Inadimplência das empresas recua 9,6% em junho, mas ainda é alta

Segundo dados da Serasa, juros mais baixos e a volta gradativa do crédito, geram fluxo de caixa e justificam o recuo

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SÃO PAULO – O índice de inadimplência das empresas brasileiras apresentou queda de 9,6% em junho. A variação negativa é maior que a registrada no quinto mês do ano (-7,2%). Juros mais baixos e a volta gradativa do crédito, que geram a administração do fluxo de caixa, justificam o recuo.

Os dados são do Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, divulgado nesta quarta-feira (29). De acordo com os técnicos da instituição, a inadimplência está perdendo fôlego também por conta do crescimento do consumo, registrado desde abril, e da desaceleração da inadimplência dos consumidores.

No primeiro semestre, a inadimplência das empresas aumentou 30,3%, frente ao mesmo período do ano anterior. Segundo os especialistas da instituição, o resultado mostra que as empresas foram as que mais sentiram os efeitos da crise, principalmente no primeiro trimestre deste ano, quando muitas delas tiveram que rever estratégias de produção, comercial e de estoques.

A alta também é verificada na relação de junho de 2009 sobre junho de 2008, quando houve uma elevação de 26,6% na inadimplência das pessoas jurídicas. Segundo os analistas, apesar dos sinais de recuperação, ainda é uma inadimplência elevada, levando em conta que em junho de 2008 a crise econômica ainda não havia se manifestado.

Tipo de dívida

Ainda considerando o primeiro semestre deste ano, os títulos protestados seguem liderando o ranking das dívidas das empresas, com 41,6% de participação na inadimplência. O percentual, entretanto, foi inferior ao registrado no mesmo período de 2008 (42,2%).

Na segunda colocação aparecem os cheques sem fundos, com representatividade de 39,1%, na mesma base comparativa. No mesmo período do ano passado, o peso na inadimplência desta categoria era de 38,6%.

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As dívidas com os bancos, por sua vez, representaram 19,3% do total da inadimplência das empresas nos primeiros seis meses de 2009. No mesmo período do ano anterior, essa modalidade contribuía com 19,2% de participação.

Valor das dívidas

Se o peso das dívidas com o sistema financeiro foi o menor no total da inadimplência, o mesmo não aconteceu com os valores destas ocorrências: a média dos débitos atingiu R$ 4.593,32 no acumulado entre o primeiro e o sexto mês do ano, o que representa um crescimento de 3,8% frente ao mesmo período de 2008.

Já a dívida média referente aos títulos protestados ficou em R$ 1.808,72 no período analisado (+21,6%, na mesma base comparativa). Os cheques sem fundos, por sua vez, registraram uma média de R$ 1.448,85 no período, sendo que houve avanço de 13,7%, ante o mesmo período de 2008.

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Análise da situação

Para os técnicos da Serasa Experian, a queda na inadimplência das pessoas jurídicas em junho ante maio é devido ao retorno das condições de crédito e juros mais baixos, que geram fluxo de caixa para as empresas. Apesar disso, eles atentam que as empresas sentiram fortemente os efeitos da crise, sendo que a inadimplência ainda se encontra em patamares elevados.

Apresar disso, os analistas ressaltam que desde abril, houve melhora no consumo e desaceleração da inadimplência dos consumidores, o que contribuiu para a queda.

Metodologia

O Indicador Serasa de Inadimplência de Pessoa Jurídica, por analisar eventos ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com as instituições financeiras. A divulgação é mensal.