Publicidade
SÃO PAULO – A tendência do mercado nos últimos meses contrariou as expectativas da maioria dos agentes de mercado, principalmente devido ao ambiente econômico bastante fragilizado. Sendo assim, ficam duas questões. O que estaria ditando essa alta? Seria ela realmente sustentável?
“A avaliação das ações reflete crescimento conceitual e teórico”, explica o Bradesco em seu relatório “Duelo de Titãs: Fluxos x Fundamentos”, no sentido de que existiu algo por trás da valorização dos mercados.
Então, qual seria o fator impulsionando esses papéis durante o período em questão? A resposta demanda um pouco de reflexão, uma vez que a situação da economia em geral ainda permanece bastante delicada, fato confirmado também pela opinião de muitos analistas e investidores.
Sinais divergentes
O horizonte parece favorável, com certos indicadores apontando o “final da queda livre”, exemplificam os analistas do banco. Em contrapartida, os sinais de recuperação ainda não são muito inspiradores, quando comparados aos níveis de crescimento do período que precedeu a crise.
Apesar dessa constatação, o Bradesco diz que os fluxos de capitais estão fortes e continuamos a ver um volume imenso de capital entrando em países como o próprio Brasil. Esses fatores opostos nos levam a uma encruzilhada na qual colocam os fundamentos e os fluxos como concorrentes, cada um apontando em direção diversa.
Segundo o Bradesco, esse grande volume de capitais pode estar sendo impulsionado pelo excesso de liquidez, que foi criado pelo aumento da oferta monetária, pela expansão do balanço dos grandes Bancos Centrais e estímulos fiscais utilizados para minimizar os impactos da crise financeira.
Continua depois da publicidade
Fluxos atrás de fluxos
Mesmo se esse for o caso, não é impossível imaginar uma situação de fluxos indo atrás de fluxos, e de novo, mais fluxos indo atrás desses. No entanto “estes processos terminarão”, avaliam os analistas, já que os “fluxos não podem ir simplesmente atrás de outros fluxos”, e os fundamentos sempre terão a última palavra.
Inequívoco sim
A principal dúvida no caso é se quem não concorda com a avaliação fundamentalista na verdade está buscando um lucro considerável hoje ou no futuro próximo. Essa questão, levantada pelo Bradesco, faz retornar ao ponto levantado inicialmente: talvez esteja faltando base maior para esta valorização. Na opinião da instituição, baseada nos fundamentos econômicos, a resposta é um “inequívoco sim”.