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SÃO PAULO – O clima prejudicou a safra de trigo na maior parte das regiões produtoras neste ano. No Sul do País, por exemplo, onde houve grande volume de chuvas, a colheita foi bastante afetada, reduzindo drasticamente a qualidade dos grãos, principalmente no Rio Grande do Sul.
De acordo com o Cepea, este cenário, aliado a forte valorização do dólar, encareceu as importações do cereal e mantiveram o trigo brasileiro em alta durante muitos meses. No balanço do ano, o preço do trigo para o produtor teve alta de quase 40% no Rio Grande do Sul e de mais de 26% no Paraná.
Já para as negociações entre empresas, no Paraná, o aumento foi de 35%; no Rio Grande do Sul, de 32%; e, em São Paulo, de 27%.
Segundo a Conab, em dezembro a área de plantio nesta temporada teve redução de 11,3%, chegando a 2,446 milhões de hectares. A produção foi estimada em 5,623 milhões de toneladas, ou seja, 5,7% inferior à da temporada anterior. Entretanto, a produtividade aumentou 6,3%.
Para os analistas do Cepea, o maior problema neste ano foi a queda na qualidade do cereal, que apresentou características abaixo das exigidas pelos moinhos. Desta forma, o estoque final de trigo brasileiro deverá ser o menor desde 2010.
Ainda está previsto pela Conab, o consumo deverá atingir 10,375 milhões de toneladas, sendo necessária a importação para se suprir a demanda nacional. Segundo dados da Secex, o Brasil importou até novembro 4,706 milhões de toneladas de trigo. Já as exportações subiram mais de 400% no ano até novembro, passando de 278,103 mil toneladas o ano de 2014 para de 1,443 milhão de toneladas em 2015.