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SÃO PAULO – A tão antecipada resiliência da economia latino-americana tem se provado real, depois dos estímulos adotados pelos governos de cada país. Para algumas instituições, como o Bank of America Merrill Lynch, a performance da região vai além disso e mostra que a América Latina será uma das primeiras a emergir da crise.
“A resiliência foi especialmente destacada pela habilidade da maioria dos países de adotar políticas contracíclicas para mitigar os impactos da crise”, avaliam os analistas. Segundo eles, a liquidez externa e solvência dos países latino-americanos continua robusta, “e em alguns acasos até se fortaleceu” desde o início dos problemas.
Não à toa, os analistas da Merrill Lynch acreditam que a economia da região irá contrair a uma taxa de 1,5% neste ano, o que representa “uma queda moderada frente ao histórico e especialmente no contexto da atual recessão global sincronizada”. Para 2010, as projeções já são de crescimento de 3,3%.
Perfil de crescimento
Essa resiliência relativa, segundo os analistas, mostra uma mudança no perfil de crescimento da América Latina, com a região passando da instabilidade para um aspecto mais cíclico. Se isso se comprovar, a região ficará ainda mais atrativa no contexto global, já que terá um menor prêmio de risco e um maior crescimento ajustado ao risco.
“Isso aponta para yields menores e um movimento de mudança dos investimentos em ativos livres de risco no curto prazo (por exemplo, títulos públicos) para projetos de longo prazo mais arriscados (por exemplo ações)”, explica a Merrill Lynch.
No entanto, caso a economia não se recupere, a situação ficará um pouco mais complexa, já que há pouco espaço para maiores estímulos fiscais e monetários. A dificuldade, conforme análise da instituição, se deve principalmente às posições fiscais e políticas e menos à liquidez externa.
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Brasil
Junto com o Chile e o Peru, o Brasil ocupa o topo da classificação de resiliência da Merrill Lynch. De acordo com o banco, o País será o único capaz de manter a taxa básica de juro inalterada na maior parte de 2010, dado o tamanho relativo do estímulo.
Aliás, para os analistas, os diferentes graus de resiliência da região aumentam a diferenciação entre os países. Dessa forma, a recomendação da instituição é de overweight (peso acima da média) para o mercado acionário brasileiro, devido às expectativas de recuperação em 2010, ao fluxo doméstico e às baixas taxas de juro.
Para esta semana, a Merrill Lynch pede atenção para a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), a ser divulgada na quinta-feira (30). “Os analistas tentarão avaliar o quão confortável o comitê está com o novo nível da taxa básica de juro e procurarão pistas sobre a direção e o período do próximo passo”.