FMI amplia ajuda a países pobres para combater efeitos da crise

Pacote de medidas inclui juros zero até 2011 e flexibilização de acesso a empréstimos; volume deve chegar a US$ 17 bilhões

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SÃO PAULO – Temendo uma terceira onda da crise, que poderia ameaçar os progressos econômicos feitos pelos países mais pobres, o FMI (Fundo Monetário Internacional) anunciou nesta quarta-feira (29) uma nova política de empréstimos para países pobres, que vai aumentar a concessão de fundos para que as nações subdesenvolvidas possam combater os impactos da crise global.

Entre as mudanças aprovadas pela diretoria do órgão, estão o aumento de recursos disponíveis, a duplicação de limites para empréstimos e taxas de juro zero em empréstimos já existentes até o final de 2011, além de regras mais flexíveis. Com as medidas, o FMI projeta que os empréstimos alcancem US$ 17 bilhões nos próximos cinco anos – US$ 8 bilhões até 2010.

Pacote “sem precedentes”

As novas medidas devem começar a valer ainda este ano, após a aprovação dos países que doam dinheiro ao FMI. “Estamos ajudando os países a suportarem uma crise que não foi criada por eles” disse o diretor Dominique Strauss-Kahn. “É um aumento de apoio do FMI aos países pobres sem precedentes”.

O pacote de ajuda inclui o aumento de recursos do FMI, que será impulsionado principalmente pela venda de parte de suas reservas de ouro, e o avanço permanente de concessões de financiamento pelo órgão, que contará com revisões anuais das taxas de juro.

Além disso, o fundo também vai dobrar o limite de empréstimos para os países pobres, e criou uma série de instrumentos que vão facilitar o acesso ao dinheiro do fundo, incluindo linhas de crédito para médio e curto prazo, além de uma linha especial para emergências.

Concessões durante a crise

O pacote dá continuidade a medidas já anunciadas este ano pelo FMI para flexibilizar o acesso a empréstimos, como melhora das condições em todos os programas apoiados pelo Fundo. Em março deste ano, o órgão já havia alertado para uma necessidade de maiores recursos externos para ajudar a combater os efeitos da crise em países subdesenvolvidos e se comprometeu a melhorar as condições de financiamento ao continente africano.

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Com isso, o órgão já havia aumentado consideravelmente sua assistência a países pobres. Em 2008, o FMI concedeu US$ 1,5 bilhão em crédito à esses países. Em julho de 2009, o valor já passava de US$ 2,9 bilhões.

O FMI também aumentou sua tolerância com o déficit fiscal dos países mais pobres durante a crise e vem incentivando gastos sociais e pró-pobres em países subdesenvolvidos.