Standard Chartered eleva recomendação do real de neutra para acima da média

Apetite crescente pelo risco mostra-se sustentável e reflete uma apreciação da moeda brasileira, diz o banco

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SÃO PAULO – Os analistas do Standard Chartered elevaram sua recomendação para o real de neutra para overweight (acima da média), tendo em vista o curto prazo, mantendo a classificação para o médio prazo também em overweight.

De acordo com o banco, no mês de abril o crescente interesse por ativos com maior retorno, sustentado pela recuperação do apetite pelo risco, se provou mais durável e teve impacto sobre o câmbio no Brasil, evidenciado pelo fortalecimento do real.

O posicionamento ainda está relativamente leve quando consideramos a média histórica, afirmam os analistas, mas isso pode não durar por muito tempo, sugerindo uma maior apreciação da moeda brasileira que se seguirá ao rali dos últimos períodos.

Um outro ponto destacado é que a barreira psicológica do câmbio, em R$ 2,00 para US$ 1,00, foi ultrapassada sem nenhuma “contestação mais agressiva”, abrindo espaço para um novo recuo da moeda norte-americana, perto do patamar de R$ 1,80.

Conjuntura

Do lado da conjuntura econômica, diversos fatores parecem conspirar em favor do País. O expressivo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2007 e 2008, de 5,7% e 5,1% respectivamente, impulsionado pela demanda interna.

Além disso, apesar dos efeitos da crise para a economia brasileira, a indústria já começa a dar sinais de reaquecimento, registrando expansão durante os últimos três meses. Também a inflação parece dar trégua, tanto por causa da queda nos preços das commodities como pela queima de estoques das companhias.

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As contas brasileiras também estão saudáveis. O país se tornou credor externo em virtude do acúmulo de reservas internacionais, as quais atingiram um patamar próximo de US$ 201 bilhões no final de abril deste ano. “O superávit da balança comercial, taxa de câmbio flutuante e uma base de exportações diferenciada são fatores-chave para reduzir a vulnerabilidade externa do país”, afirmam os analistas.