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SÃO PAULO – O setor de consumo e varejo aparece no topo da relação dos mais citados nas carteiras para junho, conforme mostra levantamento realizado pela InfoMoney. Depois de ficar mais de um ano afastado do ponto mais alto do pódio, o segmento alcança a primeira colocação da lista pelo segundo mês consecutivo.
Dentre a avaliação de 21 corretoras e bancos de investimento para o mês, as ações do ramo registram com certa folga o maior número de sugestões. De um total de 210 indicações, 39 são para ativos do setor, seis a mais do que receberam as instituições do setor financeiro. Na última pesquisa, a diferença para o segundo colocado havia sido de apenas uma sugestão.
Consumo permanece em alta no Brasil
De um modo geral, mesmo assumindo o momento ainda conturbado para o segmento, os analistas continuam confiantes na capacidade de manutenção dos bons níveis de venda entre as varejistas do País. A equipe da Coinvalores, por exemplo, acredita que os últimos cortes na taxa Selic, atualmente em 9,25% ao ano, devem aquecer o mercado e incentivar os consumidores a irem às compras.
O Santander, por sua vez, acredita que a desaceleração econômica vista nesse ano se inverterá no ano que vem, fortalecendo as varejistas brasileiras. Numa avaliação mais específica, a instituição vê com bons olhos a volta do crescimento do comércio eletrônico no Brasil, que ainda possui baixa penetração e poucos concorrentes.
Já na opinião da Ágora, mesmo com a perspectiva de um “cenário desafiador” para o varejo neste ano, especialmente no primeiro semestre – devido ao desaquecimento na atividade econômica, recuo do crédito e da confiança do consumidor, assim como aumento dos níveis de desemprego e de inadimplência – ainda existem boas oportunidades de investimento no setor.
Neste sentido, cabe lembrar que, apesar das expectativas favoráveis, os analistas também mantêm olhares cautelosos quanto ao desenvolvimento do setor varejista doméstico, principalmente tendo em vista a deterioração do mercado de trabalho e o incremento da taxa de inadimplência nos bancos.
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Bancos brasileiros estão bem posicionados
Com 33 indicações, os papéis do setor financeiro assumem o segundo lugar dentre os mais recomendados. Como de costume, os especialistas elogiam os sólidos fundamentos e os bons níveis de capitalização e rentabilidade dos bancos brasileiros. Além disso, a postura resiliente frente à crise e o processo de consolidação do setor também atraem as sugestões.
A Socopa afirma que as instituições financeiras do País estão atrasadas em relação ao mercado, uma vez que são bem fundamentadas, capitalizadas e reguladas, podendo aguentar a carência de crédito no exterior. Em suma, a corretora afirma que elas não apresentam os complexos instrumentos financeiros que levaram à crise internacional.
A SLW, por sua vez, destaca que as recentes notícias acerca da redução de juros bancários alimentam a expectativa de retomada do crescimento de crédito no Brasil. Em adição, a corretora também avalia de forma favorável a elevação vista nos últimos dados referentes a empréstimos de pessoas físicas.
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Cabe destacar ainda as expectativas positivas em torno do IPO (Initial Public Offer) da VisaNet, que pode arrecadar até R$ 9,7 bilhões e se tornar o maior do Brasil. Para os analistas, além de a empresa estar voltada à economia doméstica, apresentando uma relativa resiliência frente à crise, a perspectiva é de que seus papéis tenham uma boa liquidez no mercado.
Setor energético deixa incertezas de lado
Na sequência, com 30 recomendações, o setor de energia e saneamento cai para a terceira colocação e quebra um ciclo de sete meses consecutivos na vice-liderança. Em meio ao persistente cenário de incertezas nos mercados, os analistas seguem apontando o segmento como ponto de segurança aos investidores.
Segundo o HSBC, as empresas do setor contam com fluxos de caixas estáveis, algo bastante desejável em momentos de instabilidade. Em função disso, devem apresentar melhores resultados em 2009 em comparação com outros setores, afirma a instituição, tendo em vista a relativa estabilidade das receitas e custos, além da baixa exposição à dívida externa das elétricas.
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A equipe do Bradesco, por sua vez, mantém uma visão positiva para os ativos do segmento, “devido aos bons valuations e aos rendimentos elevados”. Dentre os diversos fatores elogiados pela instituição, destaque para a situação financeira confortável da maioria das empresas e para as boas expectativas quanto aos preços de geração e ao crescimento do setor.
Por fim, com um teor mais cauteloso em sua análise para o setor elétrico no Brasil, o Credit Suisse projetou um horizonte complicado para as empresas, principalmente devido à expectativa de menor crescimento da economia. “Um fraco 2009 deve ter implicações importantes para o fornecimento e equilíbrio da demanda nos próximos anos”, nas palavras do banco suíço.
Confira o número de recomendações de cada setor:
| Setor | Recomendações | Porcentagem |
| Consumo e Varejo | 39 | 18,57% |
| Financeiro | 33 | 15,71% |
| Energia e Saneamento | 30 | 14,29% |
| Siderúrgico | 22 | 10,48% |
| Petróleo e Gás | 19 | 9,05% |
| Mineração | 18 | 8,57% |
| Telecomunicações | 18 | 8,57% |
| Industrial | 9 | 4,29% |
| Transporte | 9 | 4,29% |
| Imobiliário | 5 | 2,38% |
| Papel e Celulose | 5 | 2,38% |
| Petroquímico | 3 | 1,43% |
| Tecnologia e Informática | 0 | 0,00% |
| Total | 210 | 100% |
As carteiras selecionadas neste mês são de: Ativa, Banif, BB Investimentos, Bradesco, Coinvalores, Credit Suisse, Deutsche Bank, Fator, Geração Futuro, HSBC, Itaú, JP Morgan, Omar Camargo, Pilla, Planner, Senso, SLW, Socopa, Spinelli, UBS e Win.