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SÃO PAULO – As preocupações sobre China levaram novamente o Ibovespa para forte queda nesta quinta-feira (7), pressionado pelos ativos ligados a commodities, como Vale e siderúrgicas. Já as ações da Petrobras esboçaram uma reação após caírem 5%, acompanhando o preço do petróleo que zerou as perdas durante a tarde. Porém, a commodity voltou a recuar e a estatal acabou caindo cerca de 2%.
Das 61 ações do Ibovespa, somente 5 registraram ganhos nesta sessão. Sobre as educacionais, a notícia positiva sobre o Fies conseguiu afastar o mau humor que tomou conta do mercado hoje, enquanto a JBS foi beneficiada por um relatório do BTG Pactual, que viu na ação um “call forte”, após acentuada queda recente. Ontem, as ações do frigorífico figuraram como uma das maiores quedas do Ibovespa, impactados pelos desdobramentos da Operação Lava Jato.
Fora do índice, as ações da varejista Magazine Luiza chamaram atenção depois de ter marcado na mínima do dia queda de 20,89%.
Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão:
Commodities
As ações ligadas a commodities tiveram outro dia amargo na Bolsa em meio à apreensão do mercado de que a desaceleração da economia chinesa seja mais forte do que se imaginava. O pessimismo levou abaixo os mercados globais, depois da Bolsa chinesa cair 7% com a desvalorização do yuan e sofrer novo “circuit breaker“.
As ações da Vale (VALE3, R$ 10,91, -5,95%; VALE5, R$ 8,61, -5,90%) e Bradespar (BRAP4, R$ 4,14, -6,33%), holding que detém participação na mineradora, afundaram seguindo o desempenho de outras empresas do setor no mercado internacional. Com a derrocada, os papéis preferenciais da Vale voltaram, na mínima do dia (R$ 8,56), ao menor patamar de fechamento desde maio de 2005. O índice Bloomberg de commodities mostrou a 4ª queda seguida, menor nível desde março de 1999.
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As siderúrgicas também desabaram com o temor global: Usiminas (USIM5, R$ 1,15, -5,74%), CSN (CSNA3, R$ 3,30, -2,37%), Gerdau (GGBR4, R$ 3,80, -4,52%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 1,20, -6,25%). Sobre as siderúrgicas, ontem, o presidente do conselho consultivo do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau, afirmou que o cenário internacional e a China são fatores “que não ajudam” o setor.
Por sua vez, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 7,83, -2,85%; PETR4, R$ 6,26, -2,19%), que chegaram a afundar e bateram hoje o menor patamar desde 29 de abril de 2009 (no caso das preferenciais), chegaram a zerar as perdas com a virada para alta dos preços do petróleo no mercado internacional, mas acabaram fechando em queda de 2%. Na mínima do dia, o petróleo brent caiu mais de 5%, para US$ 32,16 o barril.
Rumores retornaram sobre a redução dos preços no mercado brasileiro. Na semana passada, no entanto, fonte ouvida pelo Broadcast informou que a direção da Petrobras trabalha para manter os preços da gasolina e do óleo diesel em patamares superiores aos praticados no mercado internacional. Assim, pretende gerar receita e compensar perdas passadas.
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Além disso, reportagem do Estado aponta que o novo plano de negócios da estatal pode sair em fevereiro e mostrar uma redução no capex (investimentos em bens de capital) em 2016, estimado atualmente em US$ 19 bilhões. O plano também pode contar com uma lista maior de ativos para venda, caso a meta do plano de desinvestimento não seja atingida, de US$ 59 bilhões até 2018.
JBS (JBSS3, R$ 11,00 +5,77%)
As ações da JBS destoaram do movimento restante do mercado com uma alta surpreendente de 5%, depois de forte queda na véspera em meio aos desdobramentos da Lava Jato, mas tendo como pano de fundo hoje um relatório do BTG Pactual. No Ibovespa, somente ela, as educacionais Kroton e Estácio, além das ações preferenciais da Petrobras mostravam alta hoje, dentre as 61 ações do índice.
O relatório do BTG Pactual revisou para baixo projeções para resultado do quarto trimestre da empresa, vendo números agora abaixo do consenso do mercado, assim como cortou o preço-alvo do papel de R$ 26,00 para R$ 20,00.
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Os cortes, no entanto, não tiraram a atratividade do papel, segundo analistas. Para eles, o papel recentemente já sofreu muito e a JBS segue como um “forte call” de valor no setor. Pelo novo preço-alvo, a ação ainda tem um potencial de valorização de cerca de 100% até o fim do ano.
Educacionais
As ações das educacionais escaparam do pessimismo que tomou conta do mercado, após notícia positiva sobre o Fies. No Ibovespa, Kroton (KROT3, R$ 9,27, -1,07%) e Estácio (ESTC3, R$ 13,45, -0,52%) acabaram tendo leves perdas, enquanto fora do índice, Ser Educacional (SEER3, R$ 8,27, +9,83%) e Anima (ANIM3, R$ 11,21, +0,90%) subiram na Bolsa, contrariando o movimento da maioria dos papéis da Bovespa hoje.
Segundo comunicados enviados à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pela Anima, a Kroton, Estácio e a Ser Educacional, o MEC, FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) e o Fies publicaram calendário de pagamentos do Fies de 2016. Notícia vista com viés positivo pelo Santander e XP Investimentos, dado que isso é um forte indício de que o fluxo de repasses deve ser finalmente normalizado.
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O documento é chave para confirmar se pagamentos deferidos serão atualizados pela inflação e se haverá qualquer tipo de limitação no valor de pagamentos, disseram analistas do Santander.
Os documentos do MEC e do FNDE indicam que, em 2016, serão realizados 12 repasses e recompras de certificados financeiros do tesouro e que o repasse de CFT-E destinado ao pagamento de um quarto dos encargos educacionais remanescentes de 2015, devidos às instituições com matrículas junto ao Fies, será efetuado até o dia 30 de junho.
Construção
Apesar das notícias de alívio ao setor que rondam o noticiário, as ações das construtoras não conseguiram afastar o mau humor que tomou conta do mercado hoje, em meio à pressão chinesa, e caíram. Entre as maiores baixas, os papéis da Direcional (DIRR3, R$ 3,09, -4,04%), PDG Realty (PDGR3, R$ 1,62, -0,61%) e Tecnisa (TCSA3, R$ 2,63, -0,75%).
No radar, a presidente Dilma Rousseff reuniu ontem a equipe econômica para discutir os pagamentos atrasados em obras de infraestrutura e dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”. De acordo com fontes que participaram da reunião, a presidente pediu que sejam atualizados dados do programa e das principais obras de infraestrutura do País.
Magazine Luiza
As ações da Magazine Luiza (MGLU3, R$ 14,36, -13,29%), que chegaram a recuar 20,89% na mínima desta sessão, a R$ 13,10, esboçaram amenizar as perdas nesta tarde, mas voltaram a acelerar as perdas e recuaram pelo segundo dia seguido.
O movimento ocorre depois dos papéis esboçarem leve movimento de recuperação no final do ano passado, após ter encostado na sua mínima histórica na Bolsa. No último dia 5, a ação bateu seu maior patamar desde setembro do ano passado, a R$ 18,13.
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