégia do banco, liderada por Jonathan Stubbs. 

“O dólar mais forte, os preços do petróleo e de outras commodities mais fracos, a liquidez menor do comércio mundial e dos petrodólares, os emergentes em situação pior… estão se repetindo. Ad infinitum, isso levaria a Armageddon, uma recessão global, significativa e sincronizada e um bear market”, afirmam os estrategistas. 

Esse ciclo negativo torna muito difícil para os decisores políticos dos mercados emergentes e dos mercados em desenvolvimento lutar contra as forças desinflacionárias e os riscos de deterioração, os estrategistas acrescentam. “Os lucros das empresas e os mercados de ações também devem sofrer mais risco de queda neste cenário de Oilmageddon”, afirmam. 

Stubbs e sua equipe esperam um enfraquecimento do dólar em 2016 e que os preços do petróleo devem estar em seus patamares mínimos, oferecendo provavelmente alguma luz no fim do túnel. Assim, fazem uma ponderação: “a espiral da morte não é do interesse de ninguém. O comportamento racional, muito provavelmente, vai prevalecer”, diz o relatório.

Enquanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) acredita que a economia global deverá se expandir em 3,4% em 2016, o Citi espera uma alta da economia de 2,7%.

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Enquanto as economias avançadas estão tendo uma modesta recuperação, muitas economias de mercado emergentes e em desenvolvimento estão em tensão em decorrência do reequilíbrio da economia chinesa, os preços mais baixos das commodities e as saídas de capital. Stubbs acrescentou que os formuladores de políticas provavelmente tentarão “recuperar a credibilidade” nas próximas semanas e meses.

“Isso é fundamental para evitar uma recessão global e um distúrbio perigoso em todos os mercados financeiros. As apostas são altas, talvez maior do que desde o pós-Segunda Guerra Mundial”, disse ele.

“Nós devemos temer um Oilmageddon”, conclui o Citi. “A recessão global, como nós definimos, não deixará lugar para refugiar os ativos”.

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.